Polícia
Recupera MT é elogiada por participantes e fortalece integração no sistema de Justiça
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O corregedor-geral da Justiça de Mato Grosso, desembargador José Luiz Leite Lindote, encerrou a Conferência Recupera MT destacando a importância da união entre os órgãos do sistema de Justiça para enfraquecer o crime organizado. “O resultado desses dois dias de debates mostra o quanto avançamos quando há cooperação e diálogo. O fortalecimento institucional é o caminho para garantir a efetiva recuperação de bens obtidos de forma ilícita e devolver à sociedade o que é dela por direito”, afirmou.
O evento, realizado no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, reuniu por dois dias servidores, magistrados, membros do Ministério Público e da Polícia Judiciária Civil. A Conferência foi organizada pelo Poder Judiciário, por meio da Corregedoria-Geral da Justiça e da Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT), em parceria com o Ministério Público do Estado e a Polícia Judiciária Civil. A coordenação ficou a cargo do juiz auxiliar da CGJ-MT, João Portela.
Durante o encerramento, o juiz da 5ª Vara Criminal de Sinop, Anderson Clayton Dias Batista, avaliou o evento como “excelente”. Segundo ele, a troca de experiências entre instituições e estados foi enriquecedora. “Saio daqui com novas ideias, inclusive já consultei a Corregedoria se posso aplicar algumas delas e já recebi um sinal verde nesse sentido. Novas ideias surgiram e continuarão surgindo nessa perspectiva do Recupera”, disse.
O delegado coordenador de Enfrentamento ao Crime Organizado da Polícia Judiciária Civil, Rafael Scatolon, ressaltou que a maior contribuição da Conferência foi aproximar as instituições. “O Ministério Público, a Polícia Civil e o Poder Judiciário estão imbuídos no mesmo propósito: descapitalizar o crime organizado. Identificar, apreender e destinar bens obtidos de forma ilícita é essencial para que esses valores retornem à sociedade por meio de investimentos em segurança pública e tecnologia”, afirmou.
A subprocuradora de Justiça de Planejamento e Gestão do MPE-MT, Anne Karine Louzich Hugueney Wiegert, destacou que o Recupera MT se consolida como um marco de integração. “O evento se mostrou uma estratégia importantíssima de fortalecimento do sistema de Justiça. É um ambiente de troca de experiências e de construção conjunta de soluções para os desafios da investigação patrimonial e financeira. Esses dois dias valeram muito a pena. É o início de uma grande jornada para o enfrentamento à macrocriminalidade”, declarou.
Fechamento – Durante o encerramento da conferência, o delegado Luiz Henrique Damasceno, coordenador da Coordenadoria de Informações Financeiras e de Recuperação de Ativos (Cifra) da PJC, apresentou a estrutura e o plano de ação da unidade. A Cifra centraliza informações sobre bens apreendidos, simplifica o relacionamento interinstitucional e permite o acompanhamento técnico das medidas patrimoniais em curso no Estado. O delegado explicou que a iniciativa nasceu a partir das recomendações do Ministério da Justiça e representa um avanço na articulação entre as instituições do sistema de Justiça e na execução da Resolução Conjunta TJMT-MPMT-PJC, que estabelece diretrizes para destinação de bens apreendidos e será enviada ao Ministério da Justiça.
A subprocuradora de Justiça de Planejamento e Gestão do Ministério Público de Mato Grosso, Anne Karine Louzich Hugueney Wiegert, também foi uma das palestrantes da Conferência e apresentou o tema “Recuperação de Ativos como Ferramenta de Enfrentamento ao Crime Organizado”, com foco nos desafios da investigação patrimonial e na importância da articulação institucional entre os órgãos do sistema de Justiça.
Painéis abordam boas práticas e experiências nacionais – A programação da Conferência contou com painéis sobre resultados, boas práticas e estratégias nacionais de recuperação de ativos. Foram oito ao todo, que contaram com especialistas que compartilharam experiências sobre a aplicação de medidas patrimoniais e gestão de bens apreendidos.
