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Cartas mostram confiança do CV em missionária para guardar dinheiro e objetos

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Conteúdo/ODOC – Presa desde julho, a missionária Rhavenna Barcelos de Almeida é apontada pela Polícia Civil como integrante de um círculo de confiança de membros do Comando Vermelho (CV) em Mato Grosso. Cartas enviadas por detentos indicam que ela era procurada para guardar dinheiro e objetos, além de intermediar entregas dentro e fora do sistema prisional.

Rhavenna realizava trabalhos missionários em penitenciárias de Mato Grosso e integra o projeto religioso Resgatando Vidas, que presta assistência a detentos da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá.

As correspondências foram encontradas na nuvem da investigada e integram um relatório elaborado pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).

Segundo os investigadores, Rhavenna utilizava o projeto religioso para se aproximar de integrantes da organização criminosa, manter contato com presos e foragidos e facilitar a troca de informações.

Nas cartas, ela era chamada pelos apelidos de “Piu” ou “Pio”. O número de telefone atribuído à missionária aparece repetidamente nas correspondências, assim como referências à mãe, Orminda, e às irmãs Lorena e Taninha.

Em uma das cartas, datada de 30 de junho de 2026 e assinada por um preso identificado como Julio, o remetente pede que Rhavenna leve um relógio e um pen drive e, posteriormente, guarde os objetos.

“VC guarda. Por favor. mim ajuda aí”, escreveu.

Outra correspondência, assinada por Junior da Silva, traz um pedido envolvendo dinheiro. O preso orienta Rhavenna a avisar a mãe sobre dois depósitos via Pix, nos valores de R$ 400 e R$ 150, para que o dinheiro fosse guardado. Na mesma carta, ele menciona um relógio e uma Bíblia que estariam com a missionária e pede que os objetos sejam levados ao presídio.

Em outra carta, assinada por “Escobar”, o detento pede que a mãe de Rhavenna pegue seu dinheiro e compre um relógio. Ele também afirma ter separado presentes para integrantes da família da investigada.

Para a Polícia Civil, o conteúdo das correspondências demonstra que Rhavenna e familiares integravam um “círculo de confiança” de membros da facção.

Relação com lideranças

A investigação também aponta que Rhavenna mantinha relações próximas com lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso.

Entre os nomes citados está Renildo da Silva Rios, conhecido como “Velhote” ou “Chapa”, apontado pela Polícia como uma das lideranças da facção e tratado nas conversas como “conselheiro final”.

Segundo o relatório, Rhavenna e Renildo mantinham um relacionamento amoroso e continuaram se comunicando mesmo durante o período em que ele estava preso.

O documento aponta ainda que a missionária teria recebido flores, presentes, alianças, joias, dinheiro, passagens e um veículo. Em fevereiro deste ano, ao comentar sobre uma reforma em sua residência, ela teria afirmado que Renildo pagaria pelos serviços.

Outro integrante citado na investigação é Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman”, também apontado pela Polícia como liderança do CV em Mato Grosso e atualmente foragido.

Conforme o relatório, Rhavenna também teria mantido um relacionamento amoroso com ele e teria conhecimento de sua localização após a fuga para o Rio de Janeiro.

Outros nomes ligados à facção aparecem nos contatos analisados pelos investigadores, entre eles Pedro Antônio dos Santos, o “Pedrinho/Cotonete”; Leonardo de Jesus, o “Buxudo/Buchudo”; e Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como “WT” ou “Wita”.

Operação

Rhavenna foi presa em julho durante a Operação Fariseus, que investiga a utilização de um projeto religioso para prestar apoio logístico, financeiro e de comunicação a integrantes de uma organização criminosa.

Ela foi indiciada pela Polícia Civil pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Posteriormente, o Ministério Público de Mato Grosso ofereceu denúncia contra ela e outros investigados pelos mesmos crimes.

Os pais da missionária, Orminda de Almeida e Nivaldo de Almeida, também foram alvos da investigação. Nivaldo morreu no último dia 5 de agosto após complicações decorrentes de um câncer.

O relatório também aponta a participação de outros familiares e de pessoas ligadas ao projeto religioso Resgatando Vidas.

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Adolescentes são conduzidas à Central de Flagrantes após ameaças contra mãe e avó

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A Guarda Municipal de Várzea Grande atendeu, no final da tarde desta segunda-feira (14), uma ocorrência envolvendo duas adolescentes suspeitas de ameaçar e tentar agredir familiares dentro de uma residência no bairro Santa Clara. A equipe foi acionada pelo Centro de Inteligência Municipal de Segurança, por meio do telefone 153, após receber informações sobre um conflito familiar.

De acordo com os relatos apresentados aos agentes, as adolescentes teriam adotado comportamento agressivo e feito ameaças graves contra a mãe e a avó de uma delas, inclusive afirmando que as vítimas seriam mortas. Os familiares relataram ainda que os conflitos no ambiente doméstico seriam recorrentes e que, em uma ocorrência anterior, uma das menores teria agredido fisicamente a própria mãe, que chegou a perder a consciência e precisou receber atendimento médico.

Durante o atendimento, os familiares informaram que uma das adolescentes havia deixado a residência no sábado (12) e retornado somente na segunda-feira. Ao ser questionada sobre onde havia permanecido durante o período, teria apresentado comportamento agressivo e tentado sair novamente do imóvel.

Os familiares também manifestaram preocupação com o comportamento das adolescentes e relataram suspeitas relacionadas ao possível uso de entorpecentes. Diante da situação e por envolver menores de idade, a Guarda Municipal acionou o Conselho Tutelar, que acompanhou o caso e orientou o encaminhamento das adolescentes à Central de Flagrantes para as providências cabíveis.

As duas menores foram conduzidas separadamente, acompanhadas por familiares e com apoio de uma segunda equipe da Guarda Municipal. Segundo a corporação, não houve necessidade de uso de algemas e não foram registrados incidentes durante o deslocamento.

As partes foram apresentadas na Central de Flagrantes, onde o caso ficou à disposição da autoridade competente para os procedimentos legais.

A Guarda Municipal de Várzea Grande reforça que atua na proteção da população e, em ocorrências envolvendo crianças e adolescentes, trabalha de forma integrada com o Conselho Tutelar e demais órgãos da rede de proteção, buscando preservar a segurança das vítimas e garantir o encaminhamento adequado de cada situação.

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