Cultura
Abraccine atualiza lista dos 100 filmes brasileiros essenciais
Cultura
A Associação Brasileira de Críticos de Cinema, a Abraccine, divulgou nesta semana uma atualização da lista com os 100 filmes brasileiros mais importantes de todos os tempos.

A entidade, que existe há 15 anos e reúne mais de 180 críticos de cinema de todo o Brasil, publicou a primeira versão da lista em 2015. Na época, também lançou um livro detalhando a escolha das obras.
Nesta nova atualização, a Abraccine reforça que a seleção não representa necessariamente, os melhores filmes, mas sim aqueles considerados essenciais para a cinematografia brasileira.
Além de incluir filmes lançados no período de 2016 a 2026, como “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, e “As Boas Maneiras” , de Juliana Rojas e Marco Dutra, a nova lista também apresenta maior diversidade, ampliando o número de filmes dirigidos por mulheres e negros.
A Radiografia da produção audiovisual brasileira atualizada cita obras da década de 1930 até os dias atuais, começando pelo filme “Limite”, do cineasta Mário Peixoto, lançado em 1931, passando por “Macunaíma” de Joaquim Pedro de Andrade, produzido já no final da década de 60 e encerrando com “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça, como título mais recente desse apanhado da cinematografia nacional.
Os 100 títulos estão disponíveis no site abraccine.org.
Assim como aconteceu na primeira edição, as obras escolhidas também vão ganhar uma publicação especial, prevista para ser lançada até o fim deste ano, com textos críticos e análises históricas, estéticas e temáticas.
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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