O governador Mauro Mendes participou da abertura do evento e assinou a Resolução Conjunta nº 01/2025, que será enviada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A programação incluiu oito painéis sobre temas relacionados à recuperação de ativos e ao enfrentamento do crime organizado, como alienação antecipada, confisco alargado, apreensão de criptomoedas, execução de leilões e boas práticas em investigações patrimoniais. Também foram apresentadas experiências desenvolvidas por tribunais, ministérios públicos e forças policiais que integram a Rede Nacional de Recuperação de Ativos, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Ao encerrar a Conferência, o desembargador José Luiz Leite Lindote agradeceu aos participantes, palestrantes e equipes que contribuíram para a realização do evento. “A Corregedoria, em nome do Poder Judiciário de Mato Grosso, agradece a todos que colaboraram para a realização desta Conferência e reconhece o esforço das equipes envolvidas na organização e condução dos trabalhos. Que esse movimento de integração continue e se fortaleça, para que possamos avançar cada vez mais na recuperação de ativos e no combate ao crime organizado”, concluiu.
Fonte: Policia Civil MT – MT
Polícia
Operação derruba esquema que suava funcionários e motoristas para desviar cargas de soja
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (10), a Operação Zira’A, para cumprimento de ordens judiciais relacionadas a investigação que apura a atuação de um grupo suspeito de envolvimento em furtos e desvios de cargas de soja em propriedades rurais da região oeste do estado.
Na operação, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, decretados pela Justiça com base em investigações conduzidas pela Delegacia de Pontes e Lacerda e de Vila Bela da Santíssima Trindade.
Também foi decretado pela Justiça afastamento do sigilo de dados telefônicos e telemáticos dos aparelhos eletrônicos eventualmente apreendidos, possibilitando a extração e análise de informações que possam contribuir para esclarecer a extensão do esquema, identificar outros envolvidos e individualizar a atuação de cada suspeito.
A investigação iniciou após o registro do furto de uma carga de soja ocorrido em julho de 2023, em uma propriedade rural localizada no município de Vila Bela da Santíssima Trindade, quando foi furtada uma carga de soja, avaliada em aproximadamente R$ 100 mil.
A análise de materiais apreendidos, oitivas e levantamentos patrimoniais revelou que os alvos da operação atuavam juntos no desvio contínuo de cargas na região.
Além da ação principal, a Polícia Civil identificou a relação de parte dos investigados com o furto de uma carga de soja em Pontes e Lacerda, o que demonstra que os fatos não se tratam de um episódio isolado.
Como funcionava o esquema
A investigação aponta que a subtração dos grãos exigia a participação alinhada do balanceiro, do classificador, do motorista e do proprietário do veículo. Juntos, eles viabilizavam a saída da soja sem o registro fiscal e contábil, permitindo o desvio da carga para recepção ilegal por terceiros.
As diligências indicaram ainda que a dinâmica criminosa não se limitava ao transporte. O esquema exigia a atuação coordenada de pessoas situadas tanto dentro da propriedade rural, responsáveis por viabilizar a pesagem, classificação e liberação irregular dos grãos, quanto fora dela, com a disponibilização dos veículos e realização do transporte das cargas desviadas.
As investigações também apontaram suspeitas de utilização de empresas e aquisição de bens para ocultação e dissimulação de valores provenientes dos crimes, circunstâncias que levaram a Polícia Civil a aprofundar a apuração não apenas sobre os furtos de cargas, mas também sobre possíveis crime de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Apreensões
Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos bens pertencentes aos investigados sobre os quais recaem indícios de terem sido adquiridos com recursos provenientes da atividade criminosa.
A medida busca impedir a ocultação ou dissipação do patrimônio possivelmente obtido com os furtos e preservar os bens para as providências cabíveis no curso da investigação e do processo criminal.
A operação representa mais uma etapa da investigação e busca reunir novos elementos de prova sobre a atuação do grupo, identificar o destino da carga furtada, esclarecer a movimentação dos valores obtidos com os crimes e verificar a eventual participação dos investigados em outros furtos de cargas de grãos ocorridos na região.
Nome da operação
O nome “ZIRA’A” faz referência à palavra árabe associada a “agricultura” ou “cultivo”, em alusão ao objeto central da investigação: o desvio criminoso de cargas de grãos provenientes de propriedades rurais.
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