Opinião

Empreendedorismo feminino: a rede que sustenta lares, negócios e sonhos

Publicado em

Opinião

Sandra Cordeiro

Quando olho para a minha trajetória e para a história da Distribuidora Tropical, não vejo apenas números, rankings ou metas alcançadas. Vejo famílias inteiras que encontraram na venda direta uma forma de sobreviver, crescer e florescer. Vejo mulheres que, mesmo diante das maiores adversidades, levantaram a cabeça, organizaram a casa, cuidaram dos filhos e seguiram adiante. E vejo, sobretudo, a força silenciosa que sustenta o Brasil: a força feminina.

Segundo o Sebrae (2024), mais de 10 milhões de mulheres estão hoje à frente de pequenos negócios no país. Para muitas delas, empreender não foi uma escolha planejada, e sim uma necessidade. Uma forma de manter o lar em pé quando o emprego faltou, de complementar a renda quando o salário não dava, ou de reencontrar dignidade após anos dedicados exclusivamente à família. A verdade é que, para boa parte dessas mulheres, empreender tem muito mais a ver com o cuidado com os seus do que com a ambição pessoal.

Eu conheço essa realidade de perto. Quando comecei na Tupperware, em 1996, a motivação era simples: ajudar no tratamento de saúde do bebê de uma amiga. Eu não sabia, naquela época, que esse gesto se transformaria na missão de uma vida inteira. E tampouco imaginava que, anos depois, Mato Grosso levaria a Tupperware ao 1º lugar em vendas no mundo por três anos consecutivos, um feito que colocou nosso estado no mapa internacional, resultado da disciplina e da força de milhares de mulheres que acreditaram em si mesmas.

Durante a pandemia, a importância dessa rede ficou ainda mais evidente. Enquanto empresas fechavam e empregos desapareciam, muitas consultoras da Tupperware conseguiram manter sua renda, reorganizar o orçamento doméstico e até ajudar parentes que perderam o sustento. Houve dor, medo e incerteza, mas também resiliência, fé e um espírito comunitário que só quem trabalha com gente de verdade conhece.

No entanto, seria irresponsável falar de mulheres em Mato Grosso sem reconhecer a realidade que enfrentamos. Nosso estado figura entre os primeiros lugares em feminicídios no país, segundo o Atlas da Violência 2024. Esse dado é doloroso e também nos obriga a refletir, principalmente sob a ótica humana. Quando uma sociedade fracassa na proteção de suas mulheres, falha também com suas famílias, suas crianças e seu futuro.

Acredito, profundamente, que o caminho para enfrentar essa realidade passa por algo que defendo há quase três décadas, que é fortalecer mulheres e as suas famílias. Quando uma mulher tem renda própria, autoestima e pertencimento, ela se posiciona melhor no lar, contribui mais para a estabilidade da casa, dialoga com mais segurança com o marido e cria filhos com mais autonomia. Renda é proteção, liberdade e cuidado.

Além disso, tão importante quanto apoiar mulheres, é fortalecer os homens para que compreendam que o sucesso da esposa não diminui ninguém. Pelo contrário, prosperidade compartilhada é alicerce de uma família saudável. Empreender, para nós, não é disputa de espaço; é construção conjunta.

A verdade é que a venda direta transforma vidas porque funciona na lógica da realidade brasileira, baseada em flexibilidade, proximidade, comunidade e disciplina. Para alguns pode ser apenas “venda de potes”, mas, para milhares de famílias, significa um trabalho honesto que cabe na rotina de quem cuida da casa, acompanha o crescimento dos filhos, apoia o marido e, principalmente, deseja construir o próprio futuro.

Sigo acreditando nesse modelo de negócio, nas mulheres que o sustentam e no poder de Mato Grosso de liderar, produzir e inspirar o país. Essa força nasce da fé, da disciplina e da dignidade que cada venda representa dentro de uma casa. Cuidar da própria renda também é cuidar da família, e prosperar não é egoísmo, é responsabilidade, proteção e amor.

Que sigamos juntas, como uma rede de mulheres que trabalham, sustentam e transformam. Porque quando uma mulher prospera, uma família inteira se ergue,  e quando as famílias se erguem, toda a sociedade se fortalece. Esse é o legado que construímos, todos os dias, com coragem, trabalho e propósito!

Sandra Cordeiro, distribuidora Tupperware em Mato Grosso, formada em Recursos Humanos e MBA em Liderança e Coaching.

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Opinião

Para muitas mulheres, ter para onde ir é o começo da liberdade

Publicados

em

Por Scheila Pedroso

Quando falamos sobre violência contra a mulher, uma pergunta sempre me inquieta: quantas mulheres querem sair de uma situação de violência, mas simplesmente não têm para onde ir?

Ao longo da minha trajetória na gestão pública, aprendi que os problemas da vida real raramente chegam separados. A falta de moradia, a dependência financeira, a vulnerabilidade social e a violência muitas vezes fazem parte da mesma história.

Por isso, enfrentar a violência contra a mulher exige mais do que dizer a ela que denuncie. É preciso garantir que, depois da denúncia, exista uma rede capaz de acolher, proteger e, principalmente, criar condições para que ela possa reconstruir a própria vida.

Neste Agosto Lilás, essa reflexão precisa ir além das campanhas e chegar às políticas públicas.

Uma mulher precisa se sentir segura para pedir ajuda. Precisa saber onde procurar apoio. Precisa ter condições de trabalhar, sustentar seus filhos e recomeçar. E, muitas vezes, precisa de algo tão básico quanto um lugar seguro para chamar de casa.

Durante muitos anos trabalhando com políticas públicas, aprendi que cuidar das pessoas também significa compreender a realidade que existe por trás de cada problema. Não basta tratar a consequência sem olhar para aquilo que mantém uma mulher presa a uma situação de violência.

Combater a violência também é construir autonomia.

É garantir proteção, oportunidade, renda, moradia e dignidade para que nenhuma mulher precise escolher entre permanecer onde sente medo ou partir sem saber para onde ir.

Agosto é Lilás. Mas esse compromisso precisa existir o ano inteiro.

Scheila Pedroso
Arquiteta, gestora pública e pré-candidata a deputada estadual.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA