Cultura
Mantendo tradições, indígenas celebram Natal como o Dia da Felicidade
Cultura
O Natal é uma celebração cristã que marca o nascimento de Jesus Cristo. A data faz parte de tradições que foram impostas aos povos originários brasileiros durante o processo de catequização conduzido pelos Jesuítas, no período da colonização portuguesa.

Com a chegada do fim do ano, surge a pergunta: os povos indígenas celebram o Natal? A antropóloga Jucelya Silva explica que a data é comemorada por diversas etnias, mas cada povo mantém suas próprias formas e significados na celebração.
“Alguns grupos, especialmente aqueles com maior contato com práticas não-indígenas, podem celebrar a data, combinando elementos da própria cultura, com os elementos do Natal não-indígena. Por exemplo, no lugar do peru de Natal, pode haver peixe ou outros alimentos tradicionais como prato principal, além de músicas cantadas na língua materna etc. Por outro lado, existem grupos com contato mínimo ou inexistente com o cristianismo, em que o dia 25 de dezembro é apenas um dia comum. Nesses casos, esses povos não comemoram essa data especificamente, mas realizam celebrações ligadas a outros seres, aos ancestrais, aos ciclos da natureza, ou a eventos importantes da sua própria cosmologia, em outras épocas do ano”.
E essa diversidade também se reflete nas comunidades do amazonas.
O professor e historiador, Cacique Marlon Kokama, da comunidade Pontal da Cachoeira, em Manaus, destaca como o Natal é celebrado entre os Kokama.
“Ainda no Alto Solimões, ainda dentro dos rios, essa iguaria não chegou. Então, como é que nós celebramos? Quando é meia-noite, alguns esperam, mas outros já tomaram seu pajuaru, seu caxiri, já comeram seu biscoito, já comeram sua carne de porco assada. Normalmente é uma caça que se tem… então, sempre é dessa forma. E o Natal, muitos celebram o Natal, mas não nessa visão cristã. Mas celebram o Natal como uma data de felicidade, de comemoração”.
Uma obra literária do escritor indígena Yaguarê Yamã, da etnia Maraguá, intitulada “Hary e Karimã: os bons velhinhos da floresta”, apresenta o verdadeiro significado dessa época do ano para os povos originários.
O livro conta a história de Hary e Karimã, um casal de idosos que não pode ter filhos e decidiu presentear crianças com brinquedos e doces no fim do ano. Após a morte do casal, a comunidade passou a homenageá-los com a entrega de presentes, dando origem à celebração do Çuriçawara — o Dia da Felicidade.
A data é considerada, por muitos povos, o verdadeiro Natal dos brasileiros, valorizando a cultura e as tradições indígenas.
Cultura
Terra do Tapete: Feira de Artesanato em PE começa nesta quinta
A cidade de Lagoa do Carro, localizada na região da Mata Norte de Pernambuco, recebe a partir desta quinta-feira a 17ª edição da Feira do Tapete e Artesanato. O município é reconhecido nacionalmente como “Terra do Tapete” por sua tradição na produção artesanal deste item, que é símbolo da cultura popular.

O evento, promovido pela Associação de Tapeceiras de Lagoa do Carro, segue até o próximo domingo e reúne artesãos independentes, entidades, prefeituras e representantes de programas sociais numa programação que, além da comercialização produtos artesanais, tem previsto também oficinas, palestras, lançamento de livros, atrações infantis e shows. Neste primeiro dia, também está sendo oferecida a emissão ou renovação da Carteira de Artesão do Programa do Artesanato Brasileiro, criado em 1991.
Famosa por ser uma das maiores referências vivas da tapeçaria artesanal na região, Maria José, conhecida como Mestra Lia, é a homenageada desta edição. Com 67 anos, Mestra Lia aprendeu a fazer tapete aos 16 e trabalha com tapeçaria há mais de 50 anos.
Cerca de 130 stands apresentam os trabalhos de vários artesãos, não só de Pernambuco, mas de outros estados nordestinos convidados. As ações irão se concentrar na Praça da Soledade e na Praça Manoel Barbosa.
Além das tapeçarias, os visitantes terão contato com outras manifestações do artesanato tradicional como a cerâmica, olaria, bordados, rendas, esculturas em madeira, arte indígena, produtos de fibras naturais e arte santeira.
A programação detalhada pode ser conferida no Instagram @associacaodastapeceiras
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