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Comissão aprova ações educativas e campanha sobre fibromialgia

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A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou proposta que cria ações de conscientização sobre a fibromialgia.

A fibromialgia é uma síndrome que se caracteriza por dores generalizadas, principalmente na musculatura. Também pode causar fadiga, distúrbios no sono, alterações de memória e atenção, ansiedade, depressão e alterações intestinais podem acometer os pacientes.

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a doença é relativamente comum e afeta cerca de 2% a 3% da população brasileira. A incidência é maior em mulheres entre 30 e 50 anos.

A proposta altera a Lei 14.233/21, que criou o Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Fibromialgia, comemorado anualmente em 12 de maio.

Parecer favorável
A relatora, deputada Bia Kicis (PL-DF), apresentou parecer favorável ao substitutivo da Comissão de Saúde ao Projeto de Lei 4521/21, do deputado Dr. .Jaziel (PL-CE). 

Bia Kicis alterou o trecho sobre ações educativas para evitar a criação de disciplinas obrigatórias que possam interferir na autonomia das universidades.

Próximos passos
A proposta tramitou em caráter conclusivo e pode seguir para a análise do Senado, a menos que haja recurso para votação pelo Plenário da Câmara. 

Maio Roxo
O texto aprovado estabelece que, durante o mês de maio, será realizada a campanha Maio Roxo, de conscientização sobre a fibromialgia.

A campanha incluirá:

  • Publicação de informações, em redes sociais e sites, em linguagem simples e acessível sobre dor crônica, fibromialgia, direito a tratamento adequado, acesso a assistência farmacêutica e benefícios de práticas integrativas e complementares; 
  • Incentivo à educação continuada para profissionais de saúde, com foco no atendimento humanizado, no diagnóstico precoce e no tratamento adequado; 
  • Realização de cursos, palestras e eventos presenciais e virtuais com profissionais de saúde, gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) e pessoas com fibromialgia; e
  • Iluminação dos prédios públicos, quando possível, na cor roxa.

SUS e graduação
A proposta também modifica a lei que
estabelece diretrizes para o atendimento prestado pelo SUS às pessoas com Síndrome de Fibromialgia ou Fadiga Crônica (Lei 14.075/23).

Pelo texto, os cursos de graduação na área da saúde deverão incluir em seus currículos a disciplina relativa ao ensino de dor crônica. Além disso, as pessoas com dor crônica deverão receber atendimento integral pelo SUS, a ser regulamentado pelos órgãos competentes.

Reportagem – Paula Bittar
Edição – Ana Chalub

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Endometriose: até quando vamos achar normal sentir dor?

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Durante muito tempo, nós mulheres ouvimos que sentir muita cólica era normal. Que algumas tinham mais dor do que outras e que bastava tomar um remédio e esperar passar. Mas será que precisa ser assim?

A endometriose é uma doença crônica que pode provocar dores fortes, principalmente durante a menstruação, além de dor durante a relação sexual, alterações intestinais e urinárias e, em alguns casos, dificuldades para engravidar. O problema é que muitas mulheres passam anos convivendo com esses sintomas até descobrir o que realmente está acontecendo.

Segundo o Ministério da Saúde, a endometriose pode atingir entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva. Mais preocupante ainda é o tempo que muitas pacientes levam para receber o diagnóstico: a média pode chegar a sete anos entre o início dos sintomas e a confirmação da doença.

Para mim, esse número mostra o quanto ainda precisamos falar sobre o assunto. Porque uma coisa é sentir um desconforto que passa e não interfere na rotina. Outra é ter uma dor que faz a mulher faltar ao trabalho, deixar de sair, evitar uma relação sexual ou simplesmente passar os dias esperando a menstruação terminar.

Depois do diagnóstico, o cuidado também precisa olhar para além da própria doença. A endometriose pode estar acompanhada de alterações musculares e funcionais na região pélvica, que também precisam ser avaliadas. É nesse momento que a fisioterapia pélvica pode fazer parte do tratamento.

Na fisioterapia, avaliamos como essa mulher está se movimentando, como está a musculatura do assoalho pélvico, onde existe tensão, quais movimentos provocam desconforto e de que maneira esses sintomas estão interferindo na rotina. A partir dessa avaliação, podemos trabalhar estratégias individualizadas para melhorar a função, diminuir desconfortos e contribuir para uma melhor qualidade de vida.

É importante deixar claro que a fisioterapia pélvica não cura a endometriose e não substitui o acompanhamento médico. Ela pode fazer parte de um tratamento multidisciplinar, atuando principalmente nas alterações musculares e funcionais relacionadas à dor. E existe um assunto que muitas vezes fica escondido: a vida sexual.

A dor durante a relação pode acontecer em mulheres com endometriose e, com o tempo, pode fazer com que elas passem a evitar a intimidade por medo de sentir dor novamente. Isso pode afetar a autoestima, os relacionamentos e a própria percepção que a mulher tem sobre o seu corpo.  Não devemos tratar isso como algo que ela simplesmente precisa aceitar.

Setembro também nos convida a falar sobre saúde sexual. No dia 4, foi celebrado o Dia Mundial da Saúde Sexual, uma data que reforça que sexualidade, bem-estar e qualidade de vida também fazem parte do cuidado com a saúde.

Na Uropelv, vejo de perto como muitas mulheres chegam procurando ajuda depois de muito tempo convivendo com algum tipo de desconforto. E, muitas vezes, uma das primeiras coisas que elas precisam ouvir é que aquilo que estão sentindo merece atenção.

Não existe exagero em procurar ajuda quando a dor começa a atrapalhar a vida. Se a cólica é tão forte que impede suas atividades, se existe dor durante a relação, desconforto pélvico frequente ou se você percebe que sua rotina está sendo limitada por esses sintomas, converse com um profissional de saúde e busque uma avaliação.

Não precisamos aprender a conviver com a dor.

Como fisioterapeuta, acredito que cuidar da saúde pélvica também é devolver à mulher a possibilidade de viver sua rotina com mais conforto, segurança e qualidade de vida.

Contem comigo!

* Karla Mercedes é fisioterapeuta em saúde pélvica e proprietária da Uropelv, clínica especializada em saúde uropélvica, nutrição e pilates, localizada em Cuiabá.

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