Cultura
Mubenco: Belém ganha museu de graffiti a céu aberto
Cultura
Belém ganhou, neste domingo (7), mais um espaço que celebra a arte urbana feita na capital paraense, o Mubenco, Museu Bengola em Cores de Graffiti. 

O museu de base comunitária funcionará como uma galeria a céu aberto. São sete murais permanentes espalhados pelos conjuntos Xavante I, II e III, no bairro Benguí, produzidos por artistas do Pará e do Maranhão.
Entre os grafiteiros que assinam os murais estão NSW, Negônica,Mamacyta, Catatal e Mina Ribeirinha. Cada um dos artistas assina um dos murais, utilizando diferentes linguagens do graffiti, explorando letras, personagens, ancestralidade, cultura hip-hop, memória coletiva e vivências periféricas. As obras, produzidas individualmente ao longo de várias semanas, foram acompanhadas de atividades desenvolvidas pelos artistas.
Mina, que também é uma das curadoras, destaca o tema que uniu todas as artes.
“O tema deste ano é Traços Cabanos, fazendo uma alusão e uma conexão com a luta popular da Cabanagem, a revolta popular da Cabanagem, que foi um marco histórico para Amazônia, para o Brasil, para o mundo”.
O Mubenco é resultado da trajetória do projeto Bengola em Cores, desenvolvido pela Tinta Preta Produções, coletivo que promove intervenções artísticas, atividades educativas e ações culturais em espaços públicos do bairro Benguí. Para um dos curadores e produtor de um dos murais, WBS Barros, a criação do museu representa um marco para a arte urbana no Pará e principalmente o fortalecimento da produção artística na própria comunidade.
“O nosso projeto vai impactar diretamente nesse ponto: valorizar os artistas e tentar pagar de forma digna o cachê do artista que vai vir desempenhar uma obra sua dentro da nossa comunidade. E esse artista também vai dialogar com a comunidade onde ele vai entrar, onde ele vai deixar sua obra; desde um workshop, de uma oficina, dentro das escolas, dentro dos grupos que a gente tem no bairro como associações, os grupos de mulheres”.
No instagram @mubenco26 é possível conhecer os murais que compõem o museu.
*Com produção de Salete Sobreira
Cultura
“O Atelier é a casa das dúvidas” fica em cartaz até 21 de agosto no RJ
Uma mostra em que o processo criativo é o destaque. Assim é a exposição “O Atelier é a casa das dúvidas”, do artista Benjamin Rothstein, em cartaz na Galeria do Ibeu, no Rio de Janeiro.

Além dos trabalhos de Benjamin, em diversas linguagens e temas, como o tempo, a memória e a melancolia, a mostra apresenta momentos em que o próprio artista está presencialmente no local para produzir novas obras, permitindo que o público acompanhe ao vivo seu processo de criação.
O curador responsável, Bruno Miguel, explica como surgiu essa ideia.
“Achei muito importante para essa exposição tentar, de alguma forma, tornar o espectador íntimo desse processo criativo do Benjamin. E aí eu fiz uma proposição para ele de que a gente dividisse a galeria de arte do Ibeu, uma parte sendo uma galeria tradicional com a parede branca, com obras com espaçamento, e uma outra parte que a gente pudesse deslocar o atelier dele para a galeria e que ele durante o período da exposição desenvolvesse o hábito de ao invés de ir para o atelier, ir para a galeria e lá pensar, trabalhar, pintar, sempre com a possibilidade de um espectador entrar no espaço e se deparar com o work in progress”.
Conhecido por obras que transitam entre o desenho e a pintura, Benjamin Rothstein representa nos trabalhos expostos encruzilhadas do mundo, captando fragmentos diversos do cotidiano, sem preocupações com a beleza tradicional e narrativas lineares.
Bruno Miguel dá mais detalhes sobre o estilo do artista.
“O trabalho dele tem uma característica de sempre desconcertar o espectador. Ele tem um vocabulário pictórico e imagético, bem fora do tradicional. É um trabalho que mais do que apresentar respostas, ele meio que desconcerta o espectador e deixa a gente sempre com dúvidas assim, mas uma dúvida boa, sabe? Quando você é obrigado a lidar com algo que você gera um interesse, mas você não sabe explicar exatamente como aquilo te afetou, porque te afetou, de que forma, e isso gera uma investigação dentro de nós mesmos como espectadores”.
O curador destaca, ainda, porque, assim como no título da mostra, o ateliê é uma casa de dúvidas.
“A gente vai para o atelier, a maior parte das vezes, para desenvolver o pensamento. Não é só para executar algo que a gente pensou. Estar nesse local torna suscetível toda uma fruição de possibilidades de pesquisa, desenvolvimentos técnicos, críticas conceituais, análise de imagens. É todo esse entorno, meio que opera influenciando a cabeça do artista. O Atelier é a casa das dúvidas, vem daí”.
A mostra fica em cartaz até o dia 21 de agosto, na Galeria do Ibeu, no bairro do Jardim Botânico, zona sul do Rio de Janeiro. A entrada é franca!
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