Cuiabá
Projeto inédito transforma idosos em protagonistas no combate à desinformação em Cuiabá
Cuiabá
Cuiabá se tornou pioneira no Brasil ao lançar o projeto “Detetives da Cidadania”, uma iniciativa inédita voltada exclusivamente ao público da terceira idade atendido nos Centros de Convivência de Idosos (CCIs). A palestra foi realizada na manhã desta terça-feira (24), no Centro de Convivência de Idosos (CCI) Maria Ignês, localizado no CPA 3, setor II, e reuniu cerca de 100 idosos. A ação é resultado de uma parceria entre o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) e a Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão, e tem como foco principal preparar os idosos para identificar notícias falsas e se proteger de golpes, especialmente no contexto das eleições de 2026.
O projeto alia informação, cidadania e prestação de serviços, levando diretamente aos CCIs orientações práticas sobre desinformação, além de atendimentos como regularização do título eleitoral, transferência de domicílio e coleta de biometria. A proposta, considerada pioneira no país, já passou por unidades em diferentes bairros da capital e segue com programação até o dia 7 de abril, quando será realizado o encerramento deste ciclo no CCI Padre Firmo, no bairro Porto.
De acordo com o diretor-geral do TRE-MT, Mauro Diogo, a iniciativa nasce da necessidade de ampliar o olhar da Justiça Eleitoral para um público historicamente menos contemplado em campanhas educativas. “Já desenvolvemos diversos projetos voltados ao jovem eleitor e a comunidades específicas, mas percebemos que faltava um trabalho direcionado para o público acima dos 70 anos. São mais de 200 mil pessoas nessa faixa em Mato Grosso, um público que merece respeito, atenção e inclusão”, destacou.
Ele ressalta que, mesmo com o voto facultativo, os idosos seguem interessados em participar ativamente do processo democrático. “Eles querem ser ouvidos. Por isso, levamos uma abordagem simples e acessível para explicar o que é verdade e o que é mentira, combatendo a desinformação com dados corretos”, afirmou.
A ação também surge em um contexto de transformação demográfica. Segundo dados recentes do IBGE, pela primeira vez na história do Brasil, a população com mais de 60 anos supera a de pessoas com menos de 60. Esse cenário reforça a importância de iniciativas que garantam acesso à informação de qualidade para esse público.
Para o palestrante, assessor de comunicação do TRE-MT, Daniel Dino de Souza, o projeto também atua como uma “vacina” contra golpes digitais. “Os idosos estão cada vez mais conectados, principalmente pelo WhatsApp, mas ainda são mais vulneráveis ao volume de informações falsas. Trabalhamos conceitos de responsabilidade digital, mostrando que compartilhar uma mensagem é também emprestar credibilidade a ela”, explicou.
Entre as principais orientações repassadas estão sinais de alerta para identificar conteúdos falsos: mensagens com forte apelo emocional, pedidos financeiros ou solicitações de dados pessoais. “A recomendação é simples: desconfiar, não compartilhar e buscar sempre a fonte oficial. Isso protege não só durante as eleições, mas no dia a dia”, completou.
A secretária municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão, Hélida Vilela, destacou o caráter inovador da iniciativa e o protagonismo de Cuiabá. “Essa é uma ação inédita no Brasil. O TRE nos procurou preocupado com o crescimento do público idoso no eleitorado, que hoje ultrapassa 300 mil pessoas acima de 65 anos no estado. Firmamos essa parceria para levar informação e serviços diretamente a eles, com comodidade e respeito”, afirmou.
Segundo a gestora, além da conscientização, o projeto facilita o acesso a serviços essenciais. “Muitos idosos têm dificuldade de locomoção ou acumulam responsabilidades familiares. Trazer esses atendimentos para dentro dos CCIs garante inclusão e dignidade”, pontuou.
Nos centros de convivência, o impacto da iniciativa já é percebido. A coordenadora do CCI Maria Ignês, Paloma Ferreira de Lima, avalia que o projeto fortalece a autonomia e o senso crítico dos participantes. “É uma ação de suma importância. Além de evitar que caiam em fake news, dá voz aos idosos e os inclui no debate social e político”, destacou.
