Opinião
Operação mira deputado Elizeu Nascimento e vereador Cezinha Nascimento por suspeita de desvio de emendas em MT
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O deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo) e o vereador por Cuiabá Cezinha Nascimento (União), que são irmãos, foram alvos de uma operação deflagrada nesta quinta-feira (30), sob suspeita de desvio de emendas parlamentares.
A ação de busca e apreensão é conduzida pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso, por meio do Núcleo de Ações de Competências Originárias (Naco). Além dos parlamentares, também foram cumpridas medidas contra servidores públicos e outros investigados, por determinação da desembargadora Juanita Cruz da Silva Clait Duarte.
De acordo com as investigações, emendas destinadas ao Instituto Social Mato-Grossense (ISMAT) e ao Instituto Brasil Central (Ibrace) teriam sido desviadas. O esquema, segundo o MP, funcionaria com o repasse dos recursos para a empresa Sem Limite Esporte e Evento LTDA, que posteriormente devolveria parte dos valores aos parlamentares responsáveis pelas indicações.
Em nota, o deputado Elizeu Nascimento informou que acompanha o caso e que sua defesa ainda não teve acesso aos autos, que tramitam sob sigilo. Ele afirmou ainda que recebeu os agentes em sua residência e colaborou com as diligências. Até o momento, a defesa do vereador não foi localizada.
O caso se soma a outras investigações recentes envolvendo emendas parlamentares em Cuiabá. Em janeiro deste ano, o vereador Chico 2000 foi afastado do cargo após apuração apontar o repasse de mais de R$ 3 milhões ao Ibrace entre 2023 e 2025. Segundo a Polícia Civil, parte do recurso, que seria destinada à realização de corridas de rua, teria sido desviada para outras finalidades, incluindo a reforma de um imóvel.
Essa apuração integrou a Operação Gorjeta, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos envolvendo a Câmara Municipal de Cuiabá e a Secretaria Municipal de Esportes.
Opinião
O Brasil precisa ser maior que suas diferenças políticas
O resultado das eleições presidenciais de 2026 vai muito além da escolha de quem ocupará o Palácio do Planalto pelos próximos quatro anos. Ele nos convida a refletir sobre o Brasil que estamos construindo e, principalmente, sobre a forma como temos lidado com nossas diferenças.
Mais uma vez, o processo eleitoral evidenciou divergências políticas e ideológicas que atravessam famílias, amizades e relações sociais. O que deveria ser uma expressão legítima da democracia, muitas vezes, transforma-se em motivo de conflitos, julgamentos e intolerância.
É preocupante perceber como o posicionamento político passou a ser utilizado, em determinadas situações, como medida para avaliar o caráter, a inteligência e até a dignidade das pessoas.
Mas desde quando pensar diferente significa ser inimigo?
A democracia existe justamente porque somos diferentes. Porque temos histórias, experiências, necessidades e visões distintas sobre o futuro do país. E nenhuma dessas diferenças deveria nos impedir de reconhecer a humanidade do outro.
O resultado das urnas define vencedores e derrotados em uma disputa eleitoral, mas não deveria dividir uma nação entre pessoas que merecem ou não respeito.
Independentemente das preferências políticas, continuamos sendo brasileiros que compartilham os mesmos desafios. A mãe que espera atendimento na saúde pública, o trabalhador que busca melhores condições de vida, o jovem que sonha com oportunidades e a família que luta diariamente para colocar comida na mesa não deveriam ser separados por escolhas partidárias.
Os problemas reais da população não desaparecem com o encerramento de uma eleição.
Por isso, o momento exige maturidade não apenas dos representantes eleitos, mas também de toda a sociedade.
Aos vencedores, cabe compreender que governar significa representar uma nação inteira, inclusive aqueles que não lhes confiaram o voto. Aos derrotados, permanece o direito legítimo de discordar, fiscalizar e exercer oposição, sempre dentro dos princípios democráticos.
Respeitar o resultado das urnas não significa abandonar convicções. Da mesma forma, defender uma opinião não exige desqualificar quem pensa diferente.
Precisamos recuperar algo que parece estar se perdendo em meio aos embates políticos: a capacidade de ouvir.
Ouvir sem atacar. Discordar sem ofender. Dialogar sem transformar cada conversa em uma disputa que precisa ter um vencedor.
Talvez a maior reconstrução de que o Brasil necessita não seja apenas econômica, política ou institucional, mas também humana.
Precisamos reconstruir a civilidade, fortalecer a empatia e compreender que nenhuma preferência partidária pode ser maior que o respeito ao próximo.
As eleições passam. Os governos mudam. Os mandatos terminam. Mas as relações humanas e os valores que sustentam uma sociedade precisam permanecer.
Que o resultado destas eleições não seja apenas mais um capítulo da polarização brasileira, mas uma oportunidade para refletirmos sobre o país que desejamos deixar às próximas gerações.
Porque pensar diferente é um direito. Respeitar as diferenças é um dever de convivência.
O Brasil não precisa de uma sociedade em que todos pensem igual. Precisa de cidadãos capazes de conviver, mesmo quando discordam.
Afinal, antes de sermos eleitores de qualquer candidato, somos seres humanos. E nenhuma disputa política deveria ser maior que a nossa humanidade.
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