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Cuiabá, Detran e MTI avançam em integração de dados para modernizar notificações de trânsito

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A integração de bases de dados entre órgãos públicos para aprimorar a gestão das notificações de trânsito foi o principal tema de uma reunião realizada na última semana, na sede da Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação (MTI).

O encontro reuniu representantes do Governo do Estado e do Município de Cuiabá para discutir soluções tecnológicas e administrativas voltadas à atualização cadastral de condutores e à ampliação da comunicação digital com os cidadãos.

Participaram da reunião:

diretor-presidente da MTI, Cleberson Antônio Sávio Gomes;
secretário municipal de Planejamento e Orçamento de Cuiabá, Rafael Alvarez Paulino Iacovacci;
diretor de Habilitação e Veículos do Detran-MT, Alessandro Andrade, representando a presidência da autarquia;
diretor de Projetos Especiais da Secretaria de Planejamento, Cleber Bazzano;
agente municipal de trânsito, Adolfo Batista de Sene Junior;
gestora municipal da Secretaria de Planejamento, Claudia Cristina Oliveira Morais Fraga;
assessora executiva da Presidência da MTI, Thaynara Metelo;
e Carine da Silva Bezerra, coordenadora do Registro Nacional de Infrações de Trânsito (Renainf).

A pauta teve como foco a integração de informações entre o município e o Estado relacionadas aos Autos de Infração de Trânsito (AITs), especialmente para reduzir problemas recorrentes no envio de notificações aos condutores.

Entre os desafios apresentados estão as devoluções de correspondências pelos Correios, cadastros desatualizados e a dificuldade de compartilhamento de informações entre diferentes sistemas públicos.

O secretário municipal de Planejamento e Orçamento, Rafael Alvarez Paulino Iacovacci, explicou que a secretaria tem atuado como facilitadora na busca por soluções que envolvam diferentes órgãos da administração pública.

“Estamos identificando gargalos e intermediando soluções para acelerar projetos prioritários. A integração entre os bancos de dados do município e do Detran é uma das demandas que estamos tratando para melhorar a comunicação com os cidadãos”, disse.

Segundo o secretário, a proposta prevê a criação de um fluxo de consulta e atualização cadastral envolvendo município, Detran e Correios. A medida busca ampliar a eficiência na localização dos condutores e reduzir falhas no processo de notificação.

Atualmente, parte das notificações enfrenta dificuldades devido à inconsistência de endereços cadastrados. A expectativa é que o compartilhamento controlado de informações permita maior precisão nos dados e contribua para a atualização contínua dos registros.

Durante a reunião, também foi discutida a ampliação do uso do Sistema de Notificação Eletrônica (SNE), ferramenta que permite o recebimento digital de notificações de trânsito por meio de aplicativo.

A iniciativa é apontada como uma alternativa para reduzir a dependência de documentos físicos e aumentar a efetividade da comunicação entre o poder público e os condutores.

O diretor-presidente da MTI, Cleberson Antônio Sávio Gomes, destacou que a integração tecnológica depende da definição de requisitos de segurança e da estruturação dos mecanismos de comunicação entre os sistemas.

“Precisamos avaliar os aspectos técnicos e de segurança para viabilizar essa integração. A partir dessa definição, será possível estruturar a troca de informações entre os órgãos envolvidos”, contou.

Além das questões operacionais, os participantes debateram possíveis ajustes nos fluxos administrativos relacionados aos prazos de defesa e indicação de condutor, especialmente nos casos em que as notificações chegam aos destinatários após o vencimento dos períodos legais.

Os encaminhamentos definidos incluem a elaboração de um plano de ação para avançar na integração dos sistemas e estabelecer cronogramas para implementação das medidas discutidas.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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TCE cita “quarteirização” e mantém suspenso pregão de R$ 22,5 milhões para remédios

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O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) manteve suspenso pregão eletrônico de R$ 22,5 milhões lançado pela Prefeitura de Porto Esperidião para aquisição de medicamentos, com o objetivo de avaliar a legalidade do modelo de “quarteirização” adotado pelo município.

A tutela provisória de urgência, concedida em julgamento singular do  conselheiro Antonio Joaquim, foi homologada por unanimidade durante a sessão ordinária dessa terça-feira (28).

A deliberação teve origem em uma representação de natureza externa apresentada pela empresa Link Card, participante do certame, que questionou sua inabilitação e a alteração de critério do pregão.

A empresa afirmou que apresentou a proposta mais vantajosa, mas foi inabilitada sob a justificativa de não comprovar capacidade técnica compatível com o objeto licitado. Alegou ainda que a gestão do município passou a exigir experiência específica na área de saúde, mudança que ocorreu sem a republicação do edital ou a reabertura dos prazos.

Já a prefeitura argumentou que a inabilitação da empresa foi legítima e legal, pois o edital exigia comprovação de experiência compatível com o objeto licitado, que compreende medicamentos e insumos de saúde. Declarou ainda que havia riscos de inviabilidade econômica da proposta apresentada e negou mudanças nos critérios do certame.

