Opinião
Hipertensão 2025: o que realmente muda no seu dia a dia
Opinião
A nova diretriz brasileira deixa um recado direto: medir melhor, tratar mais cedo quando necessário e simplificar o tratamento para durar. Traduzindo para a vida real, isso significa: menos improviso e mais rotina bem estruturada.
1) Medir certo é metade do tratamento:
• Esfigmo em casa ajuda, mas não fecha diagnóstico sozinho. A diretriz recomenda usar a AMPA (medições em casa) como triagem e confirmar com MAPA (24h) ou MRPA (protocolo residencial validado). Assim, evitamos dois erros comuns: achar que tem pressão alta por “nervosismo no consultório” (hipertensão do avental branco) ou o contrário, estar “normal na consulta” e alto no dia a dia (mascarada).
• Dica prática (ROTINA): defina dias e horários fixos para medir, sentado(a), com manguito do tamanho correto, 5 minutos de repouso e registros semanais para seu médico.
2) Quando começar remédio? Sem suspense
• Mudança que importa para o leigo: medidas de estilo de vida entram para todos já com PA ≥ 120/80. Se a PA ≥ 140/90, o remédio começa no diagnóstico (nada de “empurrar com a barriga”). Em quem tem 130–139/80–89 e alto risco cardiovascular, inicia-se remédio se após 3 meses de medidas de estilo de vida a pressão não estiver controlada.
• Dica prática (ROTINA): combine o plano: alimentação, sono, movimento + (se indicado) remédio. Não é ou/ou; é e/e.
3) “Remédio certo” hoje é remédio simples
• A diretriz valoriza combinações de baixa dose (até “ultrabaixa”) porque baixam melhor a pressão e dão menos efeitos colaterais do que aumentar uma única droga. Isso reduz “vai e volta” por tontura ou edema e melhora adesão.
• O que vem aí (resistente): surgem novas classes em estudo para quem tem pressão difícil (resistente/refratária). Não é para todos, mas abre caminho para casos complexos.
• Dica prática (ROTINA): peça ao seu médico menor número de comprimidos (preferir pílulas-únicas combinadas). Adesão sobe quando a rotina é simples.
4) “Estilo de vida” com números na mesa (o que de fato derruba a pressão)
A diretriz quantifica o ganho médio — isso ajuda a enxergar que pequenas mudanças somam:
• Perder peso: ~1 mmHg na sistólica por cada 1 kg perdido.
• Dieta tipo DASH: até -8,7/4,5 mmHg (sistólica/diastólica).
• Mais potássio na comida (frutas/verduras): -4,8/3,0 mmHg.
• Menos sal: reduzir ~1,15 g de sódio/dia → -2,8/1,4 mmHg; meta: até 2 g de sódio/dia (≈ 5 g de sal de cozinha).
• Tabaco: parar é obrigatório para o coração (reduzir não basta).
• Dica prática (ROTINA): faça um “audit do sal” da semana, monte lista de compras padrão DASH, fruteira visível em casa e horário fixo para caminhada/treino.
5) Olhar além do número: proteger órgão-alvo
No diagnóstico (e ao longo do acompanhamento) é importante checar coração, rins e vasos (ECG/eco, função renal e albuminúria). Isso muda meta e estratégia e deve ser reavaliado com mais frequência quando a pressão não está controlada.
• Dica prática (ROTINA): leve seus exames organizados e mantenha um histórico anual de resultados.
6) Idosos: atenção à tontura e queda da pressão ao levantar
Em pessoas idosas, é comum a hipotensão ortostática (cair a pressão ao levantar) e pós-prandial (após refeições). Monitorar com MAPA ajuda a ajustar remédios e evitar quedas. Medidas simples (hidratar, levantar devagar, elevar cabeceira, meias elásticas) fazem diferença.
• Dica prática (ROTINA): alinhe com a família o ritual de levantar e hidratação programada.
O que não fazer (pontos críticos)
• Não se basear em medição de farmácia isolada para decidir dose. Confirme com protocolo (MRPA/MAPA).
• Não “guardar” sal para o fim de semana: o corpo soma a semana inteira.
• Não ajustar remédio sem falar com o médico. Doses erradas pioram tontura/queda e atrapalham a adesão — existem esquemas melhores e mais simples.
Mensagem final:
Controlar a pressão não é um evento, é uma rotina bem desenhada. A diretriz 2025 reforça que medição de qualidade + início oportuno de tratamento + combinações simples + estilo de vida com números é o caminho mais curto entre você e uma vida longa com qualidade.
