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CPI da Saúde ouve Juliano Melo sobre pagamentos indenizatórios e contratos da SES

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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) ouviu, na tarde desta quarta-feira (28), o atual secretário de Estado de Saúde, Juliano Melo. Durante o depoimento, o gestor respondeu a questionamentos sobre pagamentos indenizatórios, contratos com empresas investigadas na Operação Espelho, repasses ao Hospital Central e possíveis conflitos de interesses. A comissão investiga suspeitas de irregularidades em contratações e despesas da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) entre 2019 e 2025.

Juliano Melo, que atuou como secretário adjunto e também ocupou interinamente o comando da pasta durante parte do período investigado, compareceu à CPI na condição de testemunha. Um dos principais questionamentos envolveu os cerca de R$ 1,9 bilhão em pagamentos indenizatórios registrados entre 2020 e 2024, conforme levantamento apresentado durante a oitiva. Essas despesas são realizadas sem cobertura contratual regular e motivaram cobranças de órgãos de controle.

O secretário justificou que parte dos pagamentos ocorre para garantir a continuidade dos atendimentos, especialmente em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e serviços de assistência domiciliar (home care). Segundo ele, essas despesas já apresentaram redução superior a 60% em 2026, resultado da mudança no modelo de gestão dos hospitais regionais e da regularização de contratos.

“Existe uma série de necessidades do paciente que são atendidas de forma indenizatória. Se não for assim, o paciente não é atendido”, afirmou. Juliano também informou que a SES negocia com o Ministério Público a prorrogação ou celebração de um novo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para concluir medidas de reorganização administrativa.

Outro ponto discutido foram os repasses de aproximadamente R$ 140 milhões ao Hospital Israelita Albert Einstein, responsável pela gestão do Hospital Central, antes do início dos atendimentos, em janeiro de 2026. Juliano explicou que cerca de R$ 95 milhões foram destinados à aquisição de equipamentos e R$ 44 milhões às despesas de preparação da unidade, incluindo contratação e treinamento de profissionais.

A CPI também questionou a permanência de empresas relacionadas à Operação Espelho, investigação sobre suspeitas de fraudes em contratos e serviços de saúde. O secretário argumentou que a participação dessas empresas em novas contratações não pode ser impedida automaticamente, sem sanções administrativas ou judiciais que estabeleçam essa restrição.

Durante o depoimento, o presidente da CPI, deputado Wilson Santos (PSD), apresentou ainda uma denúncia envolvendo a prestação de serviços privados pela esposa de Juliano Melo, engenheira de segurança do trabalho, a hospitais que recebem recursos públicos da SES, entre eles o Hospital de Nova Mutum. O parlamentar questionou a possibilidade de conflito de interesses ou favorecimento.

Juliano negou qualquer irregularidade e afirmou que a esposa atua de forma autônoma, sem contrato direto com a secretaria. “Zero possibilidade. Nenhum hospital sabe que ela é minha esposa. Nunca soube. Ela é autônoma, ultra especializada em um segmento muito específico”, declarou.

Relatório final – Ao avaliar a oitiva, Wilson Santos afirmou que parte das explicações foi satisfatória, mas que outras questões ainda precisam ser analisadas. “Várias respostas foram convincentes. Outras mantêm as dúvidas”, declarou. Ele ainda destacou que Juliano não foi o principal ordenador de despesas durante o período investigado.

Segundo o parlamentar, a comissão identificou situações em que contratações e pagamentos teriam prosseguido apesar de manifestações contrárias da Procuradoria-Geral do Estado (PGE/MT) e da Controladoria-Geral do Estado (CGE/MT). As informações reunidas poderão fundamentar propostas de indiciamento de agentes públicos e empresários, a depender das conclusões do relator, deputado Beto Dois a Um (Pode).

A CPI está na fase final dos trabalhos e ainda poderá ouvir a secretária adjunta Ivone Rosset, responsável pela área financeira da SES. “A Ivone é a secretária adjunta financeira, cabia a ela fazer os pagamentos, os empenhos, o planejamento financeiro”, afirmou Wilson Santos.

A expectativa, conforme o parlamentar, é apresentar o relatório final até 15 de dezembro, com a análise dos documentos e depoimentos pelo relator.

Fonte: ALMT – MT

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Câmara Temática da ALMT amplia debate sobre direitos e desafios dos povos indígenas de MT

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A construção de políticas públicas que respeitem a diversidade dos 46 povos indígenas de Mato Grosso e respondam às necessidades de cada território é o eixo de trabalho da Câmara Setorial Temática (CSTT) Indígena da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), que realizou nesta quinta-feira (29) sua primeira reunião ordinária. A iniciativa busca integrar diferentes áreas, identificar demandas e formular propostas capazes de contribuir para a melhoria da qualidade de vida das comunidades originárias.

