Cultura
Diploma Heloneida Studart de Cultura abre inscrições no Rio
Cultura
Artistas e instituições voltadas a cultura no Rio de Janeiro já podem se inscrever para a edição 2026 do Diploma Heloneida Studart de Cultura, concedido pela a Assembleia Legislativa do estado (Alerj).

O título, que tem caráter de reconhecimento público e não prevê premiação financeira, é uma forma de reconhecimento às manifestações que nascem nas periferias e nos territórios populares, valorizando artistas e coletivos que preservam memórias, constroem identidades e movimentam suas comunidades.
A iniciativa contempla, ainda, diferentes linguagens e expressões, como artes cênicas, visuais e audiovisual; música, literatura, culturas populares, tradicionais e urbana; gastronomia, gestão cultural e patrimônio.
Em 2025, o prêmio recebeu mais de 700 inscrições. Nas edições de 2023 e 2024, foram reconhecidos, respectivamente, 109 e 100 fazedores de cultura e instituições fluminenses.
As inscrições para esta 17ª edição vão até o dia 6 de novembro. Podem participar pessoas físicas e instituições públicas e privadas com atuação cultural em qualquer região do Rio de Janeiro. Os interessados devem procurar a Comissão de Cultura da Alerj. O resultado está previsto para 19 de novembro.
Criado em 2009, o diploma homenageia a jornalista, escritora, dramaturga, feminista e ex-deputada estadual Heloneida Studart, que dedicou sua trajetória à cultura, à democracia e à defesa dos direitos das mulheres. Ela morreu em dezembro de 2007, aos 75 anos./
Cultura
Belchior completaria 80 anos nesta segunda-feira
Um dos maiores compositores do Brasil completaria 80 anos nesta segunda-feira (26). Antônio Carlos Gomes Belchior é autor de canções como “Apenas um rapaz latino-americano” e “Como nossos pais”, gravadas 50 anos atrás, que o consagraram na música popular brasileira.

O rapaz latino-americano nascido em Sobral, no norte do Ceará, em outubro de 1946, cantava em feiras na infância, aprendeu piano, foi poeta e repentista. Estudou em seminário e ingressou no curso de medicina – que abandonou para se dedicar à música.
Participou de festivais de música do nordeste e tocou ao lado de Fagner e Ednardo. Nos anos 70, Belchior se mudou para o sudeste e, entre o Rio de Janeiro e São Paulo, gravou discos como “Alucinação”, que completa 50 anos este ano e traz sucessos regravados por Elis Regina. Em versos como “o passado é uma roupa que não nos serve mais”, Belchior soube cantar as questões do seu tempo, com uma crítica ao clima de repressão da ditadura militar na letra de “Velha roupa colorida”.
O poeta cronista falava de um futuro e da vida em sociedade em melodias que passeavam entre a MPB, o rock e a música tradicional nordestina.
A filha caçula do músico, a cantora Vannick Belchior, homenageia o pai em shows e no seu álbum de estreia “Meu nome é Cem”, que traz composições dele. Vannick relembra a presença marcante de Belchior nos palcos e na vida.
“Eu lembro de uma vez que ele tava com uma camisa vermelha e uma calça verde e nossa, ele dava pirueta e fazia movimentos de karatê no palco e o público ensandecido. Completamente emocionado ali com a performance dele, única. Eu acho que para mim, como filha, o principal legado do meu pai é realmente essas amizades que ele deixou, as memórias, uma obra que me ensina muito enquanto mulher, enquanto ser humano, enquanto cidadã”.
Belchior morreu em 2017, aos 70 anos, vítima de um rompimento da artéria aorta. Nos últimos dez anos de vida, o músico viveu recluso entre o Uruguai e cidades do Rio Grande do Sul. Ele abandonou a vida pública, o que gerou várias teorias sobre seu desaparecimento. Em busca de respostas, os jornalistas Chris Fuscaldo e Marcelo Bortoloti escreveram o livro “Viver é melhor que sonhar”. Chris Fuscaldo conta o que descobriram no percurso.
“Belchior sempre foi esse homem que olhava para esse lugar do exílio com um certo romantismo. Foi seminarista quando jovem. E se isolou do mundo por um bom tempo. Então, o Belchior sempre teve esse desejo de exílio. A gente vê em muitas letras de Belchior, essas possibilidades de experiências com o isolamento, com a mudança de vida. Em Velha Roupa Colorida, ele fala ‘o que há algum tempo era novo, jovem, hoje é antigo, precisamos rejuvenescer’. A gente fica sempre na dúvida se Belchior voltaria em algum momento, porque ele faleceu, então, a gente não tem essa resposta”.
O livro “Viver é melhor que sonhar” ganhou uma adaptação para o cinema, que deve estrear em dezembro. Também entre as homenagens ao artista está o documentário “Alucinação”, em cartaz na Mostra de Cinema de São Paulo.
Nos versos de “Sujeito de Sorte”, Belchior cantou que “ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro”. O músico que partiu há quase dez anos, segue muito vivo nas celebrações de sua obra e na memória evocada por seu cancioneiro.
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