Cultura
Pelourinho recebe Cortejo Pelos Caminhos da Independência nesta sexta
Cultura
Ainda dentro dos festejos do Dia da Independência do Brasil na Bahia, celebrado em 2 julho, o Pelourinho realiza, na manhã desta sexta-feira (10), o “Cortejo e Cerimonial Pelos Caminhos da Independência”. O evento, que chega a sua terceira edição, terá concentração a partir das 9h, no Largo Quincas Berro D’água.

Com o tema “Resistência e Liberdade que Florescem pelos Caminhos da Independência: Um Grito Coletivo”, o cortejo sairá a partir das 10h e contará com 15 alas temáticas femininas, cada uma com uma expressão artística. A ideia é contribuir com o debate sobre pautas atuais da sociedade, como o combate ao feminicídio, à violência contra mulher e à intolerância religiosa.
Oficinas, exposição e shows
A ação cultural contará também com oficinas, exposição fotográfica e shows culturais após o encerramento do cortejo. A exposição fotográfica “Mulheres e o Tempo” apresenta os registros de mulheres idosas e busca destacar, por meio de suas trajetórias, reflexões sobre envelhecimento ativo, inclusão social, participação em atividades culturais e fortalecimento da cidadania por meio da arte, além da contribuição de cada uma delas para a construção da memória social e cultural da Bahia. São 21 painéis, que retratam mulheres negras idosas em sua participação nas atividades culturais do Cerimonial e Cortejo da Independência.
As apresentações culturais começam a partir de meio-dia e meia, com participação da Charanga do Bira e do Samba de Farofa.
Mais detalhes sobre a programação, que é totalmente gratuita, estão disponíveis no Instagram da Central Black Entretenimento, @central_black, que organiza o evento.
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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