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Cineclube Afrodite leva programação gratuita a territórios de Alagoas

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 Em Alagoas, o projeto Cineclube Afrodite levará cinema gratuito, oficinas e debates para vários municípios neste segundo semestre

 O projeto de Cineclube Afrodite, criado em Alagoas, em 2025, vai levar mais uma vez cinema gratuito, oficinas, debates e outras ações para vários municípios do estado neste segundo semestre.

Em alusão ao Julho das Pretas, a programação de abertura do projeto será dedicada ao movimento com o lançamento de duas obras inéditas de realizadoras alagoanas no Cine Arte Pajuçara, localizado na Galeria Center Pajuçara, na Av Dr. Antônio Gouveia, orla da capital. A sessão começa às seis da tarde.

Os filmes de abertura são “Osún de Mão Dada Com Oyá”, da diretora estreante Sal Bernardo; e “Batuque das Ondas”, de Elizabeth Caldas e  Manu Preta – que também estreia na direção. Os curtas têm como eixo central a ancestralidade, a cultura afro-brasileira e o protagonismo de mulheres negras.

O Cineclube Afrodite prioriza a circulação de obras produzidas em Alagoas e por realizadores negros, indígenas, mulheres e pessoas LGBTQIAPN+, contribuindo para fortalecer o audiovisual independente e democratizar o acesso ao cinema brasileiro contemporâneo. 

Segundo a Dagô Produções, que coordena as ações do projeto, após a estreia, o Cineclube Afrodite seguirá em circulação por diferentes territórios de Alagoas, levando sessões de cinema, rodas de conversa e ações formativas para quilombos, casas de matriz africana e outros espaços comunitários, ampliando o acesso ao audiovisual e fortalecendo as narrativas negras no estado.


Fonte: EBC Cultura

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Belchior completaria 80 anos nesta segunda-feira

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Um dos maiores compositores do Brasil completaria 80 anos nesta segunda-feira (26). Antônio Carlos Gomes Belchior é autor de canções como “Apenas um rapaz latino-americano” e “Como nossos pais”, gravadas 50 anos atrás, que o consagraram na música popular brasileira.

O rapaz latino-americano nascido em Sobral, no norte do Ceará, em outubro de 1946, cantava em feiras na infância, aprendeu piano, foi poeta e repentista. Estudou em seminário e ingressou no curso de medicina – que abandonou para se dedicar à música. 

Participou de festivais de música do nordeste e tocou ao lado de Fagner e Ednardo. Nos anos 70, Belchior se mudou para o sudeste e, entre o Rio de Janeiro e São Paulo, gravou discos como “Alucinação”, que completa 50 anos este ano e traz sucessos regravados por Elis Regina. Em versos como “o passado é uma roupa que não nos serve mais”, Belchior soube cantar as questões do seu tempo, com uma crítica ao clima de repressão da ditadura militar na letra de “Velha roupa colorida”.

O poeta cronista falava de um futuro e da vida em sociedade em melodias que passeavam entre a MPB, o rock e a música tradicional nordestina. 

A filha caçula do músico, a cantora Vannick Belchior, homenageia o pai em shows e no seu álbum de estreia “Meu nome é Cem”, que traz composições dele. Vannick relembra a presença marcante de Belchior nos palcos e na vida.  

“Eu lembro de uma vez que ele tava com uma camisa vermelha e uma calça verde e nossa, ele dava pirueta e fazia movimentos de karatê no palco e o público ensandecido. Completamente emocionado ali com a performance dele, única. Eu acho que para mim, como filha, o principal legado do meu pai é realmente essas amizades que ele deixou, as memórias, uma obra que me ensina muito enquanto mulher, enquanto ser humano, enquanto cidadã”.

Belchior morreu em 2017, aos 70 anos, vítima de um rompimento da artéria aorta. Nos últimos dez anos de vida, o músico viveu recluso entre o Uruguai e cidades do Rio Grande do Sul. Ele abandonou a vida pública, o que gerou várias teorias sobre seu desaparecimento. Em busca de respostas, os jornalistas Chris Fuscaldo e Marcelo Bortoloti escreveram o livro “Viver é melhor que sonhar”. Chris Fuscaldo conta o que descobriram no percurso.

“Belchior sempre foi esse homem que olhava para esse lugar do exílio com um certo romantismo. Foi seminarista quando jovem. E se isolou do mundo por um bom tempo. Então, o Belchior sempre teve esse desejo de exílio. A gente vê em muitas letras de Belchior,  essas possibilidades de experiências com o isolamento, com a mudança de vida. Em Velha Roupa Colorida, ele fala ‘o que há algum tempo era novo, jovem, hoje é antigo, precisamos rejuvenescer’. A gente fica sempre na dúvida se Belchior voltaria em algum momento, porque ele faleceu, então, a gente não tem essa resposta”.

O livro “Viver é melhor que sonhar” ganhou uma adaptação para o cinema, que deve estrear em dezembro. Também entre as homenagens ao artista está o documentário “Alucinação”, em cartaz na Mostra de Cinema de São Paulo.

Nos versos de “Sujeito de Sorte”, Belchior cantou que “ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro”. O músico que partiu há quase dez anos, segue muito vivo nas celebrações de sua obra e na memória evocada por seu cancioneiro.


Fonte: EBC Cultura

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