Cuiabá
Servidor investigado em operações de TI vira fiscal de contrato de R$ 23 milhões em VG
Cuiabá
Um servidor que já foi alvo de investigações relacionadas a contratos de tecnologia na Saúde de Cuiabá foi designado para fiscalizar um novo contrato milionário da Prefeitura de Várzea Grande. Gilmar de Souza Cardoso integra a equipe responsável pelo acompanhamento de um acordo de R$ 23,1 milhões firmado pela gestão da prefeita Flávia Moretti (PL).
O Contrato nº 121/2026 foi assinado em 3 de setembro com a empresa A F C Engenharia e Construções Ltda. e publicado no Jornal Oficial dos Municípios em 15 de setembro. O acordo tem duração de 12 meses e prevê a implantação, instalação e manutenção de redes lógicas e ópticas, além do fornecimento de materiais para infraestrutura de comunicação de dados e voz.
Gilmar foi indicado pela Secretaria Municipal de Administração como um dos fiscais do contrato. A estrutura também prevê servidores responsáveis pelo acompanhamento dos serviços destinados às demais pastas contempladas, entre elas Assistência Social, Defesa Social, Educação e Saúde. Portanto, a fiscalização não está concentrada exclusivamente em Gilmar.
O nome do servidor aparece em investigações realizadas anteriormente em Cuiabá. Na Operação Athena, uma decisão judicial de setembro de 2024 apontou indícios de irregularidades relacionados a atestados de serviços de informática assinados por Gilmar e outra servidora. Segundo o documento, em diversos casos não havia documentação considerada suficiente para comprovar a execução dos serviços e justificar os valores cobrados. A análise ocorreu durante a fase de investigação e não representa condenação.
Gilmar também foi alvo da Operação Iterum, deflagrada pela Polícia Federal em outubro de 2023, que investigou suspeitas de irregularidades em contratos de tecnologia ligados à área da Saúde de Cuiabá. As apurações tratam de fatos ocorridos durante a gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro e são anteriores à atuação de Gilmar no contrato atualmente fiscalizado em Várzea Grande.
O novo contrato atende cinco secretarias municipais e possui valor global de R$ 23.135.643. A contratação foi formalizada durante a vigência de um decreto que declarou calamidade financeira e fiscal em Várzea Grande por 180 dias. O município havia anunciado restrições a novas despesas, com exceção de contratos considerados indispensáveis à continuidade dos serviços essenciais.
O extrato publicado informa o objeto, o valor, a vigência e as secretarias envolvidas, mas não detalha quais prédios serão atendidos, a divisão dos recursos entre as pastas nem a justificativa técnica utilizada para enquadrar a contratação como necessária durante o período de calamidade. Essas informações dependem da análise do processo administrativo completo.
A designação de Gilmar para a fiscalização do contrato, por si só, não caracteriza irregularidade. As investigações anteriores também não equivalem a uma condenação definitiva. O acompanhamento do acordo ficará sob responsabilidade de uma equipe de fiscais vinculados às secretarias beneficiadas pelo serviço.
Cuiabá
Vereador é torturado por três horas e tem parte da orelha cortada durante assalto em MT
O vereador Wesley Cláudio (Novo), de Rondonópolis, e sua família viveram horas de terror durante um assalto dentro da residência do parlamentar, na madrugada desta segunda-feira (28). Segundo informações repassadas à Polícia Militar, as vítimas foram mantidas amarradas e sofreram agressões durante aproximadamente três horas.
Os criminosos teriam invadido o imóvel e rendido Wesley, a esposa e os dois filhos. Durante a ação, o grupo exigiu dinheiro e afirmou que vinha monitorando o vereador havia alguns dias. Os suspeitos diziam ter recebido a informação de que ele manteria cerca de R$ 1 milhão em casa, supostamente destinado à compra de votos. Wesley negou possuir o valor.
A violência continuou mesmo depois de os criminosos encontrarem dinheiro na residência. O vereador teria sido agredido diversas vezes e, em determinado momento, sofreu uma coronhada na cabeça. Na sequência, um dos invasores teria utilizado uma faca para cortar parte da orelha direita do parlamentar, provocando intenso sangramento. A esposa também teria sido agredida e enforcada.
O filho de 9 anos também teria sido ameaçado pelos criminosos, que disseram que cortariam a mão da criança caso o dinheiro não fosse entregue. O filho mais velho, de 18 anos, também foi agredido e posteriormente conseguiu escapar das amarras e libertar os familiares.
Segundo o levantamento inicial, os assaltantes levaram cerca de R$ 38 mil que estavam na casa e outros R$ 4 mil que estavam no veículo da família, além de celulares, joias e outros objetos. Eles também fugiram em um Volkswagen Polo branco pertencente à Câmara Municipal de Rondonópolis.
Durante o crime, os suspeitos teriam feito uma chamada de vídeo com outras pessoas. Conforme o relato apresentado à polícia, três ou quatro indivíduos participavam da ligação, sendo que um deles teria orientado os criminosos que estavam dentro da residência.
Após a fuga, o filho de 18 anos conseguiu sair do imóvel, contornar a casa e retornar pela cozinha, onde arrombou a porta do quarto e libertou os pais e o irmão. O Samu foi acionado e encaminhou Wesley e a esposa ao Hospital Regional de Rondonópolis.
A Polícia Civil investiga o caso. A Politec realizou perícia na residência, que apresentava portas danificadas, sinais de arrombamento e grande quantidade de sangue. Até o momento das informações divulgadas, os suspeitos ainda não haviam sido localizados.
As circunstâncias e a eventual motivação do crime ainda serão esclarecidas pela investigação. A informação de que os criminosos acreditavam que havia dinheiro destinado à compra de votos consta do relato apresentado pela família à polícia e, até o momento, não representa comprovação de que qualquer valor tivesse essa finalidade.
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