Mato Grosso

“Estado de MT foi assertivo com especialização em hanseníase para combater casos nos municípios”, afirma fisioterapeuta

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O fisioterapeuta Pedro Salvador Neto, que trabalha no Ambulatório de Atenção Especializada de Juína, afirmou que o curso de especialização em hanseníase, ofertado pela Escola de Saúde Pública de Mato Grosso (ESP), vai ajudar no combate à infecção nos municípios.

“O Estado de Mato Grosso foi muito assertivo neste curso porque ele nos oportunizou ter um certificado e ter muito mais do que isso: ter o conhecimento sobre a hanseníase, e isso, para nós alunos, foi de extrema necessidade e importância para atender os casos nos municípios”, avaliou o especialista.

Pedro Salvador é um dos 34 profissionais da saúde que se formaram no curso de Especialização Interprofissional em Atenção Integral às Pessoas com Hanseníase, nesta quinta-feira (28.8), em Cuiabá.

Com início em maio de 2024, a especialização reuniu profissionais de diferentes áreas da saúde em 392 horas presenciais dedicadas a fortalecer a atenção integral às pessoas afetadas pela hanseníase em Mato Grosso. De forma pioneira, o curso abrangeu diversos perfis, como médico, enfermeiro, fisioterapeuta, assistente social, psicólogo, terapeuta ocupacional, cirurgião-dentista, nutricionista e farmacêutico.

“Esse é um marco histórico para o SUS, com essa primeira turma interdisciplinar, pois esses profissionais especialistas vão atuar em todo o Estado para oferecer uma atenção mais efetiva e humanizada às pessoas com hanseníase em Mato Grosso”, afirmou o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo.

Segundo a superintendente da ESP, Silvia Tomaz, essa formação interprofissional para o cuidado das pessoas com hanseníase é inédita no mundo. “A escola inovou ao implementar uma importante estratégia de mudança no modelo tecnoassistencial vigente para a atenção integral do cuidado as pessoas com hanseníase no Estado. Nós estamos formando especialistas para o cuidado das pessoas com hanseníase, celebrando mais uma iniciativa inédita do Governo do Estado”, destacou.

De acordo com o coordenador do curso, José Alves Martins, os alunos tinham três dias integrais de aulas presenciais por mês em Cuiabá, onde puderam participar de diversas práticas. Agora, eles estão preparados para ofertar a melhor qualidade de serviço.

“Durante 15 meses, estudamos profundamente esta doença, desde a prevenção, tratamento, orientação, reabilitação. Eles tiveram várias unidades de aprendizagem estudando cada área da proposta terapêutica, aspectos psicossociais, formas de tratamento das mais modernas, as práticas baseadas em evidências para o cuidado desta doença, todos os protocolos clínicos do Ministério da Saúde”, afirmou.

O curso teve 15 professores, sendo dois da Sociedade Brasileira de Hansenologia e a grande maioria deles mestres e doutores, todos ligados aos cuidados em hanseníase. A ESP ainda ofertou diárias para auxiliar os alunos do interior. “É uma turma de 34 concluintes e a proposta é que eles melhorem seus processos de trabalho com o conteúdo aprendido na especialização”, acrescentou o coordenador.

O farmacêutico Fernando Augusto de Oliveira representou os alunos na cerimônia de encerramento do curso e se disse orgulhoso de estar na primeira turma interprofissional.

“Todo primeiro é pioneiro, ou seja, ele é o disseminador. Imagina a nossa responsabilidade de sermos a primeira turma e sempre sermos lembrados. Quero parabenizar todos os professores que aqui estiveram e que puderam propiciar esse norte, esse novo olhar, tirar aquela visão de cabresto que nós tínhamos e abrir um prisma”, comemorou.

Com o encerramento da primeira turma e os resultados positivos alcançados, a ESP já se prepara para lançar o edital de seleção para a segunda turma do curso ainda em 2025.

Saiba mais sobre a hanseníase

A hanseníase é um grave problema de saúde pública no Brasil, ocupando o segundo lugar mundial em número absoluto de casos, atrás apenas da Índia. Mato Grosso apresenta a maior taxa registrada no país, com aproximadamente 130 casos para cada 100 mil habitantes.