Requerida pelo presidente da ALMT, deputado Max Russi (Podemos), a Câmara tem como objetivos promover o diálogo institucional, acompanhar políticas públicas e encaminhar propostas relacionadas aos direitos dos povos indígenas. Durante a reunião, foram apresentados os integrantes e as finalidades da estrutura, além de discutidos desafios que exigem atuação conjunta do poder público e das próprias comunidades.

Presidente da Câmara, Paloma Velozo explicou que a iniciativa amplia o trabalho anteriormente desenvolvido pela Câmara de Saúde Indígena, diante da necessidade de contemplar outras demandas apresentadas pelos povos originários, incluindo a elaboração de projetos de lei e encaminhamentos institucionais.

“Os povos originários hoje, por estarem nos territórios, têm uma carência muito grande de informação. Essa nova Câmara vem fazendo uma união com todos os eixos para desenvolvermos uma metodologia de trabalho que possa trazer um resultado mais preciso para os territórios”, afirmou.

Foto: Hideraldo Costa/ALMT

Entre as prioridades apontadas por Paloma estão os desafios relacionados à saúde mental de adolescentes e jovens indígenas, especialmente os casos de suicídio. Segundo ela, a Câmara pretende dialogar com a área da educação para buscar mecanismos de apoio aos estudantes, sobretudo em momentos de transição na trajetória escolar. Ela destacou inclusive, a importância de dar continuidade ao projeto MT Mais Indígena, desenvolvido anteriormente, e de incorporar novas ações que contribuam para o fortalecimento das políticas públicas destinadas aos povos originários.

Proteção às mulheres e garantia de direitos – A atuação articulada entre as instituições também é fundamental para dar visibilidade a problemas que atingem as comunidades indígenas e, muitas vezes, permanecem pouco conhecidos fora dos territórios. A procuradora de Justiça do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), Elisamara Portela, chamou a atenção para as diferenças entre as etnias, as dificuldades de acesso à saúde, as barreiras linguísticas e a violência doméstica contra mulheres indígenas.

“Uma invisibilidade histórica, uma invisibilidade estrutural” foi a expressão utilizada pela procuradora para descrever parte dos desafios identificados no trabalho de aproximação com essa realidade. Ela também mencionou questões relacionadas à saúde mental, ao uso de álcool e outras substâncias e à autolesão entre jovens, que precisam ser consideradas na formulação de políticas públicas.

Elisamara ressaltou que a divulgação de informações sobre direitos é essencial para que as mulheres saibam onde buscar ajuda e reconheçam as situações de violência. Segundo ela, o Ministério Público Estadual atua na defesa de direitos individuais, inclusive nos casos de violência física, psicológica e patrimonial, com aplicação da legislação pertinente.

A procuradora alertou ainda para a importância de identificar e combater práticas criminosas, sem naturalizar a violência sob o argumento de costumes ou tradições. A garantia de direitos, nesse sentido, deve caminhar junto com ações de prevenção, orientação e responsabilização.

Autonomia financeira e desenvolvimento nos territórios – A participação das lideranças indígenas é outro componente central para que as propostas discutidas na Assembleia correspondam às realidades de cada povo. Líder da Aldeia Utiariti, integrante do povo Haliti-Paresi e morador de Campo Novo do Parecis, Adylson Waymare avaliou a criação da Câmara como uma oportunidade para ampliar a presença das demandas indígenas no debate institucional.

Para ele, a iniciativa permite discutir temas que vão além da saúde e da educação, incluindo economia, sustentabilidade e condições de vida nos territórios. Adylson defendeu a criação de mecanismos que favoreçam a geração de trabalho e renda, de modo a ampliar a autonomia financeira das comunidades.

” Nós temos que ter mecanismos de trabalho, de projetos a serem desenvolvidos que possam gerar renda e trabalho para nós, indígenas, para que assim possamos viver com qualidade de vida e dignidade dentro dos nossos territórios”, afirmou.

Como exemplo, o líder citou o etnoturismo (que é uma modalidade de turismo de base comunitária e imersão cultural realizada em Terras Indígenas com forte atuação na região de Tangará da Serra e no Chapadão do Parecis. Segundo Adylson Waymare, a atividade reúne valorização cultural, preservação das belezas naturais e geração de renda, com projetos que avançaram em sua estruturação e regulamentação.

etnoturismo desenvolvido pelo povo Haliti-Paresi é uma modalidade de turismo de base comunitária e imersão cultural realizada em Terras Indígenas

Adylson ponderou, porém, que Mato Grosso reúne 46 povos indígenas, cada qual com sua cultura, seu modo de vida e suas necessidades específicas. Por isso, a formulação de políticas públicas deve considerar as particularidades de cada comunidade, garantindo espaço para que as próprias lideranças apresentem prioridades e contribuam para a definição das ações.

A primeira reunião ordinária marca o início de uma agenda de trabalho voltada à articulação entre instituições e comunidades indígenas. A expectativa é que o diálogo contribua para transformar demandas históricas em propostas e encaminhamentos que fortaleçam os direitos, a autonomia e a qualidade de vida dos povos originários de Mato Grosso.

Fonte: ALMT – MT

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