Cultura
Furtos e agressões têm queda de 50% no Carnaval de BH
Cultura
A Guarda Municipal de Belo Horizonte divulgou nesta terça-feira um balanço parcial das ocorrências e registros durante o Carnaval. Conforme a instituição, houve um aumento de meio por cento nos números gerais das ocorrências em comparação ao Carnaval de 2025. Segundo o comandante da Guarda Civil, Júlio César Freitas, apesar da leve alta nos registros gerais, houve redução nos crimes mais graves.

“Dados muito interessantes com a redução de 50% nos casos de vias de fato, lesão corporal. A gente tem também redução de 50% no crime de furto, né, registrado no mesmo, comparando o mesmo período do ano passado, né? Redução de 100% de importunação sexual. Isso se dá, né, a todo o trabalho preventivo que a Guarda Municipal vem fazendo, eh, de abordagens ao bloco, abordagens às pessoas, né? Foram mais de 15 mil abordagens preventivas, né?”
Mesmo com a redução de registros, 18 pessoas foram detidas desde a sexta-feira, afirma o comandante.
“A gente teve um aumento de 50%, né, na condução de presos, num número de 18 até o momento. Foram 18 pessoas conduzidas até a autoridade policial. Eh, crimes como desacato verbal, vias de fato, né? Então assim, crimes comuns do dia a dia, que essa acaba acontecendo essa desinteligência, mas comprometendo a segurança de outras pessoas. E uma vez comprometendo essa segurança, nos cabe tomar providência que é levar até a autoridade policial, que é o… que é o órgão competente para dar andamento à ocorrência.”
: Ainda de acordo com a Guarda Civil Municipal, as ações de segurança do Carnaval continuam até o próximo domingo, dia 22, quando a folia será oficialmente encerrada na cidade.
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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