Cultura
Exposição em São Luís celebra vida e obra de Arthur Azevedo
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Dramaturgo, jornalista, poeta, contista, além de ser um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, Arthur Azevedo está sendo homenageado com uma exposição inédita no teatro que leva o seu nome em São Luís, Maranhão.

A mostra “Vida e Obra de Arthur Azevedo” apresenta livros raros, fotografias, cartazes, objetos históricos e itens relacionados à vida pessoal e à produção artística do escritor maranhense, ocupando espaços nos três andares do centenário teatro inaugurado em 1817 e o segundo mais antigo do Brasil em atividade.
A exposição também traz obras de outros autores de sua época, fotografias históricas, poemas e elementos relacionados à cenografia e à indumentária, com objetos de época e figurinos assinados por Armando Veras, mestre em história da indumentária maranhense do século XIX.
Frases célebres e uma cronologia com momentos marcantes da vida e carreira de Azevedo também ganham espaço na mostra.
“Vida e Obra de Arthur Azevedo”, em cartaz no Teatro Arthur Azevedo, que fica na Rua do Sol, no centro histórico da capital maranhense, fica aberta ao público até o dia 22 de novembro.
O jornalista e teatrólogo maranhense Arthur Azevedo nasceu em São Luís, em 1855.
Ele passou a viver no Rio de Janeiro a partir dos anos 1870, onde construiu uma carreira no impresso, na literatura e também no teatro.
É autor de mais de 70 peças teatrais, e seu trabalho é considerado um dos principais pontos de partida da dramaturgia nacional.
Ele também é um dos membros fundadores da Academia Brasileira de Letras, junto com o irmão, o escritor Aluísio Azevedo, ocupando a cadeira de número 29, que tem como patrono Martins Pena.
Parte de sua produção pode ser conhecida no site dominiopublico.gov.br.
Cultura
“Traçando Veríssimo”: mostra revela o processo criativo do cronista
“A passa é a múmia da fruta”. Frases como essa, escritas à mão em cadernos de rascunho dão uma noção do processo criativo de uma das mentes mais geniais do humor brasileiro.

Criador de personagens como o analista de Bagé, Ed Mort e a família Brasil, Luis Fernando Veríssimo escreveu mais de 80 livros, entre eles, “Comédias da Vida Privada”, e publicou cartuns e charges em jornais. Por meio da palavra ou do desenho, a produção do autor gaúcho se destacava pela leveza de raciocínio e humor refinado.
Em celebração aos 90 anos, que Veríssimo completaria em 26 de setembro, uma mostra gratuita em cartaz no Centro Cultural Fiesp em São Paulo reúne mais de 300 itens pessoais do autor, como cadernos, charges e originais de livros. Isa Pessoa, curadora da exposição, comenta que a ideia é mostrar ao público como nasciam as ideias ao longo de 50 anos de carreira do autor.
“Você todo dia escrever. Você sentar e aí tem assim: ‘o otimista’. Aí tem: ‘tá chovendo’. Aí tem as várias situações que o otimista… sabe? A cada dia. É quase entrar na pré-criação. Nas várias camadas da pré-criação: aquele bilhetinho de hotel que ele começa a desenhar um boneco é um pré-pai da família Brasil, né?”
Entre os itens expostos estão fotografias de quando o autor mais introspectivo do país foi homenageado pela escola Imperatriz do Samba no carnaval de Porto Alegre e desfilou num carro alegórico. Tem ainda uma flâmula do Internacional, time sobre o qual o colorado convicto escreveu sua primeira crônica.
A montagem da exposição “Traçando Veríssimo” foi organizada a partir de frases ditas pelo próprio autor. As Cobras, personagens que dão palpite sobre tudo, ocupam um espaço central na mostra. Isa Pessoa conta o que Veríssimo dizia sobre essa dupla.
“Ele dizia ‘olha, as cobras nasceram da preguiça, né? Eu sou mal desenhista e [para] as cobras basta um pescoço e dois olhinhos e você faz as cobras, é muito fácil’. A própria maneira até como ele conta é engraçada, né? […] Esse humor, de dentro do território da classe média, eu acho que o alcance pop dele sempre teve esse ancorado nesse grande navio”.
Luis Fernando Veríssimo morreu em agosto do ano passado, aos 88 anos. Seu último desenho, feito em março de 2022, foi dado à esposa Lúcia, e pode ser visto na mostra.
Fotos de Luis Fernando na infância e com o pai, o escritor Erico Veríssimo, também fazem parte da exposição. Uma réplica da poltrona vermelha que existia na casa da família está no segmento dedicado ao jazz, junto dos discos da coleção do autor. Ele tocava saxofone e clarinete, e quis ser músico antes de se tornar escritor. O primeiro livro “O Popular, crônicas ou coisa parecida” foi publicado quando já tinha 37 anos. Ao longo da vida, Luis Fernando Veríssimo se consagrou como um grande cronista que capturou o mundano com sagacidade em frases como “a morte é uma sacanagem, sou totalmente contra”.
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