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Safra brasileira movimentou R$ 783 bilhões em 2024, diz IBGE

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira (11) os resultados da Produção Agrícola Municipal (PAM) de 2024, confirmando que o agro brasileiro segue como um dos motores da economia nacional.

A soja, principal cultura do país, manteve a liderança em valor gerado, alcançando R$ 260,2 bilhões com uma produção de 144,5 milhões de toneladas. Mesmo com ajustes climáticos que reduziram parte do rendimento, a oleaginosa continua expandindo área plantada e consolidando-se como a commodity mais rentável e estratégica para o Brasil.

O levantamento mostra que, no total, a produção agrícola somou R$ 783,2 bilhões em 2024, resultado que reflete um cenário global de preços mais baixos, mas que não impediu o avanço de culturas importantes. O algodão bateu recorde histórico, chegando a 8,5 milhões de toneladas, enquanto o café teve um salto expressivo de valor, crescendo mais de 58% em relação ao ano anterior e movimentando R$ 69,2 bilhões. A cana-de-açúcar também avançou em valor bruto, atingindo R$ 105 bilhões.

Segundo o IBGE, a área plantada total chegou a 97,3 milhões de hectares, 1,2% maior que em 2023. A soja foi novamente o destaque da expansão, ganhando 1,8 milhão de hectares adicionais e ocupando novas fronteiras agrícolas. Combinados, soja, milho, café, algodão e cana seguem representando a maior parte do valor bruto da produção nacional, reforçando o peso do campo na balança comercial e no abastecimento interno.

Fonte: Pensar Agro

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Usina transforma dejetos suínos em combustível e abre nova frente de renda no campo

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A geração de energia a partir de resíduos da produção animal começou a ganhar escala no Brasil com a entrada em operação da primeira usina de biometano da América Latina certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para uso de dejetos suínos. A planta está localizada em Campos Novos (350 km da capital, Florianópolis), no Meio-Oeste de Santa Catarina, uma das principais regiões produtoras de proteína animal do país.

O projeto recebeu cerca de R$ 65 milhões em investimentos e tem capacidade de produzir até 16 mil metros cúbicos de biometano por dia, combustível renovável que pode substituir o gás natural em aplicações industriais e veiculares. A iniciativa conecta geração de energia, tratamento de resíduos e renda adicional para produtores integrados à cadeia da suinocultura.

O Brasil abriga um dos maiores rebanhos suínos do mundo, com produção anual superior a 5 milhões de toneladas de carne, concentrada principalmente na região Sul. Esse volume gera uma quantidade significativa de resíduos, que historicamente representam passivo ambiental e custo de manejo. A conversão desses dejetos em biogás e, posteriormente, em biometano, muda essa lógica ao transformar resíduo em ativo econômico.

A usina opera com biodigestores do tipo CSTR, tecnologia que permite a decomposição controlada da matéria orgânica e a geração de biogás. Esse gás é então purificado por membranas até atingir pureza superior a 96%, padrão exigido para comercialização como biometano. A certificação da ANP garante rastreabilidade e viabiliza a inserção do produto no mercado formal de energia.

Além do combustível, o projeto gera subprodutos com valor comercial, como CO₂ de grau alimentício e biofertilizantes, ampliando o conceito de economia circular dentro da propriedade rural. Outro componente relevante é a emissão de créditos de descarbonização (CBios), que cria uma fonte adicional de receita atrelada à redução de emissões.

A iniciativa ocorre em um momento de expansão do mercado de biogás no país. O Brasil já conta com mais de 900 plantas em operação, segundo dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), mas a maior parte ainda voltada à geração elétrica. O biometano, por sua vez, representa uma etapa mais avançada da cadeia, com maior valor agregado e potencial de substituição de combustíveis fósseis.

Em Santa Catarina, a forte presença da suinocultura cria condições favoráveis para esse tipo de projeto. O estado é um dos principais produtores de suínos do país e concentra uma cadeia integrada, com cooperativas e agroindústrias estruturadas, o que facilita a coleta de resíduos e a viabilização econômica das usinas.

A expansão já está no radar. A empresa responsável projeta investimentos superiores a R$ 500 milhões no estado nos próximos anos, com novos projetos de biometano voltados ao aproveitamento de resíduos agropecuários.

Para o produtor rural, o modelo abre uma nova frente de receita e reduz custos ambientais. Ao integrar produção animal, geração de energia e fertilização do solo, o sistema cria um ciclo mais eficiente e sustentável, com impacto direto na rentabilidade da atividade.

O avanço do biometano indica uma tendência mais ampla no agronegócio brasileiro: a incorporação de energia à lógica produtiva. Assim como ocorreu com o etanol e o biodiesel, a geração de combustível a partir de resíduos deve ganhar espaço e se consolidar como mais um eixo de diversificação dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

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