Cultura
Manaus recebe a 4ª edição do Amazon Poranga Fashion
Cultura
O mercado de moda autoral de profissionais da região Amazônica será o destaque do Amazon Poranga Fashion, evento gratuito que acontece em Manaus e reúne mais de 20 marcas estabelecidas na região.

Além dos desfiles com lançamentos de coleções, a programação, que começa nesta sexta-feira (28) e segue até o próximo domingo (30), no Ideal Clube – Casa de Economia Criativa; inclui debates sobre moda, empreendedorismo, tecnologia e economia criativa. A proposta é aproximar criadores, profissionais e o público das diferentes perspectivas da moda produzida na Amazônia.
Pelas redes sociais do evento, o coordenador de projetos, Felipe Taveira, fala sobre a nova estrutura da quarta edição, que vai ocupar vários espaços do Ideal Clube.
“Os comércios locais aqui de fora também vão colaborar diretamente com essa execução. E dentro desse mesmo ambiente a gente também vai ter os painéis, os talks, e, no ambiente de cima a programação com cronograma dos desfiles individuais. A feira de artesanato vai estar disposta em uma das salas que vai ser voltada para artesãos e cooperativas que sempre são parceiros da Amazon Poranga; todo o ambiente vai estar vivo, vai estar pulsando a economia criativa.”
Já Thaís Arévola, produtora e diretora criativa do Poranga, reforça a importância do espaço como vitrine para a profissionalização e a valorização da moda produzida na região Amazônica.
“A gente percebe como as marcas que estiveram com o Amazon Poranga desde o início amadureceram muito, tanto para fazer desfiles, quanto a sua marca em si, seu branding, tudo isso. Então é realmente perceber e esperar que as marcas evoluam cada vez mais; que cada vez mais entreguem um trabalho mais bonito ainda. E estejam sempre alcançando não só essa notoriedade regional, mas também nacional.”
Para conferir o dia a dia da programação, basta acessar o instagram do evento.
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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