Dr. Max Wagner de Lima Cardiologista – CRM 6194 | RQE 2308 Fundador do Método ROTINA e Cofundador da Clínica Luminae – Excelência em Saúde
Opinião
O empresário vai pagar a conta? Os desafios econômicos após as eleições
O resultado das eleições de 2026 abrirá uma nova etapa para a economia brasileira. A partir de 2027, as decisões do governo eleito, a atuação do Congresso Nacional e as condições do cenário internacional poderão influenciar os juros, a inflação, o crédito e o ambiente de negócios.
Para o empresário, compreender esses movimentos é essencial. As decisões econômicas podem repercutir no custo de financiamento, nas margens operacionais, na demanda e na capacidade de cumprir obrigações financeiras.
A trajetória das contas públicas influencia as expectativas de investidores e a percepção de risco do país. O crescimento da dívida e a credibilidade das medidas fiscais podem pressionar os juros de longo prazo e afetar as condições de financiamento das empresas. Esses efeitos, contudo, dependem de fatores como a política monetária, o cenário internacional e a confiança dos agentes econômicos.
Quando o crédito fica mais caro ou restrito, empresas que dependem de capital de giro ou de financiamento para investir podem enfrentar maior pressão sobre o caixa. A inflação também merece atenção, pois o aumento dos custos operacionais nem sempre pode ser repassado integralmente aos clientes.
Os impactos podem variar conforme a atividade econômica. No agronegócio, o intervalo entre os investimentos na produção e a comercialização pode gerar descompassos entre receitas e vencimentos. Oscilações nos preços dos insumos, nas commodities e nas condições de crédito podem comprometer o planejamento financeiro.
Na indústria, o custo das matérias-primas e o financiamento da produção afetam as margens. No comércio e nos serviços, a redução da demanda, o aumento das despesas e os atrasos nos recebimentos podem comprometer a liquidez.
É nesse contexto que surge a pergunta central: o empresário vai pagar a conta? Embora não seja possível antecipar os efeitos das decisões do próximo governo, os custos de eventuais desequilíbrios econômicos podem chegar ao setor produtivo por meio do crédito, dos preços e da redução das margens. A intensidade desse impacto dependerá da exposição de cada empresa e de sua capacidade de absorver mudanças no cenário econômico.
Por isso, o planejamento precisa considerar diferentes cenários, incluindo a capacidade de pagamento, o perfil das dívidas e a necessidade de capital de giro.
O endividamento, por si só, não representa um problema. O risco surge quando o custo, o volume ou o prazo das obrigações deixa de ser compatível com a geração de caixa. Nessa situação, a empresa pode comprometer pagamentos essenciais e depender de novos empréstimos para honrar dívidas anteriores.
Identificar esses sinais permite avaliar alternativas antes que as dificuldades se agravem. A Recuperação Judicial, prevista na Lei nº 11.101/2005 e suas alterações, pode viabilizar a reorganização de empresas que atendam aos requisitos legais. Sua adequação depende da situação financeira, da composição do passivo e da viabilidade da atividade. A renegociação extrajudicial também pode ser considerada, conforme as circunstâncias.
O conhecimento em Direito Empresarial, com destaque para Recuperação Judicial, reestruturação de empresas e questões relacionadas ao agronegócio já demonstrou a necessidadede uma estratégia adequada. A análise jurídica permite examinar obrigações, garantias e alternativas de reorganização de acordo com a realidade de cada negócio.
Os efeitos do período pós-eleitoral dependerão das decisões implementadas e das condições econômicas. Para o empresário, acompanhar esse cenário é importante, mas conhecer a própria exposição financeira e avaliar os riscos com antecedência pode ser determinante para preservar a atividade e orientar decisões em momentos de incerteza.
*MARCO AURÉLIO MESTRE MEDEIROS é advogado, especialista em recuperação judicial de empresas, sócio-fundador do Mestre Medeiros Advogados Associados, com atuação nacional, secretário-geral da Comissão Especial de Falências e Recuperação Judicial do Conselho Federal da OAB e Diretor Administrativo do Instituto Brasileiro de Insolvência – IBAJUD. Membro da Comissão Estadual de Falência e Recuperação de Empresa da OAB-MT e da Comissão de Falência e Recuperação Judicial da OAB-MS
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