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Os substitutivos das ‘Lideranças Partidárias’: “O Mapa dos Pesadelos”

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Por Alexandre Luís Cesar

Apesar de o Substitutivo Integral nº 01 por mim apresentado como relator ao Projeto de Lei do Zoneamento do Poder Executivo ter recebido o aval dos representantes do Ministério do Meio Ambiente (MMA), do Poder Executivo estadual (SEPLAN e SEMA) e de diversos segmentos da sociedade civil organizada, ele não foi aprovado pela Comissão Especial da ALMT.

Foi então elaborado o Substitutivo Integral nº 02, apresentado em 03.03.2010 por “Lideranças Partidárias”, sob o argumento de que a proposta do Poder Executivo estava defasada e o substitutivo anterior “não contemplava algumas mudanças necessárias, como a atualização das informações utilizadas na elaboração dos diagnósticos e a consideração de sugestões colhidas nos seminários técnicos e audiências públicas”, mas que divergia profundamente das duas outras versões, “em especial no que diz respeito à delimitação, aos conceitos e às diretrizes associadas a cada categoria e subcategoria de uso”.

O novo substitutivo teve responsabilidade técnica de um único consultor, o Dr. José Marcos Foloni, que havia liderado uma pesquisa encomendada pelo Sindicato Rural de Cáceres e apresentou sugestões de modificação ao ZSEE/MT referente aos 13 municípios daquela região, ao argumento de que a proposta original não atendia as necessidades, nem representava o real cenário econômico, social e ambiental daqueles municípios.

Tendo atuado publicamente na “defesa técnica” dos substitutivos integrais nº 02 e nº 03, foi contratado posteriormente, em 17.05.2010, com inexigibilidade de licitação, para “Prestação de Serviços de Consultoria Técnica para a Comissão Especial do Zoneamento Socioeconômico Ecológico da Assembleia Legislativa de MT” (DOE nº 25330, de 01.06.2010, p. 57). ‘Coincidentemente’, ele é mestre e doutor pela Universidade Federal de Viçosa – UFV, a mesma instituição contratada pela FAMATO, também com inexigibilidade de licitação, para analisar a proposta original do ZSEE/MT.

Essa nova proposição sofreu questionamentos incisivos dos movimentos socioambientais, do Ministério Público Estadual, da Diretoria de Zoneamento Territorial do MMA e das equipes técnicas do Poder Executivo Estadual e da ALMT, sendo denominado de “O Mapa dos Pesadelos” pelos movimentos sociais, já que, dentre outras aberrações, trazia a exclusão de 14 Terras Indígenas em processo de homologação e de demarcação, legislando sobre assunto de competência da União; a exclusão e redução de áreas propostas para criação de Unidades de Conservação, o que correspondia a 73% da área indicada no primeiro substitutivo, como resultado das audiências públicas; a possibilidade de flexibilização da reserva legal em todo o Estado, inclusive nos ambientes florestais, de áreas frágeis e nos pantanais do Araguaia e do Guaporé, sem critérios claros e tecnicamente embasados; a redução de 34% da área de floresta destinada para uso mais intensivo, desconsiderando a relevância e o potencial da economia de base florestal no Estado; a exclusão de políticas específicas para a agricultura familiar, suprimindo do texto a expressão “pequenos produtores”; e, a permissão de plantio da cana-de-açúcar e produção sucroalcooleira em áreas vedadas pelo Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar (Decreto Federal nº 6.961, de 17.09.2009).

No dia 30.03.2010 as mesmas “Lideranças Partidárias” apresentaram e fizeram aprovar, na Comissão Especial e em primeira votação no Plenário da Assembleia Legislativa, o Substitutivo Integral nº 03, que trazia mudanças cosméticas com relação ao anterior, especialmente a inclusão de 10 das 14 terras indígenas anteriormente excluídas. Importante consignar que, na pressa de encerrar os debates de mérito sobre o projeto, a proposição aprovada somente foi disponibilizada para consulta pública no site da ALMT na internet no dia seguinte, 31.03, ou seja, primeiro foi montada e aprovada, para depois ser apresentada à sociedade mato-grossense.

Interessante registrar que, apesar de todo o debate sobre o assunto, com a participação dos parlamentares nas audiências públicas, especialmente naquelas realizadas nas suas bases eleitorais, o painel eletrônico do plenário da ALMT registrou 20 deles presentes, mas somente 14 dos 24 deputados estaduais estavam em plenário na hora da votação, que teve como resultado 13 votos a favor do Substitutivo Integral nº 03 e somente 1 voto contrário, o meu.

Somente quase sete meses depois, em 27.10.2010, após muitas tentativas de ajustes da proposta, foi o Substitutivo Integral nº 03 aprovado em segunda votação, com redação final chancelada em 01º.12.2010. Antes mesmo dessa última aprovação formal, a diretoria da FAMATO e presidentes de sindicatos rurais de vários municípios visitaram a ALMT para agradecer ao parlamento estadual pela aprovação do zoneamento.

Alexandre Luís Cesar é membro do Instituto Histórico e Geográfico do Estado de Mato Grosso – IHGMT, Procurador do Estado e Professor Associado da UFMT.

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Quando perder músculo também ameaça o cérebro

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Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.

Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.

Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.

Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.

O que a ciência mostra :

 

Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.

Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.

Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.

Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.

Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?

 

Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.

Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.

O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.

Por que o músculo influencia a saúde cerebral?

A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.

A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.

Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.

Como enfrentar cientificamente esse problema ?

 

O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.

O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.

A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.

Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.

Envelhecer bem ,exige preservar força

A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.

Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.

Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.

 

Saúde não é sorte. É rotina.

Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.

Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.

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