A Polícia Civil, em ação integrada com a Polícia Militar, prendeu em flagrante, nesse domingo (15.2), dois homens, de 33 e 45 anos, suspeitos de envolvimento em furtos de módulos de caminhão na região do Vale do Araguaia ocorridos no final da última semana. A dupla integra associação criminosa especializada nesse tipo de delito, com atuação nos estados de Mato Grosso, Goiás e São Paulo.
A ação contou com a atuação conjunta das Delegacias de Polícia Civil de Canarana, Querência e Ribeirão Cascalheira, e da Polícia Militar de Mato Grosso, por meio da Agência Regional de Inteligência do 13° Comando Regional e do Núcleo de Bom Jesus do Araguaia.
Crimes no Vale do Araguaia
O primeiro furto em Mato Grosso ocorreu na madrugada de quinta-feira (13), no bairro Jardim Tropical, em Canarana. Um homem, de 51 anos, teve o módulo principal de seu caminhão Scania G470 A6X4 furtado.
O segundo e terceiro furtos foram no início da madrugada de sexta-feira (14), por volta de 00h30, também no Bairro Jardim Tropical, em Canarana. Segundo relato das vítimas, dois homens de 34 e 37 anos, os módulos de seus caminhões, que estavam estacionados em frente a uma borracharia, foram furtados por três homens em um VW Gol prata. O grupo foi flagrado por câmeras de segurança.
O quarto furto ocorreu por volta das 03 horas da mesma madrugada, mas já em Querência. Uma mulher, de 46 anos, teve o módulo de seu caminhão Mercedez Benz Ateco furtado, o chicote do módulo danificado e a mangueira de combustível cortada.
O quinto furto também ocorreu em Querência, na mesma madrugada. A vítima, um homem de 44 anos, teve o módulo furtado e a fiação que o ligava ao sistema do caminhão, um Scania 124/420, cortada, com prejuízo estimado em R$ 12 mil.
Segundo os delegados Diogo Jobane e Carlos Alberto Silva, que participaram das diligências com as equipes das delegacias envolvidas, o prejuízo estimado com os cinco furtos é de R$ 70 mil.
Investigação
Após receber as denúncias, as Delegacias de Canarana, Querência e Ribeirão Cascalheira deram início às investigações dos casos. As equipes identificaram que os crimes haviam sido realizados pelo mesmo grupo, especializado no furto de módulos eletrônicos de caminhões, peças de alto valor comercial e fundamentais para o funcionamento dos veículos.
Por meio de troca de informações, análise de câmeras de segurança e investigações, os policiais identificaram e monitoraram os suspeitos, descobrindo que, nesse sábado (14.02), a associação criminosa havia seguido para Bom Jesus do Araguaia, com o intuito de praticar novos furtos de módulos de caminhão. Diante disso, todas as forças de segurança foram mobilizadas para o local.
Após diligências realizadas na região, nesse domingo (15), as forças de segurança encontraram o carro monitorado, o qual estava ocupado por três homens. As equipes realizaram a abordagem e um dos suspeitos fugiu correndo. Os outros dois, de 33 e 45 anos, foram presos e encaminhados para a Delegacia de Ribeirão Cascalheira.
No veículo, foram encontradas ferramentas especializadas para remoção de módulos eletrônicos (chaves de fenda e de torque, alicates e marreta) acondicionadas em bolsa preta, além de roupas, calçados e chapéu de palha, que coincidem exatamente com as vestimentas utilizadas pelos suspeitos nos dias dos crimes, conforme identificado nas imagens de videomonitoramento de Canarana.
O terceiro suspeito foi procurado, mas segue foragido. As investigações continuam para localizá-lo, identificar possíveis outros envolvidos e recuperar os módulos furtados.
Associação criminosa Interestadual
As apurações apontaram que os furtos ocorridos na região do Vale do Araguaia não foram fatos isolados, mas sim que o grupo pertence a uma associação criminosa permanente e profissionalizada, formada com o fim específico de cometer furtos de módulos de caminhões, com atuação documentada nos estados de Mato Grosso, Goiás e São Paulo.
O investigado de 45 anos é criminoso patrimonial reincidente, inclusive está cumprindo pena de aproximadamente 20 anos por diversos crimes patrimoniais em regime aberto.