Embora os questionamentos da empresa fossem de ordem administrativa e procedimental relacionados ao certame, o conselheiro identificou indícios de que a modalidade de quarteirização da aquisição poderia extrapolar os limites permitidos pela jurisprudência.

Dessa forma, determinou o aprofundamento da análise pela equipe técnica do TCE. “A utilização da prática exige especial cautela, pois altera a lógica tradicional das contratações públicas ao transferir à empresa gerenciadora atribuições relevantes relacionadas à seleção dos fornecedores, à formação dos preços e à operacionalização das aquisições”, explicou.

Antonio Joaquim completou que a jurisprudência admite esse modelo em hipóteses excepcionais, como no gerenciamento de abastecimento de combustíveis e na manutenção de frotas.

“São situações marcadas por peculiaridades operacionais ou geográficas que justifiquem a adoção de empresa intermediadora. A assistência farmacêutica vai além do fornecimento de medicamentos. Trata-se de uma política pública essencial que envolve planejamento, abastecimento, controle de estoque e garantia da continuidade dos atendimentos, circunstâncias que recomendam maior cautela antes de transferir essas atribuições a uma empresa intermediadora”, pontuou, acrescentando que a prefeitura não apresentou nenhum precedente de julgamentos sobre a quarteirização na compra de medicamentos proferidos por tribunais de contas.

Ao fundamentar sua decisão, Antonio Joaquim também afastou o argumento da prefeitura da existência de risco de que a suspensão do pregão poderia provocar desabastecimento, pois foi constatada a existência de empenhos recentes para compra de medicamentos junto a outros fornecedores.

“Em consulta ao Sistema Aplic, constatamos a existência de empenhos recentes destinados à aquisição de medicamentos junto a diversos fornecedores, circunstância que, em análise preliminar, indicou a manutenção de alternativas para o atendimento das necessidades da rede municipal de saúde”, detalhou o conselheiro.

Debates

Durante a sessão, a escolha pela ‘quarteirização’ na aquisição de medicamentos pela Prefeitura de Porto Esperidião gerou debates entre os conselheiros. O presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, reforçou o entendimento do relator ao apresentar dados compilados pela equipe técnica do Tribunal. Segundo ele, em 2025, 62,45% das contratações foram realizadas por contratação direta.

Além disso, 71% dos pregões e concorrências tiveram dois ou menos participantes. O presidente também chamou a atenção para o fato de que aproximadamente 40% das licitações apresentaram irregularidades relacionadas ao envio de informações ao Aplic.

“Isso representa cerca de R$ 8,5 bilhões gastos no ano passado por meio de contratações diretas ou processos com baixíssima competitividade. Por isso entendo que precisamos colocar esse tema em debate. Estamos levantando todas essas informações para discutir, de forma ampla, o atual cenário das contratações públicas”, destacou.

O vice-presidente do TCE-MT, conselheiro Waldir Teis, complementou que, em 2022, julgou uma situação semelhante. “Naquela ocasião, fiz a seguinte reflexão: daqui a pouco estarão contratando empresas para intermediar a aquisição de qualquer bem ou serviço, seja para compra de materiais, execução de obras ou qualquer outra finalidade. Também registrei em meu voto que, seguindo essa lógica, os servidores públicos deixariam de exercer uma das funções mais importantes da administração, que é conduzir os processos licitatórios. Afinal, a licitação é um dos maiores desafios da gestão pública e também um dos seus principais instrumentos de controle”, argumentou.

O corregedor-geral do TCE-MT, conselheiro Guilherme Antonio Maluf, também compartilhou sua preocupação com a disseminação do modelo de contratação pública. “Tenho ressalvas em relação à quarteirização. No caso concreto analisado pelo conselheiro Antônio Joaquim, procurei aprofundar o estudo da matéria e não consegui identificar qualquer demonstração de vantajosidade para a administração pública. Trata-se de uma inovação contratual, mas que, pelo menos neste processo, não apresenta benefício concreto que justifique sua adoção.”

Decisão

Ao votar pela manutenção da tutela, o conselheiro Antonio Joaquim reforçou que, em razão do elevado valor estimado da contratação, é necessária uma análise técnica profunda.

“A eventual celebração do contrato e o início de sua execução antes da conclusão da análise técnica poderiam consolidar relações jurídicas e operacionais de difícil reversão, especialmente diante da formação da rede credenciada, da operacionalização das aquisições e da execução continuada do objeto contratual, circunstâncias que justificaram a concessão da tutela provisória de urgência para preservação da utilidade prática do processo de controle externo.”

Ao final do julgamento, os conselheiros também manifestaram entendimento favorável à proposta do conselheiro Waldir Tei de realização de uma reunião técnica envolvendo o Ministério Público de Contas (MPC) e setores especializados do Tribunal para discutir e uniformizar o entendimento sobre o uso da quarteirização em diferentes setores da administração pública.

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