Cultura
Programa Tarde Nacional SP, da Rádio Nacional, vence Prêmio APCA
Cultura
A Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) divulgou os melhores de 2025 em categorias como literatura, teatro, música popular e rádio. O programa Tarde Nacional São Paulo, produção radiofônica da Rádio Nacional, venceu como melhor programa cultural de rádio.

O anúncio dos vencedores do Prêmio APCA foi feito em assembleia no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, na noite desta segunda-feira (26), e a cerimônia com a entrega dos troféus deve ocorrer em maio, no Teatro Sérgio Cardoso, na capital paulista.
Com apresentação de Victor Ribeiro e Guilherme Strozi, o programa Tarde Nacional traz informação, serviços, agenda cultural, entrevistas, além de colunas sobre literatura, cinema e música.
A Diretora de Conteúdo e Programação da EBC, Antônia Pellegrino, destaca a criação recente da programação da emissora na cidade de São Paulo e o primeiro Prêmio APCA conquistado pela Rádio Nacional:
“Muito me orgulha por ter feito esse investimento, por ter acreditado nesses profissionais e pela dedicação, pelo comprometimento com a qualidade que eles colocaram nessa entrega. É esse comprometimento, essa energia, esse amor, que está sendo premiado e reconhecido pela APCA.”
O apresentador e coordenador de Programação da Rádio Nacional São Paulo, Victor Ribeiro, comenta que o prêmio APCA consolida a chegada da Rádio Nacional à capital paulista e destaca o foco local da atração:
“Além das notícias, das informações locais, a gente toca música dos artistas de São Paulo também. Um artista local, independente, que provavelmente não teria lugar em outra emissora. E é muito importante, no ano em que a gente está comemorando os 90 anos da Rádio Nacional, a emissora de São Paulo, uma das mais novas da rede, conseguir um prêmio desse. É uma vitória para a equipe toda.”
O jornalista Guilherme Strozi, que completa a dupla de apresentação do programa, ressalta o caráter atual da atração:
“Sinal de que a Rádio Nacional está vivaça com 90 anos e segue contemporânea, e precisa seguir contemporânea. A gente tem que dialogar com a sociedade, seja no local, seja no nacional, com questões que estão acontecendo nesse momento. O rádio é isso, né? O rádio é ao vivo. E aí você tem que ter as especificidades de cada cidade.”
O programa Tarde Nacional São Paulo estreou em abril de 2024 e é a primeira produção da Rádio Nacional voltada para a programação da maior cidade do hemisfério sul. O gerente executivo de Rádios da EBC, Thiago Regotto, celebra a vitória, no ano em que a Rádio Nacional comemora 90 anos:
“Um programa que é de São Paulo para São Paulo. O trabalho que está sendo desenvolvido pela equipe da Rádio Nacional de São Paulo está sendo reconhecido pelo mercado, pelos ouvintes. É só felicidade a gente receber esse Prêmio APCA.”
O programa Tarde Nacional São Paulo vai ao ar de segunda a sexta, das 15h às 17h, na frequência 87,1. Também pode ser ouvido pelo aplicativo Rádios EBC ou pelo site da Rádio Nacional, em radios.ebc.com.br.
Cultura
Tom Zé: o descobridor de sons completa 90 anos criando e compondo
A curiosidade parece guiar Tom Zé pelo mundo: da leitura de Os Sertões, de Euclides da Cunha, na adolescência, ao ofício de jardineiro no prédio onde mora em São Paulo, o baiano mais paulistano que existe tem um talento nato para transformar o cotidiano em música, como em “Aviso aos Passageiros”. A letra da canção reproduz a mensagem de segurança dos elevadores: “antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar.”

Celebrado na exposição gratuita “Tom Zé – 90 anos do Inquieto Jardineiro de Sons”, na Caixa Cultural em São Paulo, até o dia 13 de dezembro, o músico comenta o segredo para seguir compondo, criando e fazendo shows aos 90 anos.
“O seguinte: de manhã, se eu não fizer as coisas orientais que eu aprendi aqui em São Paulo e que prolongam a vida, a ginástica para o estômago, para cabeça, para intestino, para vista, para ouvido… Eu de manhã faço práticas que têm a ver com todos os funcionamentos humanos. E enquanto eu fizer isso, eu vou tá vivo aí, se Deus quiser”.
Tropicalismo
Nascido em 11 de outubro de 1936 em Irará, no sertão da Bahia, Antônio José Santana Martins passou em primeiro lugar no vestibular da Escola de Música em Salvador. Foi na capital baiana que conheceu Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Gal Costa. Se juntou aos tropicalistas em São Paulo e participou do disco “Tropicália ou Panis et Circencis” de 68, mesmo ano em que lançou o disco de estreia “Grande Liquidação”, e venceu o 4º Festival de Música Popular Brasileira com a canção“São, São Paulo”.
A cidade de São Paulo se tornou tema recorrente em composições como “Augusta, Angélica e Consolação” e “A Briga do Edifício Itália com o Hilton Hotel”. O trabalho do músico é marcado pela experimentação, do som feito numa enceradeira quebrada ao “buzinório” – instrumento que conecta várias buzinas e que pode ser visto pelo público na exposição. A curadora da mostra, Neuseli Martins, fala sobre a figura inspiradora de Tom Zé.
“Eu acho que assim ele inspira pessoas dos 10 aos 100 né? E vendo ele em atividade criando gravando principalmente dialogando com várias gerações eu acho isso uma característica muito incrível dele. Ele é uma pessoa que tá sempre buscando descobrir alguma coisa nova ou ver as coisas de uma forma diferente né?”
Experimental demais
Em meados dos anos 70, o músico se enveredou por mais experimentações, desconstruindo canções criadas a partir de fragmentos musicais. Visto como experimental demais, Tom Zé foi esquecido pela mídia até os anos 80. Foi redescoberto quando seu disco “Estudando o Samba” foi parar nas mãos do músico David Byrne, ex-líder da banda Talking Heads, que lançou a obra do brasileiro no exterior. Com isso, voltaram as turnês e gravações nos anos 90. Jarbas Mariz, músico que gravou e tocou com Tom Zé por 32 anos, comenta o que aprendeu com ele.
“Por exemplo, dinâmica na música, né? Aquela coisa de de tan dan dan dan, tan dan dan dan, e vai lá pra baixo, vai lá na coisa da dinâmica na música popular. […] Pegar qualquer instrumento, você transformar aquilo ali em som e colocar na sua música, também aprendi isso com ele também. E aquele bandolim maluco que eu tocava com ele, que é um que é um bandolim percussivo, que foi ele que introduziu na minha cabeça”.
O último álbum de estúdio, “Língua Brasileira”, é de 2022. Neste 9 de outubro, foi lançado o álbum ao vivo de um show gravado no Sesc há 30 anos. Em agosto, saiu a música inédita “Futuro Fruto”, uma parceria com Marcelo Segreto e Loretta, músicos de diferentes gerações, provando que Tom Zé ainda tem muito o que inventar na música brasileira.
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