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Black Friday: oportunidade de vender mais e conquistar melhor

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Dayane Nascimento

A Black Friday é um dos eventos mais aguardados do comércio. Para muitos, é sinônimo de corrida por cliques, guerra de preços e anúncios barulhentos. Para marcas inteligentes, contudo, é uma oportunidade estratégica de fortalecer a marca e atrair novos consumidores, garantindo uma base de clientes sólida e recorrente.

A dimensão dessa data no Brasil é expressiva. A expectativa é que o e-commerce movimente cerca de R$ 13,34 bilhões, segundo projeção da Neotrust/ABComm. Esse volume é impulsionado por um consumidor cada vez mais preparado: 70% dos brasileiros já se planejam para as compras e 60% pretendem gastar mais de R$ 500, conforme pesquisa da LWSA/CNN Brasil. A busca é por bens de maior valor, descontos reais e experiências confiáveis, o que revela uma mudança importante no comportamento de consumo.

A relevância do período se reflete em todas as regiões do país, com impactos diretos na economia local. Em Mato Grosso, a movimentação deve alcançar R$ 831 milhões, com ticket médio de R$ 675 (Fecomércio-MT/Sebrae-MT). O número, superior à média nacional, mostra um público engajado, que valoriza empresas consistentes e dispostas a oferecer valor, não apenas preço.

Esse é o momento ideal para aproximar da sua marca quem sempre a admirou à distância, seja por achar caro ou por ainda não ter encontrado o motivo certo para comprar. É a chance de transformar curiosos em clientes e de fazer o primeiro contato ser tão positivo que o próximo não dependa de uma nova promoção.

Em muitos casos, o público já conhece e valoriza a marca, mas ainda não realizou a primeira compra. Essa pode ser a virada: não com descontos ilusórios, mas com ofertas honestas que convidem o consumidor a experimentar o produto e comprovar sua proposta de valor. Mais do que vender, é uma oportunidade de gerar experiência de marca. A primeira impressão conta, e uma boa entrega tem o poder de transformar um comprador de ocasião em cliente recorrente.

As intenções de compra também confirmam essa maturidade. Eletrônicos (53%), roupas e moda (49%) e eletrodomésticos (44%) lideram a preferência, segundo pesquisa da Meio & Mensagem. A escolha por bens duráveis reforça que o consumidor está planejando com racionalidade e atenção à credibilidade das marcas.

Desconto não é sinônimo de desvalorização. Ainda há quem associe preço baixo à perda de valor, mas o verdadeiro diferencial está em comunicar valor mesmo em um momento promocional. O desconto atrai, a entrega fideliza e o propósito sustenta.

O período promocional também é um terreno fértil para exageros. Ofertas falsas, urgências artificiais e descontos inflados ainda comprometem a credibilidade de muitas empresas. Negócios que caem nessa armadilha até podem aumentar o faturamento momentaneamente, mas perdem algo que leva muito mais tempo para construir: confiança. Já as marcas que tratam o período com estratégia e coerência conseguem se apresentar a novos públicos, gerando experimentação, reconhecimento e lealdade.

O sucesso, portanto, não está apenas em vender mais, mas em vender melhor. O desafio é transformar uma promoção passageira em uma relação duradoura, baseada em confiança, valor e propósito. Como profissional de marketing há quase duas década, acredito que toda campanha é uma oportunidade de gerar impacto positivo. Mais do que criar anúncios, é hora de criar conexões.

Que tal aproveitar este momento para revisar sua comunicação, fortalecer sua presença e planejar estratégias que continuem ecoando depois da última sexta-feira de novembro? Afinal, quem conquista com propósito não precisa disputar por preço. Precisa apenas continuar entregando valor.

Dayane Nascimento, consultora marketing com formação na UFMT, especialista em planejamento estratégico e economia comportamento pela ESPM/SP e empresária.

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Para muitas mulheres, ter para onde ir é o começo da liberdade

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Por Scheila Pedroso

Quando falamos sobre violência contra a mulher, uma pergunta sempre me inquieta: quantas mulheres querem sair de uma situação de violência, mas simplesmente não têm para onde ir?

Ao longo da minha trajetória na gestão pública, aprendi que os problemas da vida real raramente chegam separados. A falta de moradia, a dependência financeira, a vulnerabilidade social e a violência muitas vezes fazem parte da mesma história.

Por isso, enfrentar a violência contra a mulher exige mais do que dizer a ela que denuncie. É preciso garantir que, depois da denúncia, exista uma rede capaz de acolher, proteger e, principalmente, criar condições para que ela possa reconstruir a própria vida.

Neste Agosto Lilás, essa reflexão precisa ir além das campanhas e chegar às políticas públicas.

Uma mulher precisa se sentir segura para pedir ajuda. Precisa saber onde procurar apoio. Precisa ter condições de trabalhar, sustentar seus filhos e recomeçar. E, muitas vezes, precisa de algo tão básico quanto um lugar seguro para chamar de casa.

Durante muitos anos trabalhando com políticas públicas, aprendi que cuidar das pessoas também significa compreender a realidade que existe por trás de cada problema. Não basta tratar a consequência sem olhar para aquilo que mantém uma mulher presa a uma situação de violência.

Combater a violência também é construir autonomia.

É garantir proteção, oportunidade, renda, moradia e dignidade para que nenhuma mulher precise escolher entre permanecer onde sente medo ou partir sem saber para onde ir.

Agosto é Lilás. Mas esse compromisso precisa existir o ano inteiro.

Scheila Pedroso
Arquiteta, gestora pública e pré-candidata a deputada estadual.

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