Fonte: Governo MT – MT

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Produtor paga a conta: Odílio Balbinotti denuncia entraves que encarecem o agro brasileiro

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O empresário Odílio Balbinotti Filho, primeiro suplente do senador eleito Zé Medeiros (PL) e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso, criticou os entraves à implantação de ferrovias no Brasil e alertou para os prejuízos que os elevados custos de transporte representam para o agronegócio. Segundo ele, apesar dos avanços tecnológicos e dos ganhos de produtividade nas lavouras, a deficiência logística continua comprometendo a renda dos produtores.

“Hoje nós temos uma agricultura no Centro-Oeste, Norte e Nordeste muito competitiva. A gente produz muito por hectare, e isso se deve à alta tecnologia que o agricultor foi adotando ao longo dos anos. Mas nós temos um gargalo que precisa ser resolvido e que hoje toma grande parte da renda do produtor: o frete”, afirmou.

Balbinotti citou o transporte de soja entre Sorriso, em Mato Grosso, e o Porto de Santos, em São Paulo, como exemplo do peso da logística sobre os custos de produção. “De Sorriso a Santos, hoje, são R$ 30 por saco de soja. Se você pegar um frete ferroviário que realmente é competitivo, nós teríamos uma redução de praticamente R$ 10 por saco de custo para o produtor”, declarou.

Na avaliação do empresário, a ampliação da concorrência entre os modais rodoviário e ferroviário poderia proporcionar uma economia bilionária. Ele estima que a redução dos custos logísticos representaria aproximadamente R$ 8,5 bilhões em recursos que permaneceriam com os produtores rurais.

Os valores apresentados por Balbinotti são estimativas do empresário e dependem das rotas, dos volumes transportados e das condições de mercado.

*Ferrogrão e os entraves judiciais*

Entre os projetos considerados estratégicos para Mato Grosso está a Ferrogrão, ferrovia de 933 quilômetros prevista para ligar Sinop (MT) a Miritituba, no Pará, criando uma alternativa de escoamento da produção agrícola pelos portos do Arco Norte.

Balbinotti criticou a demora na implantação do empreendimento e mencionou a atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no processo judicial envolvendo a ferrovia. “Nós temos o caso da Ferrogrão, que ficou parada por cinco anos na mão do Alexandre de Moraes”, afirmou.

Em março de 2021, Moraes suspendeu, por decisão cautelar, a eficácia da Lei nº 13.452/2017 e os procedimentos relacionados ao projeto. A medida foi adotada no âmbito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6553, apresentada pelo PSOL, que questionava a redução de uma área do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará.

Em maio de 2026, o plenário do STF declarou constitucional a legislação questionada, afastando o impedimento jurídico discutido na ação. A decisão, entretanto, não representa a conclusão do licenciamento nem o início das obras.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) também avançou na atualização dos estudos técnicos da concessão, que envolve investimentos bilionários e depende de etapas administrativas, ambientais e regulatórias.

*Agronegócio representa parcela expressiva da economia brasileira*

A preocupação com os custos logísticos ocorre em um momento de pressão sobre a rentabilidade de diferentes atividades agrícolas.

Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o agronegócio brasileiro movimentou R$ 3,20 trilhões em 2025, o equivalente a 25,13% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Apesar do crescimento de 12,2% registrado naquele ano, o setor apresentou retração de 2,01% no primeiro trimestre de 2026. O levantamento apontou queda de preços em diferentes atividades, com reflexos sobre a renda da produção e os segmentos ligados ao agronegócio.

Para Balbinotti, o avanço da produtividade precisa ser acompanhado por investimentos capazes de reduzir o custo de levar a produção até os mercados consumidores e os portos de exportação.

*Licenciamento e infraestrutura*

O empresário também defendeu a simplificação dos procedimentos necessários à execução de grandes obras. “Todo esse licenciamento, esse arcabouço de licenças que são necessárias para fazer obras estruturantes no Brasil, isso atrapalha o desenvolvimento do país”, afirmou.

Na avaliação de Balbinotti, processos mais rápidos e regras mais simples poderiam contribuir para ampliar os investimentos em infraestrutura, sem afastar a necessidade de cumprimento da legislação ambiental.

Ele relacionou a discussão ao trabalho que pretende desenvolver junto ao senador eleito Zé Medeiros e à agenda de infraestrutura defendida pela campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. “Simplificar essa legislação e deixar os processos mais céleres, isso com certeza é a grande solução, e nós podemos trabalhar com isso lá no Senado”, concluiu.

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