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Cinco vidas salvas: Várzea Grande realiza segunda captação histórica de órgãos

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O gesto de amor e generosidade, mesmo em meio a uma dor profunda, permitiu que os rins, o fígado e as córneas pudessem ser destinados a pacientes de três estados que aguardavam em fila nacional pelo transplante

Em um gesto de amor que atravessa a dor, o Pronto-Socorro e Hospital Municipal de Várzea Grande (PSHMVG) escreveu, mais um dos capítulos emocionantes de sua história. Pela segunda vez, desde a fundação da unidade na década de 1980 — e a primeira na gestão da prefeita Flávia Moretti (PL) —, uma força-tarefa foi mobilizada para realizar a captação de múltiplos órgãos no último dia 21 de agosto. A ação vai beneficiar cinco pessoas que aguardavam, em diferentes estados do país, uma nova chance de viver.

Em meio ao luto, a família aceitou doar os órgãos, permitindo o compartilhar de esperança para outras famílias.

A ação também reforça a importância de que as famílias conversem sobre a doação de órgãos. No Brasil, a autorização dos parentes é obrigatória e, muitas vezes, a decisão rápida pode ser determinante para salvar vidas.

Segundo a médica Adriana Podanowski, que coordenou a equipe do PSHMVG no processo, foi necessário um intenso trabalho de mobilização. “Desde a madrugada, profissionais de diversas áreas se uniram, em parceria com a Central Estadual de Transplantes de Mato Grosso, para que tudo acontecesse dentro dos protocolos exigidos. Esse é um momento de sensibilidade, mas também de conscientização sobre a importância da doação de órgãos”, destacou.

Foram captados os rins, o fígado e as córneas que foram destinados a pacientes de três estados que aguardavam em fila nacional pelo transplante.

Para a prefeita Flávia Moretti, o feito histórico representa mais do que um avanço médico: é um símbolo de solidariedade. “A decisão dessa família vai muito além da tragédia que a atingiu. Ela se traduz em vida, esperança e amor. Agradecemos a todos os profissionais envolvidos, que demonstraram comprometimento, agilidade e sensibilidade nesse processo tão complexo”, afirmou a gestora.

UMA CORRIDA CONTRA O TEMPO – O Dr. Luiz Gustavo Diaz, cirurgião geral de transplante de fígado do Distrito Federal, que participou da captação do fígado, explicou a complexidade da operação e como o Brasil inteiro se mobiliza nesses casos. “Cada estado tem a sua Central de Transplantes e, quando surge uma doação, todos estudam a logística para garantir que os órgãos cheguem em tempo aos pacientes da fila. É uma corrida contra o tempo, que envolve equipes altamente especializadas e protocolos rigorosos”, explicou.

Segundo o médico, atualmente cerca de mil pacientes aguardam um transplante de fígado no Brasil, mas o órgão mais solicitado é o rim, com aproximadamente 300 mil pessoas na fila de espera. “Quando surge uma doação, o país inteiro se movimenta. Cada órgão representa uma oportunidade de vida e por isso cada segundo é precioso”, ressaltou.

O TRANSPORTE – A logística envolveu equipes médicas do Distrito Federal, da Central de Transplante do Estado de Mato Grosso e do Pronto-Socorro e Hospital Municipal de Várzea Grande. A escolta dos órgãos até o aeroporto contou com apoio da Guarda Municipal, que formou um corredor seguro e ágil ao transporte dos órgãos. A operação foi coordenada pela inspetora Célia Rodrigues.

“É um momento de grande responsabilidade e emoção. Escoltar os órgãos é algo que nos toca profundamente. Saber que outras vidas poderão ser salvas causa uma comoção”, disse emocionada.

ORGULHO PARA VÁRZEA GRANDE – Para a subsecretaria municipal de Saúde de Várzea Grande, Erika Carvalho, o feito histórico mostra a importância de investimentos e de uma gestão humanizada. “Ter a nossa unidade envolvida em uma ação dessa dimensão mostra o quanto o Pronto-Socorro de Várzea Grande está preparado para atuar com excelência, mesmo diante de situações tão delicadas. Essa captação representa o esforço coletivo de profissionais comprometidos, que não mediram esforços para salvar vidas”, destacou.

A subsecretária pontua que há uma tratativa com a Central de Transplante do Estado de implantar uma Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), dentro da unidade várzea-grandense que é referência para Mato Grosso.

A coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Anita Ricarda da Silva, destaca que a Central investe em capacitações voltadas aos profissionais dos hospitais que podem notificar doações.

“Trabalhamos incansavelmente em ações para conscientizar a sociedade e as equipes notificadoras, pois a doação de órgãos e tecidos só é possível com o apoio coletivo. A captação de múltiplos órgãos é uma operação complexa, que envolve muitos profissionais em prol da vida”, frisou.

Para a Secretária Municipal de Saúde, Deisi Bocalon, esse é um momento de muita emoção tanto para a família enlutada, como também, a do paciente que vai receber o órgão. “É emocionante! Isso é lutar pela vida. Agradecemos imensamente à família que, mesmo vivendo um momento de dor profunda, teve a generosidade de permitir que outras pessoas, que também sofriam à espera de um transplante, fossem beneficiadas e salvas. Esse ato de amor transcende a perda e se transforma em esperança”, declarou.

AVANÇOS EM MATO GROSSO – A médica Michelli Dalto, da equipe de captação de rins do Estado, destacou que Mato Grosso vem crescendo no número de captações, mas reforçou a importância do diálogo familiar. “A dor da perda é imensa, mas a doação transforma essa dor em esperança. Uma única decisão pode salvar muitas vidas. É fundamental que as famílias conversem sobre a importância de doar”, afirmou.