Enquanto o investigado de 33 anos possui numerosos antecedentes criminais especificamente pela prática de furtos e roubos de peças, módulos e componentes de veículos pesados em São Paulo e Goiás, integrando associação criminosa de âmbito interestadual já identificada e denunciada por este fim.
Conforme denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado de Goiás, o investigado de 33 anos integra organização criminosa que, entre agosto de 2020 e fevereiro de 2024, reuniu outros 15 criminosos identificados que, agindo de forma coordenada e permanente, praticaram mais de 40 ocorrências de furtos e roubos de módulos de caminhão somente na cidade de Rio Verde (GO), causando prejuízo total superior a R$ 1 milhão.
Entre os crimes atribuídos ao grupo constam furtos qualificados que causaram prejuízos superiores a R$ 1 milhão, roubo qualificado com restrição de liberdade (vítimas mantidas em cativeiro durante a subtração de módulos e peças), e tentativa de latrocínio contra um proprietário de veículo pesado, que foi baleado no abdômen e só não veio a óbito em razão de pronto atendimento médico.
Diante da gravidade dos fatos, da especialização criminosa demonstrada pelos extensos antecedentes dos investigados, do vínculo com associação criminosa de atuação interestadual, da reincidência específica em crimes idênticos, da quantidade de delitos praticados em curto espaço de tempo (cinco furtos em menos de 48 horas), do prejuízo causado às vítimas (R$ 70 mil) e da existência de terceiro comparsa foragido, o delegado Carlos Alberto Silva representou pela conversão da prisão em flagrante da dupla para preventiva, considerando o elevado risco de reiteração delitiva, que foi integralmente acolhida pela Justiça.
Os três senadores de Mato Grosso, Carlos Fávaro (PSD), Jayme Campos (União) e Wellington Fagundes (PL), votaram favoráveis à PEC que coloca fim à Escala 6 x 1 de trabalho. A proposta foi aprovada por 75 votos a 1 na noite desta quarta-feira (14) no Senado.
Sem conquistar a reeleição ao Senado no pleito deste ano, Carlos Fávaro declarou que só por votar essa proposta valeu a pena ter sido senador. “É mais dignidade para todos os trabalhadores e trabalhadoras do nosso Brasil”, afirmou nas redes sociais.
Jayme Campos, que não disputou nenhum cargo e encerra o mandato no fim de janeiro, afirmou que a aprovação da PEC garante “dignidade, qualidade de vida e descanso” aos trabalhadores brasileiros. “Como senador de Mato Grosso, fiz questão de estar ao lado dos trabalhadores nessa decisão. Seguimos avançando para transformar essa conquista em realidade”, assinalou.
Líder do bloco Moderador no Senado, o senador Wellington Fagundes havia defendido a liberação da bancada a se posicionar sobre aa proposta. A matéria era considerada polêmica por ser votada às vésperas do 2º turno e colocava em xeque senadores aliados de Flávio Bolsonaro (PL).
“O posicionamento de Rogério Marinho [coordenador da campanha de Flávio] é pela abstenção, mas a maioria da bancada avalia que os senadores devem se posicionar”, declarou Fagundes, antes da votação, ao Jornal O Globo.
A PEC
A PEC do fim da jornada 6×1 altera a Constituição para diminuir as horas de trabalho semanais de 44 para 40 horas. Também estabelece que é necessário garantir dois dias de folga remunerada, um deles preferencialmente aos domingos.
A grande mudança é garantir que os trabalhadores tenham dois dias de descanso semanal sem a possibilidade de redução salarial. Um desses dias deve ser preferencialmente o domingo.
A oposição ao governo Lula tentou alterar a PEC do fim da 6×1 para retirar redução de jornada proporcional para trabalhadores que hoje já trabalham menos de 40 horas por leis específicas. A emenda, no entanto, foi retirada após acordo.
Período de transição
Para que os trabalhadores brasileiros cheguem às 40 horas semanais com dois dias livres, haverá um período de transição.
Se aprovada em segundo turno, a PEC ainda precisa ser promulgada para entrar em vigor. Depois disso, segue o seguinte calendário:
– em dois meses, redução da jornada semanal para 42 horas, com dois dias de repouso semanal remunerado;
– em um ano após esses dois meses, redução da jornada semanal para 40 horas.
A mudança não será aplicada para trabalhadores com ensino superior que ganhem por mês mais de 2,5 vezes o teto do INSS, ou seja, quem ganhe mais de R$ 21.188 por mês.
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