Cultura
Viva Maria homenageia Lívia Martins pelos seus 70 anos
Cultura
Nesta quinta-feira, 10 de setembro, em ritmo de festa, o Viva Maria é inteiramente dedicado a uma flor vitoriosa: a querida doutora Lívia Martins, que hoje celebra seus 70 anos!
Uma mulher que fez da medicina natural uma missão de vida e que, há tantos anos, floresce também na história do Viva Maria, com sua presença, seus saberes e sua paixão pelas plantas medicinais.
Não é por acaso que a doutora Lívia faz parte do calendário das Super Marias, que celebrou os 40 anos do nosso programa. E agora, na festa dos 45, ela é uma das homenageadas em versos no Cordel das Marias, com o qual a poeta de Xinguara,(PA), Kennya Silva, presenteou o nosso programa. Ouça a homenagem no player!

Cultura
90 anos Rádio Nacional: as ondas curtas que percorrem o mundo
Registro de gravação antiga 🎵
O áudio que você escutou foi transmitido pela Rádio Nacional da Amazônia e capturado em ondas curtas por um ouvinte no sudoeste da Virgínia, nos Estados Unidos.
Registro de gravação antiga 🎵
Esse segundo áudio também foi veiculado pela Rádio Nacional da Amazônia e chegou ao cartunista Carlos Latuff em Porto Alegre, no sul do Brasil. Como é possível que uma mesma emissora de rádio consiga ter um alcance tão grande? A explicação está nos ares… mais especificamente na ionosfera, uma camada da atmosfera que contém cargas elétricas. O professor de engenharia eletrônica Ronaldo Siqueira Barbosa explica como a ionosfera consegue propagar sinais de rádio de um ponto a outro.
“Dependendo do ponto alto que ela atinge a nossa ionosfera, altura mais ou menos de 400 km até 700 km de atmosfera, nós temos de reflexão em que você tem um meio de propagação em que a onda vai a grandes distâncias na Terra. Então eu posso fazer uma transmissão de Brasília para o Canadá, para a Europa e muitas vezes fazer até uma segunda volta pela ionosfera e chegar à própria Brasília”.
O sinal da Rádio Nacional da Amazônia é transmitido de uma antena que fica no Parque do Rodeador, na zona rural de Brasília. A historiadora Lia Calabre explica que o alcance nacional da emissora é efetivado com a transmissão em ondas curtas (OC).
“As ondas curtas são as mais longas, são as que atravessam o oceano. A gente está falando para uma geração que pensa em internet, né? Mas eram as ondas que atravessavam o oceano que nos permitiam ouvir a BBC de Londres, que permitiam inclusive ao Brasil transmitir para além dos seus limites territoriais, ter a antena voltada para os Estados Unidos, ter a antena voltada para a América Latina, ter a antena voltada para a Europa”.
Inaugurada em setembro de 1977, no governo de Ernesto Geisel, em plena ditadura militar, a emissora surgiu dentro de um projeto de integração nacional, para alcançar locais isolados, como a região da Floresta Amazônica onde, até então, só chegavam rádios estrangeiras. A jornalista Tereza Cruvinel, primeira presidenta da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), da qual a Rádio Nacional faz parte desde 2007, conta que o projeto inicial dos militares era criar uma grande rede internacional de rádio.
“Era um projeto ambicioso. E quando acabou o governo Médici e veio o governo Geisel, o milagre econômico tinha acabado. Então não havia mais dinheiro para fazer aquilo tão grande, e aí se voltaram para a Amazônia, vamos fazer a Rádio Nacional da Amazônia. Mas mesmo ela, se você olhar a programação daquele tempo, era uma programação muito pertinente a um serviço público, informações para os amazônidas, valorização da cultura, dos bens, das riquezas da Amazônia, e serviços de mensagens, que a rádio sempre se prestou a isso, né?”
As ondas curtas da Rádio Nacional da Amazônia conseguem chegar onde não há sinal de satélite, nem internet ou telefone. Taís Ladeira, ex-gerente das rádios da EBC, destaca o papel da emissora na prestação de serviços, no diálogo direto com os ouvintes e no direito à cidadania.
“Nas comunidades rurais, ribeirinhos, em regiões distantes dos grandes centros, a conexão desses moradores ao resto do país. A Rádio Nacional da Amazônia funcionava quase como uma rede social. As pessoas mandavam cartas e se comunicavam, reencontravam parentes. Passavam a conhecer o direito, por exemplo, ao registro civil de nascimento, que parecia algo muito distante delas, que por meio do tipo de programação que a Rádio Nacional da Amazônia fazia, era possível que essas pessoas se vissem dotadas desses direitos.”
Apelidada de “Orelhão da Amazônia”, no ano passado, a emissora ampliou sua faixa internacional, com conteúdos diários em inglês e espanhol para alcançar mais ouvintes pelo mundo.
*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia, sonoplastia de Jailton Sodré, da Rádio Nacional em São Paulo, e Sarah Quines.
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