Atualmente, o Hospital São Mateus, em Cuiabá, é o único no estado habilitado para realizar transplantes renais. Segundo Michelli, o Estado trabalha para, em breve, habilitar também procedimentos de transplante hepático (fígado), o que vai ampliar ainda mais as possibilidades de salvar vidas dentro de Mato Grosso.

Fonte: Prefeitura de Várzea Grande – MT

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Várzea Grande

Projeto Raízes da Paz encerra ciclo de nove meses com resultados positivos em escola de Várzea Grande

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A Prefeitura de Várzea Grande, por meio da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (SMECEL), segue fortalecendo parcerias e incentivando projetos que ultrapassam os conteúdos tradicionais da sala de aula e contribuem diretamente para a formação social e emocional dos estudantes da rede municipal.

Um exemplo desse trabalho é o projeto Raízes da Paz, desenvolvido em parceria com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que encerrou, nesta sexta-feira (23), um ciclo de nove meses de atividades na Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) Joaquim da Cruz Coelho. A solenidade de encerramento foi realizada no TJMT e reuniu estudantes, educadores e profissionais envolvidos na iniciativa.

A unidade foi escolhida para receber o projeto-piloto após um levantamento identificar a necessidade de desenvolver ações de acolhimento e prevenção de conflitos na comunidade escolar. A partir da parceria entre o TJMT e a SMECEL, foram realizadas atividades envolvendo estudantes, familiares e profissionais da Educação.

Durante os nove meses, o Raízes da Paz promoveu círculos de construção de paz, oficinas, palestras e momentos de escuta, diálogo e reflexão. As ações trabalharam sentimentos, relações familiares, convivência, respeito e a capacidade de crianças e adolescentes expressarem suas dificuldades e serem ouvidos.

Representando a secretária municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Maria Fernanda Figueiredo, Leyze Grecco agradeceu ao TJMT pela parceria e destacou que iniciativas como essa fortalecem o trabalho desenvolvido pela Prefeitura dentro das unidades escolares.

“Sabemos, de forma efetiva, que os círculos trazem resultados. Muitas crianças e jovens não possuem um lugar de fala dentro da família ou mesmo no meio social. Esse espaço de escuta pode gerar transformação, porque é ouvindo que conseguimos identificar os problemas e buscar caminhos para resolvê-los. Nem sempre é fácil falar, às vezes dói, mas nossos alunos abraçaram o projeto e participaram com afinco”, destacou Leyze, que também agradeceu aos estudantes, profissionais da Educação e demais envolvidos.

Para a diretora da EMEB Joaquim da Cruz Coelho, Rosalina Marques de Almeida, os resultados já podem ser percebidos no cotidiano escolar. Segundo ela, o projeto ajudou principalmente crianças que apresentavam dificuldades para falar sobre sentimentos e se posicionar diante de outras pessoas.

“O impacto foi muito positivo e essencial. Muitas crianças eram tímidas e não tinham desenvoltura para falar. O projeto contribuiu para que elas aprendessem a dialogar, se expressar e falar também sobre suas dificuldades. Esse desenvolvimento acaba refletindo inclusive nas atividades escolares”, afirmou.

Rosalina explicou que a parceria chegou à unidade por intermédio da Secretaria Municipal de Educação, após o TJMT apresentar a proposta e avaliar diferentes comunidades escolares.

Projeto-piloto pode abrir caminho para novas ações – O coordenador do projeto na Comarca de Várzea Grande, Aparecido Donizete da Silva, explicou que o Raízes da Paz nasceu da parceria entre o Tribunal de Justiça e a Secretaria Municipal de Educação. A EMEB Joaquim da Cruz Coelho foi escolhida para a experiência piloto e, segundo ele, a receptividade da equipe escolar foi fundamental para os resultados alcançados.

“A escola abraçou o projeto. Fizemos círculos, ouvimos famílias, realizamos palestras com a equipe escolar, pais e alunos e trabalhamos com as crianças e adolescentes. O resultado foi muito bom”, avaliou.

Aparecido ressaltou ainda que a proposta tem como uma de suas principais bases o protagonismo de crianças e adolescentes, oferecendo espaços onde possam falar sobre si, aprender a ouvir e desenvolver novas formas de enfrentar conflitos.

“A ideia principal é dar protagonismo ao jovem. Muitas vezes, a gente não precisa falar, precisa ouvir. Quando a criança entende que pode falar e que será ouvida, isso pode transformar a vida dela, da família e, consequentemente, da sociedade”, explicou.

A parceria também investiu na preparação dos profissionais da rede municipal. Conforme o coordenador, cerca de 100 profissionais da Educação de Várzea Grande já foram capacitados para atuar como facilitadores dos círculos, ampliando as possibilidades de continuidade da metodologia nas escolas.

Entre os estudantes que participaram das atividades está Ayra Kelly Feitosa da Costa, de 6 anos. Com a espontaneidade própria da infância, ela contou que participou dos círculos e das atividades sobre sentimentos e aprendeu, principalmente, a importância de ouvir.

“Eu participei do Círculo da Paz e dos desenhos sobre os sentimentos. A gente aprende coisas novas, aprende a escutar outras pessoas e a perceber o que está sentindo naquele momento”, contou.

Para Ayra, a paz está diretamente ligada ao cuidado com o próximo. “A paz simboliza o amor de uma pessoa pela outra. A gente pode ajudar outras pessoas, ouvir melhor, não provocar brigas e não xingar”, resumiu.

Fonte: Prefeitura de Várzea Grande – MT

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