Cultura
Mulheres na percussão: grupo Agbelas toca no pré-carnaval do Rio
Cultura
Neste sábado (7), às vésperas do Carnaval, chega ao Rio de Janeiro pela primeira vez o grupo percussivo Agbelas, um coletivo feminino que valoriza a cultura afro-brasileira, a ancestralidade e o papel da mulher na música.

A apresentação será no Aterro do Flamengo, na Zona Sul da cidade, com concentração às 6h da manhã e início do cortejo às 7h.
A performance será uma Oferenda Musical à Rainha do Mar, já tradicionalmente feita pelo grupo em Salvador, no dia 2 de fevereiro. Vão participar cerca de 100 percussionistas que, além de cantar, apresentarão toda a potência de instrumentos como o xequerê, composto por uma trama de sementes que produzem som por meio do atrito.
Gio Paglia, fundadora e maestrina do coletivo, fala sobre a expectativa para a apresentação no Rio de Janeiro:
“Três anos seguidos em Salvador e agora pela primeira vez no Rio de Janeiro, uma honra gigante poder desaguar aqui também. Tem gente vindo do país inteiro para essa oferenda. Tem mulheres do país, do mundo inteiro que vem para tocar, né, que estão ensaiando com a gente desde outubro online, e agora vem se encontrar aqui presencialmente para poder oferecer esse presente. Então, a gente está muito animada, muito feliz”.
Gio Paglia destaca, ainda, os valores do grupo:
“”AgBelas, ela tem esse princípio, né, dessa conexão, dessa intimidade, desse coletivo que pertence, que é unido, que se ajuda, tem a cura como o princípio, né, de movimento, a autocura, o autoconhecimento. E eu vejo AgBelas como esse portal de entrada, né, para as mulheres na música, na percussão, na arte”.
O Agbelas também realiza ações, como oficinas, com aulas gratuitas de confecção de instrumentos, voltadas para mulheres, muitas vezes em comunidades em situação de vulnerabilidade.
Cultura
Futebol, radionovelas e humor fazem parte da história da Nacional
Foi pela voz marcante de Jorge Curi que os ouvintes da Rádio Nacional acompanharam um dos momentos mais emocionantes da história do futebol brasileiro: o gol de um jovem chamado Pelé na final da Copa do Mundo de 1958.

Era o nosso primeiro título mundial.
As transmissões esportivas já faziam parte da programação da Rádio Nacional desde o dia seguinte à inauguração.
Em 13 de setembro de 1936, o locutor Oduvaldo Cozzi narrou o empate entre Flamengo e Fluminense pela final do Torneio Aberto Carioca.
E o futebol foi também uma das formas encontradas pela emissora para levar a cultura do Rio de Janeiro para o restante do país.
Os grandes clubes cariocas ganharam novos torcedores Brasil afora, impulsionados pelas transmissões da Nacional.
É o que explica o radialista Waldir Luiz:
“Foi a responsável pelo crescimento das torcidas no Brasil inteiro de Flamengo, Botafogo, Vasco, Fluminense. Porque foi a primeira rádio para emitir jogo para o Brasil inteiro. Hoje a Rádio Globo transmite, a Tupi transmite, mas a pioneira em transmitir jogos para o Brasil inteiro foi a Rádio Nacional, no tempo do Jorge Curi”, diz.
As radionovelas também conquistaram o público. Em 1941, a Rádio Nacional lançou Em Busca da Felicidade, considerada a primeira radionovela brasileira.
Durante a chamada Era de Ouro do rádio, entre as décadas de 1940 e 1950, era cada vez mais comum reunir a família em torno do aparelho para acompanhar as histórias.
A historiadora Lia Calabre explica essa relação entre o rádio e o cotidiano dos brasileiros:
“São clássicas as fotos e as narrativas dizendo: ‘a família se reúne em torno do rádio para ouvir o noticiário’, ‘a família se reúne em torno do rádio para ouvir as novelas preferidas’. E aí é hora de fazer silêncio. É hora de estar junto e fazer silêncio, porque senão você perde, né? O locutor está lá falando, se você começar a falar junto, você não pode voltar. É ao vivo”, conta.
Na década de 1950, no auge da Rádio Nacional, ao todo mais de 600 profissionais trabalhavam na rádio.
A importância do rádio à dramaturgia era tanta que um dos andares do Edifício A Noite era dedicado às produções.
Trabalhar na Rádio Nacional era motivo de prestígio.
O cantor Roberto Carlos, que chegou a fazer testes para integrar o elenco da emissora, lembra a importância daquele palco:
“Tudo que acontecia de importante no mundo artístico no Brasil, com certeza estava na Rádio Nacional. Era sem dúvida alguma o palco mais importante dos artistas mais importantes daquela época”, explicou.
Mas se as radionovelas faziam o público sonhar, o humor também tinha espaço garantido na programação.
Um dos grandes sucessos foi o PRK-30, criado em 1946.
O programa satirizava atrações de rádio, personalidades da época e até as transmissões esportivas.
Pelo humor, a Rádio Nacional encontrava outra maneira de se aproximar do público.
Em 1951, surgiu mais um fenômeno: Criado por Max Nunes, Balança Mas Não Cai levava para o rádio situações do cotidiano.
Entre os quadros mais conhecidos estava Primo Rico, Primo Pobre, que também trazia críticas e retratos da sociedade brasileira.
Por meio de diferentes formas de contar histórias, a Rádio Nacional entrou na rotina dos brasileiros.
Em cada gol narrado, em cada novela acompanhada em família e em cada personagem que provocava risadas, estava sendo construída uma parte da história da cultura brasileira.
*Com colaboração de Guilherme Strozi e Raquel Júnia, produção de Ligya Maria, supervisão de Bel Pereira e sonoplastia de Jailton Sodré
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