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Evento na Paraíba celebra herança e costumes quilombolas do estado

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Comunidades quilombolas da Paraíba se reúnem a partir desta terça-feira (21) no município Dona Inês para celebrar suas heranças culturais e ancestrais, além de realizar ações de fortalecimento do turismo e da economia local, ligadas às suas identidades e saberes.

O Quilombo Cruz da Menina, localizado na zona rural de Dona Inês e certificado como remanescente quilombola pela Fundação Cultural Palmares em março de 2008, será palco, até o próximo dia 25 de julho, do 6º Festival da Cultura Quilombola.

A programação destaca a atuação dos moradores de cerca de 10 comunidades quilombolas paraibanas em setores como arte, moda, esporte, cultura e economia. Além dos anfitriões, participam do Festival representantes de quilombos localizados em outras cidades. Entre elas, Alagoa Grande, Areia, Catolé do Rocha, Conde, Ingá e Pombal.

No primeiro dia de programação, a Cozinha do Quilombo realiza oficinas voltadas para receitas, técnicas e modos de fazer que foram preservados nas comunidades, como a produção de linguiças caseiras e carne de sol. Em outra frente, ao longo da semana, acontecerão as oficinas de trança nagô, capoeira, pife, artesanato e cerâmica. 

Destaque também para a programação do sábado, quando haverá Forró Pé de Serra, desfile de moda quilombola, um painel com arranjos produtivos dos quilombos, além de apresentações de grupos de diferentes comunidades quilombolas da Paraíba, que apresentarão manifestações como coco, ciranda, lapinha, dança e capoeira.

No último dia do festival acontece a entrega da Comenda Ancestral Céu do Talhado para cinco lideranças quilombolas femininas. A honraria homenageia a memória de Dona Maria do Céu Ferreira da Silva, a Céu das Louceiras, do quilombo Serra do Talhado, e reconhece essas mulheres por seu empenho no fortalecimento da cultura, da memória, dos saberes tradicionais e da resistência do povo de quilombo paraibano

Os eventos vão acontecer na Escola Municipal Educador Paulo Freire e no Ginásio da Associação dos Remanescentes do Quilombo Cruz da Menina. Os dias e horários estão disponíveis nas redes sociais da Prefeitura de Dona Inês. O festival será encerrado com um cortejo guiado pelo Grupo Pífano Pôr do Sol até o Mirante Cruz da Menina, a partir das cinco da tarde.


Fonte: EBC Cultura

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Belchior completaria 80 anos nesta segunda-feira

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Um dos maiores compositores do Brasil completaria 80 anos nesta segunda-feira (26). Antônio Carlos Gomes Belchior é autor de canções como “Apenas um rapaz latino-americano” e “Como nossos pais”, gravadas 50 anos atrás, que o consagraram na música popular brasileira.

O rapaz latino-americano nascido em Sobral, no norte do Ceará, em outubro de 1946, cantava em feiras na infância, aprendeu piano, foi poeta e repentista. Estudou em seminário e ingressou no curso de medicina – que abandonou para se dedicar à música. 

Participou de festivais de música do nordeste e tocou ao lado de Fagner e Ednardo. Nos anos 70, Belchior se mudou para o sudeste e, entre o Rio de Janeiro e São Paulo, gravou discos como “Alucinação”, que completa 50 anos este ano e traz sucessos regravados por Elis Regina. Em versos como “o passado é uma roupa que não nos serve mais”, Belchior soube cantar as questões do seu tempo, com uma crítica ao clima de repressão da ditadura militar na letra de “Velha roupa colorida”.

O poeta cronista falava de um futuro e da vida em sociedade em melodias que passeavam entre a MPB, o rock e a música tradicional nordestina. 

A filha caçula do músico, a cantora Vannick Belchior, homenageia o pai em shows e no seu álbum de estreia “Meu nome é Cem”, que traz composições dele. Vannick relembra a presença marcante de Belchior nos palcos e na vida.  

“Eu lembro de uma vez que ele tava com uma camisa vermelha e uma calça verde e nossa, ele dava pirueta e fazia movimentos de karatê no palco e o público ensandecido. Completamente emocionado ali com a performance dele, única. Eu acho que para mim, como filha, o principal legado do meu pai é realmente essas amizades que ele deixou, as memórias, uma obra que me ensina muito enquanto mulher, enquanto ser humano, enquanto cidadã”.

Belchior morreu em 2017, aos 70 anos, vítima de um rompimento da artéria aorta. Nos últimos dez anos de vida, o músico viveu recluso entre o Uruguai e cidades do Rio Grande do Sul. Ele abandonou a vida pública, o que gerou várias teorias sobre seu desaparecimento. Em busca de respostas, os jornalistas Chris Fuscaldo e Marcelo Bortoloti escreveram o livro “Viver é melhor que sonhar”. Chris Fuscaldo conta o que descobriram no percurso.

“Belchior sempre foi esse homem que olhava para esse lugar do exílio com um certo romantismo. Foi seminarista quando jovem. E se isolou do mundo por um bom tempo. Então, o Belchior sempre teve esse desejo de exílio. A gente vê em muitas letras de Belchior,  essas possibilidades de experiências com o isolamento, com a mudança de vida. Em Velha Roupa Colorida, ele fala ‘o que há algum tempo era novo, jovem, hoje é antigo, precisamos rejuvenescer’. A gente fica sempre na dúvida se Belchior voltaria em algum momento, porque ele faleceu, então, a gente não tem essa resposta”.

O livro “Viver é melhor que sonhar” ganhou uma adaptação para o cinema, que deve estrear em dezembro. Também entre as homenagens ao artista está o documentário “Alucinação”, em cartaz na Mostra de Cinema de São Paulo.

Nos versos de “Sujeito de Sorte”, Belchior cantou que “ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro”. O músico que partiu há quase dez anos, segue muito vivo nas celebrações de sua obra e na memória evocada por seu cancioneiro.


Fonte: EBC Cultura

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