Cultura
Baile do Menino Deus marca temporada natalina em Recife
Cultura
O espetáculo Baile do Menino Deus abriu a temporada natalina, nesta terça-feira (23), no Marco Zero, Centro Histórico do Recife (PE).

As apresentações a céu aberto acontecem também hoje e amanhã (25), sempre a partir das 20h. A expectativa da organização é que 70 mil pessoas estejam presentes nos três dias de evento.
O auto natalino recifense foi concebido inicialmente como livro e disco, lançados em 1983 e depois adaptado para os palcos, chegando este ano à sua vigésima segunda encenação. Atualmente, são cerca de 70 artistas no palco e 300 profissionais envolvidos para contar a história do Natal de um jeito bem brasileiro.
No enredo, dois homens de nome Mateus procuram pela casa onde nasceu Jesus para festejar o Natal ao lado de José e Maria.
Durante a jornada, eles cruzam com criaturas fantásticas do imaginário popular, grupos de expressões artísticas e enfrentam dilemas existenciais, sociais e coletivos.
Um dos destaques dessa edição é a participação da cantora Joyce Alane. A pernambucana indicada ao Grammy Latino de 2025 se junta à ópera popular com a interpretação de canções do repertório clássico concebido para o Baile: “Beija-flor e Borboleta”, “Cigana” e “Baile do Menino Deus”.
Flávio Leandro, expoente do forró, e Maestro Spok, ícone do frevo e do jazz brasileiros, também compõem o time do espetáculo, que teve atualizações em cenas, arranjos e personagens.
Desde 2004, o Baile do Menino Deus integra o calendário oficial do Marco Zero. Também virou filme, livro paradidático adotado pelo MEC, com tiragem de 700 mil exemplares, e inspira montagens de Norte a Sul do país.
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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