Saúde
Entenda como o jejum intermitente pode ser um aliado na sua saúde e perda de peso
Saúde
O excesso de peso já atinge 62,6% dos brasileiros adultos, e a obesidade chegou a 25,7% da população em 2024, mais que o dobro do registrado em 2006, segundo o Vigitel, pesquisa do Ministério da Saúde. Nesse cenário, o jejum intermitente se tornou uma das estratégias mais populares para emagrecer, impulsionada por influenciadores nas redes sociais.
Para o nutricionista Danilo Macena, a resposta é estratégica.
“Jejum intermitente não determina necessariamente o que a pessoa come, mas sim quando ela vai comer. É uma estratégia que alterna períodos de alimentação com períodos de jejum calórico”, explica.
O protocolo mais conhecido é o 16 por 8, em que a pessoa fica 16 horas sem comer e tem uma janela de 8 horas para se alimentar. Parte da popularidade, segundo ele, vem da simplicidade: para muita gente é mais fácil controlar o horário das refeições do que contar calorias em quatro ou cinco refeições diárias.
Existem boas evidências científicas de que o jejum intermitente auxilia na redução de peso e de gordura corporal e melhora marcadores como glicemia, insulina, pressão arterial e colesterol em pessoas com sobrepeso e obesidade, segundo o nutricionista. Para ele, o problema está no exagero.
“Aí vem o pessoal afirmando que o jejum desintoxica o organismo, reseta o metabolismo e previne praticamente todas as doenças. E, na verdade, não é assim que funciona”.
Boa parte dos benefícios observados nos estudos, explica, vem da redução espontânea da ingestão calórica. A pessoa acaba comendo menos dentro da janela de oito horas e entra em déficit calórico, o que leva à perda de peso e à melhora dos marcadores.
Essa leitura tem respaldo em uma revisão sistemática publicada em 2024 no BMJ, que comparou diferentes protocolos de jejum intermitente à restrição calórica contínua e encontrou apenas uma redução “trivial” de peso associada à alimentação com tempo restrito em relação à dieta convencional.
“De forma alguma o jejum é superior. Existem trabalhos comparando jejum com dieta convencional, com os dois grupos ingerindo a mesma quantidade de calorias, e os resultados foram praticamente iguais”, reforça Macena.
Ele destaca que o tempo em jejum não é determinante, mas sim os alimentos e exercícios físicos aliados à prática.
“Ficar 16 horas sem comer nunca vai determinar o emagrecimento. E sim a quantidade de calorias ingeridas, o déficit energético e o gasto calórico do exercício.”
Para quem funciona
Segundo o nutricionista, o jejum funciona melhor para quem já come menos vezes ao dia por natureza, como quem acorda sem fome ou não gosta de tomar café da manhã, e para pacientes com sobrepeso ou obesidade que preferem controlar o horário das refeições a contar calorias.
“O mais importante é a adesão. O perfil indicado é aquele que vai se adequar melhor ao horário, não conseguir comer várias refeições ao dia”, diz.
Existem diferentes protocolos, do 12 por 12 ao mais restritivo, de dois dias de jejum intercalados com cinco de alimentação normal, mas o 16 por 8 segue sendo o mais estudado e utilizado.
“Na prática clínica, eu gosto de pensar primeiro no perfil do paciente e depois escolher o protocolo, ao invés de determinar que vai ser 16 por 8 só por ser o mais popular”, pontua.
Sinais de alerta
A prática, porém, não é indicada para todo mundo. Pessoas com histórico de transtornos alimentares ou quadros de ansiedade podem perder o controle na janela de alimentação, ultrapassando o déficit calórico ou desenvolvendo compulsão. Gestantes também não devem praticar o jejum, pelo risco de hipoglicemia e pela necessidade de nutrientes para o desenvolvimento do feto, assim como pacientes com diabetes tipo 1, que fazem uso de insulina.
“Ele ficar muitas horas sem se alimentar pode ter uma hipoglicemia severa. É muito perigoso”, alerta Macena.
Já no diabetes tipo 2, a estratégia pode ser interessante, contribuindo para reduzir a glicemia e a insulina circulantes.

O nutricionista também recomenda atenção a sinais de má tolerância ao jejum: tontura, fraqueza, tremores, sudorese excessiva, dor de cabeça frequente, irritabilidade e queda de rendimento no trabalho ou nos treinos.
“O mais importante também é a pessoa não desenvolver uma relação obsessiva com o relógio e com a comida, ficar contando quanto falta para poder comer. Isso também é um sinal de que o jejum não está sendo bem tolerado”, afirma.
Em protocolos mais severos, como o jejum de dias alternados, sintomas como desmaio e confusão mental podem indicar hipoglicemia grave.
Para Macena, o maior risco hoje não é o jejum em si, mas a forma como ele é vendido nas redes sociais.
“A nutrição não funciona como uma fórmula universal. Todo mundo possui individualidade biológica, realidades diferentes. O problema não é divulgar o jejum, é vender uma estratégia possível como se ela fosse perfeita para todos”, diz.
À pessoa que pensa em experimentar o jejum por conta própria, o nutricionista recomenda primeiro entender o motivo: “ela pode ter o mesmo resultado de forma convencional, com as calorias, proteínas, vegetais, frutas, sono adequado e exercício, sem precisar fazer jejum nenhum”, conclui.
Saúde
Saúde mental ganha espaço na medicina e expõe novos desafios
*UNICAST*
Psiquiatra Antônio Carlos Reiners explica avanço dos diagnósticos, limites dos medicamentos e impactos da tecnologia sobre ansiedade, depressão e burnout
Ansiedade, depressão e burnout deixaram de ser temas restritos aos consultórios psiquiátricos e passaram a fazer parte das conversas em empresas, escolas e famílias. Mas o aumento da visibilidade desses transtornos não significa necessariamente que a sociedade esteja adoecendo mais. Para o psiquiatra Antônio Carlos de Carvalho Reiners, o cenário atual combina maior capacidade de diagnóstico, redução do estigma e mudanças no ambiente em que as pessoas vivem.
Em entrevista ao Unicast, da Unimed Cuiabá, o especialista explicou que transtornos depressivos, psicóticos e de humor sempre existiram. A diferença está, principalmente, na capacidade atual da medicina de identificá-los com maior precisão e no fato de que mais pessoas se sentem à vontade para procurar atendimento.
Ao mesmo tempo, Reiners chama atenção para fatores contemporâneos que aumentam a pressão emocional. O uso permanente de tecnologia, a exposição às redes sociais e o excesso de informações criam um ambiente de estímulos constantes, associado a quadros de ansiedade e angústia.
Um dos pontos destacados pelo psiquiatra é o contato cada vez mais precoce das crianças com telas. Segundo ele, esse processo pode interferir no desenvolvimento de habilidades emocionais importantes, entre elas a capacidade de lidar com limites, negativas e frustrações.
Ao abordar o tema, o médico citou uma máxima atribuída a Carl Jung para resumir a relação entre frustração e busca por alívio: quem não aprende a lidar com as dificuldades da vida tende a procurar esse alívio na farmácia.
A reflexão também ajuda a explicar por que o tratamento da saúde mental não pode ser reduzido ao uso de medicamentos.
De acordo com Reiners, a psiquiatria dispõe atualmente de medicamentos capazes de controlar sintomas de ansiedade e depressão. A medicação, porém, não substitui o trabalho de compreender os conflitos e experiências que estão por trás do sofrimento.
Nesse processo, a psicoterapia tem papel complementar ao tratamento médico, permitindo investigar questões emocionais e padrões de comportamento que não são resolvidos apenas pela ação dos medicamentos. O acompanhamento também pode envolver psicólogos, grupos de apoio e outras formas de suporte.
O especialista também chama atenção para a necessidade de diferenciar sofrimento psicológico de transtornos psiquiátricos. Uma perda, por exemplo, pode provocar um processo natural de luto e não necessariamente representa uma doença.
A avaliação profissional passa a ser especialmente importante quando os sintomas persistem, comprometem a rotina ou aparecem associados a fatores de risco, incluindo predisposição genética.
Outro fenômeno citado pelo médico é a somatização. Pessoas com ansiedade ou depressão podem apresentar insônia, cansaço, dores e outros sintomas físicos e, por isso, procurar diferentes especialidades médicas em busca de uma causa orgânica.
Quando exames e avaliações não identificam alterações físicas que expliquem os sintomas, a investigação psiquiátrica pode ajudar a compreender a origem do quadro.
Assista completo pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=ofJhAV8C5Vk&t=262s
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