Cultura
Campina Grande promete temporada histórica do Maior São João do Mundo
Cultura
Este ano, a programação do Parque do Povo, o principal ponto do evento, traz novidades com a inclusão de grandes nomes da música popular brasileira, como Marisa Monte e Roberto Carlos.

A primeira noite do evento, nesta quarta, já começa grande. O projeto Dominguinho, comandado pelo cantor João Góes em colaboração com o Mestrinho e JP. Solange Almeida, Limão Comeu e Brasas do Forró completam o time de atrações que abrem o festejo.
Glória Borges, moradora do município de Gurjão a 86 km de Campina, conta que o entusiasmo é grande, tanto com relação ao palco principal, quanto às ilhas de Forró.
Segundo ela, é fundamental preservar a tradição nordestina, mas a abertura do evento para outros ritmos é positiva, pois dá à população a oportunidade de assistir a grandes artistas de forma gratuita.
“A gente nunca pode deixar morrer ou se apagar o nosso São João tradicional, o nosso forró, a nossa cultura nordestina que é tão rica e tão vasta e tão bela, né? Mas não fechar os olhos e abrir o leque para novas oportunidades”.
Quem também aguarda o início das atividades é Francilda dos Santos Silva, mais conhecida como fia. Comerciante no evento, ela relata que a preparação começou há meses e a organização do quiosque foi finalizada nas últimas duas semanas. Agora, o frio na barriga é para receber os forrozeiros e turistas e garantir boas vendas.
“Essa festa linda e maravilhosa, a cidade toda colorida, o parque do povo todo decorado de Brasil, de festa junina, aquele cheirinho de milho, comida típicas que a a gente espera comer agora nesse São João”.
Além de muito forró e comidas típicas, a edição deste ano terá o ingrediente a mais, o futebol.
O Parque do Povo foi equipado com telões para transmitir as partidas do Brasil na Copa do Mundo Masculina. As exibições serão integradas aos intervalos da programação dos shows, permitindo que o público torça pela seleção sem perder o ritmo junino. Com a estrutura pronta, Campina Grande se veste de cores e luzes para consolidar sua tradição.
Pelas próximas semanas, o quartel general do Forró será o coração pulsante do Nordeste, unindo cultura, turismo e celebração em uma temporada que promete ser histórica.
Cultura
90 anos Rádio Nacional: as ondas curtas que percorrem o mundo
Registro de gravação antiga 🎵
O áudio que você escutou foi transmitido pela Rádio Nacional da Amazônia e capturado em ondas curtas por um ouvinte no sudoeste da Virgínia, nos Estados Unidos.
Registro de gravação antiga 🎵
Esse segundo áudio também foi veiculado pela Rádio Nacional da Amazônia e chegou ao cartunista Carlos Latuff em Porto Alegre, no sul do Brasil. Como é possível que uma mesma emissora de rádio consiga ter um alcance tão grande? A explicação está nos ares… mais especificamente na ionosfera, uma camada da atmosfera que contém cargas elétricas. O professor de engenharia eletrônica Ronaldo Siqueira Barbosa explica como a ionosfera consegue propagar sinais de rádio de um ponto a outro.
“Dependendo do ponto alto que ela atinge a nossa ionosfera, altura mais ou menos de 400 km até 700 km de atmosfera, nós temos de reflexão em que você tem um meio de propagação em que a onda vai a grandes distâncias na Terra. Então eu posso fazer uma transmissão de Brasília para o Canadá, para a Europa e muitas vezes fazer até uma segunda volta pela ionosfera e chegar à própria Brasília”.
O sinal da Rádio Nacional da Amazônia é transmitido de uma antena que fica no Parque do Rodeador, na zona rural de Brasília. A historiadora Lia Calabre explica que o alcance nacional da emissora é efetivado com a transmissão em ondas curtas (OC).
“As ondas curtas são as mais longas, são as que atravessam o oceano. A gente está falando para uma geração que pensa em internet, né? Mas eram as ondas que atravessavam o oceano que nos permitiam ouvir a BBC de Londres, que permitiam inclusive ao Brasil transmitir para além dos seus limites territoriais, ter a antena voltada para os Estados Unidos, ter a antena voltada para a América Latina, ter a antena voltada para a Europa”.
Inaugurada em setembro de 1977, no governo de Ernesto Geisel, em plena ditadura militar, a emissora surgiu dentro de um projeto de integração nacional, para alcançar locais isolados, como a região da Floresta Amazônica onde, até então, só chegavam rádios estrangeiras. A jornalista Tereza Cruvinel, primeira presidenta da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), da qual a Rádio Nacional faz parte desde 2007, conta que o projeto inicial dos militares era criar uma grande rede internacional de rádio.
“Era um projeto ambicioso. E quando acabou o governo Médici e veio o governo Geisel, o milagre econômico tinha acabado. Então não havia mais dinheiro para fazer aquilo tão grande, e aí se voltaram para a Amazônia, vamos fazer a Rádio Nacional da Amazônia. Mas mesmo ela, se você olhar a programação daquele tempo, era uma programação muito pertinente a um serviço público, informações para os amazônidas, valorização da cultura, dos bens, das riquezas da Amazônia, e serviços de mensagens, que a rádio sempre se prestou a isso, né?”
As ondas curtas da Rádio Nacional da Amazônia conseguem chegar onde não há sinal de satélite, nem internet ou telefone. Taís Ladeira, ex-gerente das rádios da EBC, destaca o papel da emissora na prestação de serviços, no diálogo direto com os ouvintes e no direito à cidadania.
“Nas comunidades rurais, ribeirinhos, em regiões distantes dos grandes centros, a conexão desses moradores ao resto do país. A Rádio Nacional da Amazônia funcionava quase como uma rede social. As pessoas mandavam cartas e se comunicavam, reencontravam parentes. Passavam a conhecer o direito, por exemplo, ao registro civil de nascimento, que parecia algo muito distante delas, que por meio do tipo de programação que a Rádio Nacional da Amazônia fazia, era possível que essas pessoas se vissem dotadas desses direitos.”
Apelidada de “Orelhão da Amazônia”, no ano passado, a emissora ampliou sua faixa internacional, com conteúdos diários em inglês e espanhol para alcançar mais ouvintes pelo mundo.
*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia, sonoplastia de Jailton Sodré, da Rádio Nacional em São Paulo, e Sarah Quines.
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