Cultura
Revista Brasil, apresentado por Valter Lima, completa 40 anos
Cultura
Para o programa entrar no ar às oito horas da manhã, o som da máquina de escrever rompia com o silêncio do início do dia. O programa Revista Brasil completa, nesta quinta-feira (6), 40 anos de informações de forma dinâmica interligando todo o País. 

A voz que ficou mais conhecida é a de Valter Lima, que assumiu o microfone do programa desde o início, em 1986. Ele se diz orgulhoso de fazer parte de um capítulo importante da comunicação pública. Um programa que propunha duas horas ininterruptas com informação em profundidade e transmitida de forma dinâmica.
Valter Lima foi contratado para ajudar na formulação de um projeto inovador. O programa não era transmitido apenas de Brasília, mas também do Rio de Janeiro e até do Amazonas.
“Daí nasceu realmente a proposta. De aprofundar muito na questão política, na questão econômica, questões sociais, questões internacionais, questões humanísticas. Essa realmente foi a pegada do Revista, uma coisa bem diferente, ou seja, colocar o nacional para o Brasil. E comisso o programa foi projetado para entrar no ar às 8h e ficar no ar até as 10h com o nome Revista Nacional. Ele durou de 1986 até 1998. Em 1998, a direção achou por bem tirar o Nacional e colocar Brasil e assim foi feito e continuamos assim até hoje”.
Segundo explica Valter Lima, um dos primeiros grandes desafios do programa foi traduzir ao público as discussões dos parlamentares para a formulação da Constituição de 1988. Outro desafio foi a cobertura da primeira epidemia do cólera no país, no ano de 1991. A equipe se deslocou para diferentes pontos da Amazônia para registrar o problema. No ano seguinte, ele considerou também histórica a cobertura da “Eco 92”, Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente realizada no Rio de Janeiro de 3 a 14 de junho daquele ano.
“Um outro ponto: o Papa João Paulo II, na segunda vez que veio ao Brasil, foi na década de 90. Tinha o avião do Papa e um segundo avião que eram os jornalistas. O próprio Palácio do Planalto contratou essa esse avião. E nesse avião, a Revista estava dentro, fazendo parte da equipe de jornalistas do Brasil todo. Então, nós também acompanhamos o Papa durante as viagens que ele fez aqui também pelo Brasil. E acompanhamos ele até o final, quando ele embarcou de volta para a Itália, lá em Salvador.”
A chacina da Candelária, em julho de 1993, quando oito crianças e adolescentes foram mortos em frente àquela igreja no centro do Rio, também sensibilizou o já experiente jornalista.
O repórter Aécio Amado, que se aposentou recentemente, trabalhou no primeiro dia do programa. Ele fica feliz de ter feito parte dessa história.
“E me lembro, assim, de muita gente participando. Era uma participação muito intensa. Entrava do Palácio do Planalto, entrava dos Ministérios, do Supremo. Era uma movimentação intensa do Revista Brasil. Grandes coberturas que o Revista Brasil fez. Uma das coberturas que eu tive uma participação muito intensa, foi no Rio de Janeiro, foi o incêndio do Edifício Andorinha e também o naufrágio do Bateau Mouche, que eu morava perto ali do do Salva-Mar. Quando eu vi aquilo, me mandei para lá. Tinha que ser telefone o telefone de ficha, e ficava dando flash”.
Além das pessoas no microfone, quem trabalha nos bastidores lembra que as cartas chegavam até perfumadas. Fátima Araújo chegou à empresa em 1977.
“Muitas, muitas cartas, a gente selecionava. Tinha carta que eles mandavam assim para agradecer pelo carinho que a gente tinha com eles também. Mandavam talco dentro das cartas. Chegava carta cheirosa. Vinha dinheiro dentro das cartas, vinha até uns pozinhos – diziam até que era ouro da Amazônia. Chegou até uma vez um caminhão porque eles fizeram um concurso – a cidade que que mandasse o maior número de cartas – faziam concurso para premiar. Um dia chegou foi um caminhão, um caminhão cheio de cartas.”
Hoje, as mensagens dos ouvintes chegam de forma eletrônica. Mas a correria não mudou em nada. O programa vai ao ar diariamente das 10h ao meio dia.
Cultura
No ano em que faria 60, Chico Science ganha megamural no Recife
No ano em que celebraria 60 anos de vida, o cantor e compositor pernambucano Chico Science ganha nesta terça-feira (22) mais duas homenagens festejando sua vida, obra e legado à frente do movimento Manguebeat. O músico, que faleceu em um acidente de automóvel em 1997, será homenageado com a instalação de um megamural e também com um passeio turístico temático no Recife.

Nesta terça-feira, será realizado o roteiro turístico intitulado “Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar”, que propõe uma imersão na vida e na obra de Chico Science e nas conexões do Manguebeat com a história cultural da capital pernambucana. A iniciativa da Prefeitura faz parte do projeto “Olha! Recife”, criado para apresentar a trajetória do artista e a relação com espaços emblemáticos da cidade que marcaram a história do movimento Manguebeat, como destaca Bráulio Moura, gerente de Inovação Turística da Prefeitura.
“No roteiro, os participantes irão passar por lugares como a Praça do Marco Zero, a estátua de Chico Science na Rua da Moeda, o Mercado de São José e o Pátio de São Pedro, lugares icônicos da cultura afro-pernambucana e do Manguebeat. A participação é gratuita e não precisa de inscrição”.
O passeio começa às 10h, com saída da Praça do Arsenal, e inclui ainda o Memorial Chico Science, onde são abordados os movimentos culturais realizados no espaço. Enquanto no Mercado de São José, o destaque é a tradição dos instrumentos utilizados no maracatu. De acordo com a demanda, haverá outras edições.
Já o megamural será instalado na fachada do Motto by Hilton, na Rua da Guia, no Bairro do Recife, com previsão de entrega ainda para este segundo semestre, e faz parte de um projeto que celebra a cultura musical pernambucana, como explica Ed Ruas, secretário do Gabinete de Inovação Urbana do Recife.
“Nós temos um projeto aqui no Recife de megamurais. O edital, aprovado lá atrás, em 2022, tinha como tema central ‘Recife Cidade da Música’. Tivemos homenagens a alguns personagens, como Naná [Vasconcelos], Reginaldo Rossi, também à música do maracatu, à ciranda. E, nesse momento, calhou do artista Arem executar dentro do Recife Antigo o rosto de Chico Science, um artista extremamente importante, não só para Pernambuco, mas para todo o país.
A obra, que terá à frente o artista visual Arem, partirá do registro fotográfico de Chico feito pelo jornalista e fotógrafo documentarista recifense Fred Jordão. O pontapé inicial nos trabalhos acontece na noite desta terça.
* Com produção de Luciene Cruz e sonoplastia de Jailton Sodré.
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