Cultura
Museu paraense abriga uma das maiores coleções de mamíferos do mundo
Cultura
Uma das maiores coleções de mamíferos do mundo está localizada em Belém, no acervo do Museu Emílio Goeldi. O espaço reúne cerca de 47 mil espécimes e é considerado o terceiro maior acervo da América do Sul.

A coleção reúne exemplares coletados ao longo do século XX e reúne espécies ameaçadas de extinção, como explica Marlucia Martins, coordenadora de pesquisa e pós-graduação do Museu Paraense Emílio Goeldi, que também fala dos desafios para manter o acervo:
“Os principais desafios para manter uma coleção do tamanho, do volume, principalmente de mamíferos, hoje, para nós, é espaço mesmo. Nós temos condições de preservação do acervo, nós já temos uma parte do acervo bem acondicionada em armários com proteção de incêndio, mas nós temos algumas dificuldades que ainda são, principalmente, espaço para guardar os mamíferos de grande porte. Então, nós temos já alguns exemplares e temos essa dificuldade de guardar uma baleia, por exemplo. Então, a gente está buscando opções e recursos para melhorar essas adequações. A preservação dessas coleções também exige cuidados constantes. A gente precisa construir uma área específica de dermestário, para que a gente possa trabalhar com maior eficiência a limpeza das peças.”
Pesquisa
A maior parte da coleção vem da Amazônia oriental, além de regiões do Pará e de estados vizinhos como Maranhão, Tocantins e Rondônia. O material funciona como base de pesquisas científicas que ajudam a entender a evolução das espécies, mudanças ambientais e até doenças que circulam entre animais e humanos.
A coordenadora de pesquisa e pós-graduação do Museu Paraense Emílio Goeldi, Marlucia Martins, explica a importância do conhecimento desse material para a sociedade:
“Esse diálogo com a sociedade, no sentido de compreender que esses espécimes que são mantidos e guardados na coleção são uma representatividade pequena do conjunto da diversidade e que esse material precisa, de fato, ser recolhido, mantido, para durar, como já tem durado séculos. Não é um material para dois dias nem para dez anos, é um material para durar por séculos e ajudar a sociedade de ontem, de hoje, de amanhã a compreender a biodiversidade.”
Por reunir itens raros e de grande valor científico, o acesso ao acervo é restrito e ocorre apenas no campus de pesquisa da instituição. Os espécimes são utilizados como referências para estudos e contribuem para a preservação da biodiversidade amazônica.
Cultura
Ator e diretor Antônio Pitanga terá obra celebrada em Salvador
O bom filho a casa torna. Com quase 70 anos de carreira e cerca de 100 filmes no currículo, sendo uma referência do protagonismo negro nas artes do Brasil, o ator e diretor Antônio Pitanga, cria do Pelourinho, terá sua obra celebrada em Salvador. Depois de passar pelo Rio de Janeiro, a mostra Pitanga será aberta nesta sexta-feira (31) na capital baiana.

A maior retrospectiva audiovisual dedicada a Pitanga reúne 29 filmes – entre longas, médias e curtas-metragens –, além de sessões comentadas, debates e cursos. A programação é gratuita e acontecerá no Cine Glauber Rocha, localizado no Centro Histórico, e no Cine Lankiana, que fica na sede do Instituto Audiovisual Mulheres de Odun, no bairro Fazenda Grande 4.
Thiago Ortman, um dos curadores da mostra, destaca que o trabalho de Antônio Pitanga levará o público não só a conhecer a história do artista, mas a ter contato com obras fundamentais para a construção do audiovisual brasileiro, principalmente do movimento do Cinema Novo.
“É uma oportunidade para o público se aproximar do legado de um dos maiores atores do cinema brasileiro. Pitanga é um ícone do Cinema Novo, que tem seu nome atrelado a alguns dos principais realizadores desse movimento. E o mais importante é que Pitanga estava no momento em que o Cinema Novo estava florescendo. Faz o primeiro filme de Glauber Rocha, que é Barravento. Depois, ainda faz de Cacá Diegues, ali num primeiro momento, que é Ganga Zumba e A Grande Cidade.”
O curador também reforça que a filmografia do homenageado consolidou uma imagem atípica da figura do negro no audiovisual.
“Pitanga tem uma história em que seus personagens sempre são muito contundentes, são muito insubmissos, e, de alguma forma, ele cria uma narrativa própria a partir dessas potências. E também a partir da sua força corporal, da sua força de interpretação, que, naquele momento, eu diria que é única, não só no Brasil, mas no mundo inteiro, atrelada a uma importância muito grande como um dos primeiros realizadores, diretores negros do cinema brasileiro.”
Programação paralela
Outro destaque da mostra é a programação paralela, em que haverá dois bate-papos: um deles, “Pitanga e seu legado”, com a presença do homenageado; e o segundo sobre “A escrita com o corpo: Antonio Pitanga e o cinema brasileiro”. No domingo, 2 de agosto, a programação terá uma sessão comentada do filme “Malês”, dirigido por Pitanga, onde ele falará sobre a realização da obra e de sua trajetória profissional, após a exibição do longa. Já durante a próxima semana, a mostra vai oferecer o curso Cinemas Negros: histórias, escritas e percursos”, com Izabel Melo.
Todos os detalhes e horários da mostra Pitanga, que ficará em cartaz até o dia 9 de agosto, estão disponíveis no site do Centro Cultural Banco do Brasil em Salvador. A expectativa da organização é que Brasília seja a próxima cidade a receber o evento.
*Com produção de Luciene Cruz
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