Entre os participantes, o sentimento é de aprendizado e segurança. Frequentadora do CCI há quatro anos, Hebe Terezinha Cantu aprovou a experiência. “A palestra foi excelente. Agora me sinto muito mais segura para lidar com essas situações no dia a dia”, afirmou.
O aposentado José Ferreira Leite também relatou mudanças práticas após a atividade. “Foi um aprendizado que abriu nossos olhos. Hoje, se aparece algo suspeito no celular, já sei que o melhor é ignorar. Já quase caí em golpe, mas consegui evitar porque procurei orientação”, contou.
Já Maria de Lourdes Leite de Lima destacou a mudança de comportamento nas redes sociais. “Eu compartilhava muita coisa sem conferir. Agora tenho mais consciência e vou prestar atenção antes de repassar qualquer informação”, disse.
Com resultados positivos e reconhecimento institucional, o projeto “Detetive da Cidadania” já desperta interesse de outros municípios e deve ser expandido para diferentes regiões de Mato Grosso. A expectativa é de que a iniciativa se consolide como referência nacional na promoção da educação midiática e na proteção da população idosa.
O próximo encontro está marcado para o dia 7 de abril, no CCI Padre Firmo, no bairro Porto, onde será realizado o encerramento desta etapa em Cuiabá, reforçando o compromisso com a inclusão, a cidadania e o combate à desinformação.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
Cuiabá
Katiuscia propõe programa para prevenir feminicídios e defende afastamento de agressores
Com o número alarmante de 35 mulheres vítimas de feminicídio em Mato Grosso em 2026, a vereadora de Cuiabá Katiuscia Manteli (Podemos) apresentou na Câmara Municipal de Cuiabá o Programa Mulher Viva. O programa tem com objetivo implementar medidas de prevenção para impedir que casos de violência doméstica evoluam para assassinatos.
Katiuscia afirmou que o enfrentamento ao feminicídio precisa ocorrer antes do crime. Ela defendeu medidas mais rigorosas contra agressores identificados como uma ameaça à vida de mulheres. Mato Grosso está no topo do ranking brasileiro de feminicídio, em 2025, o estado registrou 54 feminicídios.
Katiuscia que é candidata à deputada federal, garantiu que se eleita também levará a proposta à Câmara Federal.
“Quando o Poder Público concede um botão do pânico ou uma medida protetiva a uma mulher, ele está reconhecendo que a vida desta mulher está em risco; que ela pode sim morrer”, afirmou Katiuscia.
Programa Mulher Viva
O Programa Mulher Viva está estruturado em quatro eixos: prevenção, proteção, responsabilização e reconstrução de vidas. A vereadora argumenta que medidas punitivas, embora necessárias, são adotadas depois que o crime já ocorreu e, por isso, precisam ser acompanhadas de ações preventivas.
“O feminicídio é um crime anunciado. Antes da morte, vem a violência. Vem a violência doméstica. Antes de ser morta, essa mulher foi violentada, essa mulher foi agredida, essa mulher foi torturada”, declarou Katiuscia.
A parlamentar também destacou o risco enfrentado por mulheres que decidem romper relacionamentos abusivos. Segundo ela, situações de dependência emocional e financeira podem dificultar o fim do ciclo de violência, enquanto a separação pode representar um período de maior vulnerabilidade diante de ameaças do agressor.
A proposta defendida por Katiuscia prevê uma resposta mais rigorosa em situações consideradas de alto risco, com foco no afastamento do agressor antes de uma eventual escalada da violência.
Ao tratar do endurecimento das penas, a vereadora afirmou que a punição dos responsáveis não é suficiente para reverter as consequências do feminicídio. “Temos que endurecer as penas, temos que buscar meios de que ele pague por isso, mas não vai trazer a vida dessa mulher de volta. Vai ser mais uma família acabada, mais filhos órfãos”, disse.
Katiuscia encerrou o pronunciamento defendendo que as medidas de prevenção sejam direcionadas também aos potenciais agressores. “Precisamos privar da liberdade o futuro feminicida, e não a vítima, e não a sua família. É esse o projeto, o programa que nós temos hoje apresentado como um projeto para a Câmara Federal”, concluiu.
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