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Teatro Amazonas é candidato a Patrimônio Mundial da Unesco

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O Teatro Amazonas, um dos símbolos históricos e culturais do país, pode conquistar um reconhecimento internacional inédito. O monumento, em Manaus, integra a candidatura brasileira dos chamados Teatros da Amazônia ao título de Patrimônio Mundial da Unesco, ao lado do Teatro da Paz, de Belém.

A proposta será analisada pelo Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco reunido em Busan, na Coreia do Sul. A candidatura brasileira faz parte de um grupo de 30 bens culturais e naturais de vários países que disputam o reconhecimento internacional.

A avaliação técnica dos teatros amazônicos está prevista para ocorrer entre os dias 24 e 27 de julho, e o resultado deve ser conhecido até o fim da reunião, marcada para o dia 29.

História

Inaugurado em 1896, durante o ciclo da borracha, o Teatro Amazonas é considerado um dos principais cartões-postais do estado. 

No período áureo, o palco do Teatro Amazonas foi dominado por companhias europeias, com grande destaque para as trupes da Itália e Portugal, além de conjuntos da França e Espanha. Elas traziam o melhor da ópera e da opereta da Belle Époque diretamente para a “Paris dos Trópicos”.

O intercâmbio era intenso: as companhias viajavam de navio da Europa e costumavam se apresentar em uma temporada que incluía o Teatro Amazonas, em Manaus, e o Teatro da Paz, em Belém.

O edifício se destaca pela arquitetura inspirada no estilo renascentista europeu, pela cúpula revestida com milhares de peças de cerâmica nas cores da bandeira brasileira e pelo rico acervo artístico e histórico preservado ao longo de mais de um século.

Reconhecimento

A candidatura conjunta busca destacar não apenas o valor arquitetônico dos dois teatros, mas também a importância cultural que ambos representam para a Amazônia e para a história brasileira.

O reconhecimento da Unesco é concedido a bens considerados de valor universal excepcional e pode ampliar a visibilidade internacional, fortalecer ações de preservação e incentivar o turismo cultural na região.

Caso seja aprovada, a candidatura colocará o Teatro Amazonas entre os patrimônios mundiais reconhecidos pela Unesco, reforçando o papel do monumento como um dos maiores legados da riqueza e da produção cultural da Amazônia para o mundo.
 


Fonte: EBC Cultura

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Belchior completaria 80 anos nesta segunda-feira

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Um dos maiores compositores do Brasil completaria 80 anos nesta segunda-feira (26). Antônio Carlos Gomes Belchior é autor de canções como “Apenas um rapaz latino-americano” e “Como nossos pais”, gravadas 50 anos atrás, que o consagraram na música popular brasileira.

O rapaz latino-americano nascido em Sobral, no norte do Ceará, em outubro de 1946, cantava em feiras na infância, aprendeu piano, foi poeta e repentista. Estudou em seminário e ingressou no curso de medicina – que abandonou para se dedicar à música. 

Participou de festivais de música do nordeste e tocou ao lado de Fagner e Ednardo. Nos anos 70, Belchior se mudou para o sudeste e, entre o Rio de Janeiro e São Paulo, gravou discos como “Alucinação”, que completa 50 anos este ano e traz sucessos regravados por Elis Regina. Em versos como “o passado é uma roupa que não nos serve mais”, Belchior soube cantar as questões do seu tempo, com uma crítica ao clima de repressão da ditadura militar na letra de “Velha roupa colorida”.

O poeta cronista falava de um futuro e da vida em sociedade em melodias que passeavam entre a MPB, o rock e a música tradicional nordestina. 

A filha caçula do músico, a cantora Vannick Belchior, homenageia o pai em shows e no seu álbum de estreia “Meu nome é Cem”, que traz composições dele. Vannick relembra a presença marcante de Belchior nos palcos e na vida.  

“Eu lembro de uma vez que ele tava com uma camisa vermelha e uma calça verde e nossa, ele dava pirueta e fazia movimentos de karatê no palco e o público ensandecido. Completamente emocionado ali com a performance dele, única. Eu acho que para mim, como filha, o principal legado do meu pai é realmente essas amizades que ele deixou, as memórias, uma obra que me ensina muito enquanto mulher, enquanto ser humano, enquanto cidadã”.

Belchior morreu em 2017, aos 70 anos, vítima de um rompimento da artéria aorta. Nos últimos dez anos de vida, o músico viveu recluso entre o Uruguai e cidades do Rio Grande do Sul. Ele abandonou a vida pública, o que gerou várias teorias sobre seu desaparecimento. Em busca de respostas, os jornalistas Chris Fuscaldo e Marcelo Bortoloti escreveram o livro “Viver é melhor que sonhar”. Chris Fuscaldo conta o que descobriram no percurso.

“Belchior sempre foi esse homem que olhava para esse lugar do exílio com um certo romantismo. Foi seminarista quando jovem. E se isolou do mundo por um bom tempo. Então, o Belchior sempre teve esse desejo de exílio. A gente vê em muitas letras de Belchior,  essas possibilidades de experiências com o isolamento, com a mudança de vida. Em Velha Roupa Colorida, ele fala ‘o que há algum tempo era novo, jovem, hoje é antigo, precisamos rejuvenescer’. A gente fica sempre na dúvida se Belchior voltaria em algum momento, porque ele faleceu, então, a gente não tem essa resposta”.

O livro “Viver é melhor que sonhar” ganhou uma adaptação para o cinema, que deve estrear em dezembro. Também entre as homenagens ao artista está o documentário “Alucinação”, em cartaz na Mostra de Cinema de São Paulo.

Nos versos de “Sujeito de Sorte”, Belchior cantou que “ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro”. O músico que partiu há quase dez anos, segue muito vivo nas celebrações de sua obra e na memória evocada por seu cancioneiro.


Fonte: EBC Cultura

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