Política
Dívida de R$ 3,2 milhões leva contratos da educação inclusiva ao TCE
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Uma dívida de R$ 3,2 milhões relacionada a serviços de atendimento educacional de crianças com deficiência colocou a Prefeitura de Várzea Grande sob análise do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT). A cobrança foi apresentada pela Campi – Residencial Inclusivo, responsável por um programa voltado à educação inclusiva no município.
Segundo a empresa, oito notas fiscais referentes a serviços prestados pela instituição permaneciam em aberto até 31 de agosto deste ano. Os documentos somam R$ 3.263.016,68, e a nota mais antiga foi emitida em outubro de 2024, ainda durante a gestão do ex-prefeito Kalil Baracat. A pendência também alcança a atual administração, comandada pela prefeita Flávia Moretti (PL).
A empresa levou o caso ao TCE por meio de uma Representação de Natureza Externa. Conforme os documentos apresentados, as notas estavam liquidadas ou em condições de liquidação, mas os pagamentos ainda não haviam sido realizados pelo município.
Ao prestar esclarecimentos no processo, a Prefeitura informou que os pagamentos estão previstos no cronograma financeiro da administração. O município, porém, reconheceu uma dificuldade na localização de parte da documentação apresentada pela empresa.
Quatro notas fiscais, de números 791, 797, 806 e 912, não foram encontradas nos registros consultados pela Coordenadoria Administrativa Financeira. A Prefeitura informou que serão necessárias diligências para localizar os documentos e dar continuidade à instrução dos respectivos processos.
O caso está sob relatoria do conselheiro Antonio Joaquim. Na análise da manifestação apresentada pelo município, ele ponderou que a ausência de determinados documentos nos registros internos não seria, por si só, justificativa suficiente para o não pagamento dos serviços que tenham sido efetivamente prestados.
O relator, contudo, também destacou os limites de atuação do Tribunal de Contas. Segundo a decisão, o TCE não tem como finalidade resolver demandas que envolvam exclusivamente interesses particulares, embora possa adotar providências caso sejam identificadas irregularidades na gestão dos recursos públicos.
A representação continua em tramitação e poderá resultar em novas medidas e eventual aplicação de sanções, caso sejam constatadas irregularidades na condução dos contratos e dos pagamentos.
A situação chama atenção ainda pelo impacto sobre uma política pública voltada à educação inclusiva. Atualmente, o programa citado no processo atende 348 crianças com deficiência em Várzea Grande.
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GAFFFF 2026: diferentes olhares apontam os desafios que movem o agronegócio brasileiro
Nos dias 1º e 2 de outubro de 2026, São Paulo recebeu mais uma edição do Global Agribusiness Festival (GAFFFF), considerado o maior festival mundial de conteúdo e cultura do agronegócio.
Com uma programação que combina conteúdo, negócios, entretenimento e gastronomia, o GAFFFF é estruturado a partir de quatro pilares, representados pelos quatro “Fs” do nome: Forum, Fair, Fun e Food. O Forum concentra debates, palestras e painéis com especialistas e autoridades; o Fair promove a aproximação entre empresas, startups e produtores; o Fun leva entretenimento ao público; e o Food apresenta experiências relacionadas à gastronomia.
Mais do que apresentar tendências e tecnologias, o evento também se tornou um espaço para ouvir diferentes perspectivas sobre os desafios enfrentados pelo agronegócio brasileiro.
Para Gilvania Rufino, Líder Regional de Mato Grosso da XP Investimentos, “o grande desafio do agro hoje é transformar a complexidade do agronegócio em planejamento financeiro.” É justamente nesse ponto que, para ela, eventos como o GAFFFF ganham importância. Ao colocar lado a lado produtores, instituições financeiras, empresas e especialistas, o festival possibilita que diferentes partes da cadeia se aproximem e compreendam melhor as necessidades umas das outras.
A dimensão do potencial brasileiro esteve presente na avaliação de José Luiz Tejon, jornalista, publicitário, professor, escritor e conferencista atuante no agronegócio. Ao analisar o cenário atual, Tejon chama atenção para uma característica que acompanha o Brasil há décadas: a capacidade de produção e a posição estratégica que o país ocupa no agronegócio mundial. No entanto, “Para mim, o maior desafio do agro hoje é transformar todas as possibilidades em realidade”, afirma José Tejon.
A reflexão parte da própria trajetória do agronegócio brasileiro. Tejon ressalta que o país construiu, ao longo dos últimos 50 anos, conhecimento, tecnologia e capacidade produtiva que permitiram ao Brasil alcançar uma posição de destaque no mercado internacional.
Na visão do especialista, entretanto, ter potencial não é suficiente. É preciso transformar aquilo que o país possui em oportunidades efetivas, não apenas para o produtor e para as empresas, mas também para o desenvolvimento do Brasil e para sua participação no cenário mundial.
Enquanto alguns dos desafios estão relacionados à gestão e à capacidade de transformar oportunidades em resultados, Romeu Ciochetta, produtor rural, chama atenção para uma questão que está cada vez mais presente no debate sobre o setor: a comunicação.
Para ele, o agronegócio precisa comunicar melhor à sociedade o que produz, como trabalha e a importância de sua atividade. Mais do que falar sobre o tamanho do setor, é necessário mostrar o trabalho realizado diariamente por produtores e profissionais que integram toda a cadeia. “Para mim, o maior desafio do agro hoje é a comunicação. Comunicar a todos sobre o que o agro faz, e que faz bem feito”, afirmou Ciochetta.
A percepção do produtor aponta para a necessidade de aproximar o consumidor e a sociedade da realidade do campo. Em um momento em que o agronegócio está presente em discussões econômicas, ambientais e sociais, comunicar de maneira clara aquilo que é produzido e como esse processo acontece se torna uma ferramenta importante.
A realidade do agronegócio, entretanto, não se limita àquilo que acontece dentro das propriedades rurais. Para Antonielly Rottoli, idealizadora do Mulheres do Agro de Rondônia, existem desafios estruturais que precisam ser enfrentados para que o setor continue crescendo.
Entre eles, ela destaca três pontos: logística, infraestrutura e empregabilidade. Nesse contexto, Antonielly vê o GAFFFF como um ambiente que vai além dos grandes debates. Para ela, o evento representa uma oportunidade de acesso a informações, tecnologias e, principalmente, de construção de relacionamentos.
O agro brasileiro já demonstrou sua capacidade de crescer e conquistar espaço no mundo. O desafio agora, como apontaram os participantes, é transformar todo esse potencial em realidade, fazendo com que o desenvolvimento do setor seja acompanhado por mais conexão, informação, planejamento e oportunidades.
Andreia Azevedo
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