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Memória, luta e esperança: 19 de abril, Dia dos Povos Indígenas

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Há povos que existem antes mesmo de existir o Brasil. Que pisaram nesta terra antes de qualquer fronteira ser traçada, antes de qualquer bandeira ser fincada. São os povos indígenas, guardiões de saberes que atravessam milênios, vozes que o tempo insiste em silenciar, mas que resistem com uma força que poucos conseguem compreender.

O dia 19 de abril foi escolhido para homenageá-los. Desde 2022, pela Lei 14.402, a data passou a se chamar Dia dos Povos Indígenas e essa mudança importa. Não são “índios”, palavra genérica nascida de um equívoco histórico. São povos. Mais de 266 povos, com línguas, culturas e histórias próprias. São os Xavante, os Kayapó, os Bororo, os Kurâ-Bakairi, os Parecis, os Rikbaktsa e tantos outros que habitam o Mato Grosso e fazem deste Estado um lugar de riqueza cultural sem igual.

De acordo com o IBGE, são mais de 1,6 milhão de indígenas no Brasil. Em Mato Grosso, são 46 povos e mais de 60 mil pessoas em terras que são suas por direito. Mas a realidade que enfrentam é de luta. Invasão de terras, desmatamento, garimpo ilegal, violência, falta de saúde e educação. Batalhas que acontecem agora, enquanto comemoramos.

Os povos indígenas não são um passado a ser lembrado com nostalgia. São um presente que merece respeito, políticas públicas e representatividade real. E é sobre representatividade que Mato Grosso tem uma notícia histórica para contar. Na semana do Dia dos Povos Indígenas, a Assembleia Legislativa recebeu, pela primeira vez em 190 anos, uma mulher indígena ocupando cadeira de deputada estadual.

Eliane Xunakalo, do povo Kurâ-Bakairi, oriunda da Terra Indígena Santana, em Nobres, tomou posse no dia 15 de abril na vaga do deputado Lúdio Cabral. Advogada, especialista em Direitos Indígenas e primeira mulher a presidir a Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso, ela declarou: “Hoje quem assume não é a Eliane do Povo Bakairi, mas os 46 povos e mais de 60 mil indígenas de Mato Grosso.”

Essa frase precisa ser sentida. Não é apenas uma posse. É um símbolo de que as portas do poder podem se abrir para quem sempre foi excluído. “Estou muito feliz por realizar um sonho dos meus ancestrais”, disse ela. Há gerações de lutas e vozes caladas que agora ecoam nas paredes desta Assembleia.

Como presidente desta Casa, celebro com orgulho e responsabilidade. A representatividade indígena no Parlamento não pode ser passageira. Precisamos avançar na saúde indígena, na educação diferenciada, no combate ao racismo e à violência. Precisamos ouvir mais e legislar melhor.

Neste 19 de abril, que a data inspire ações concretas, políticas que chegam às aldeias, leis que protegem e orçamentos que respeitam a vida indígena como vida humana plena. Os povos indígenas não precisam da nossa pena. Precisam do nosso respeito, da nossa escuta e da nossa ação. E enquanto houver um rio a defender, uma terra a demarcar, uma criança indígena esperando por saúde e educação, haverá luta. E haverá, também, esperança.

*MAX RUSSI é deputado estadual e atual presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso

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Unimed Cuiabá, 51 anos: uma história que exige coragem para seguir avançando

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Uma história de 51 anos não se constrói sem desafios. E uma instituição que chega a essa marca precisa ter mais do que motivos para comemorar: precisa ter coragem para reconhecer o que ainda precisa ser feito, disposição para superar obstáculos e responsabilidade para preparar o futuro.

Neste 20 de outubro, a Unimed Cuiabá celebra 51 anos de uma trajetória que começou com a iniciativa de médicos que acreditaram na força do cooperativismo. O que nasceu do compromisso de profissionais com a medicina e com o trabalho coletivo tornou-se uma das principais referências da saúde suplementar em Mato Grosso. Essa história merece ser celebrada, mas também nos impõe uma responsabilidade: continuar avançando.

Ao longo dessas cinco décadas, a cooperativa acompanhou o crescimento de Cuiabá e da região, ampliou sua atuação e respondeu às mudanças da medicina e às necessidades de milhares de pessoas. Cada etapa trouxe conquistas, mas também exigiu decisões difíceis. Afinal, cuidar da saúde é uma atividade que não admite acomodação. A demanda cresce, a tecnologia evolui, os custos aumentam e a expectativa por um atendimento cada vez melhor exige investimentos permanentes.

É nesse cenário que precisamos compreender a dimensão do nosso trabalho. Fortalecer a Unimed Cuiabá significa garantir condições para que ela continue cuidando das pessoas, valorizando seus médicos cooperados e cumprindo seu papel por muitas outras décadas.

Um dos caminhos para isso é o fortalecimento da rede própria. A ampliação da nossa estrutura assistencial representa mais do que a abertura de unidades ou a incorporação de equipamentos. Significa ampliar a capacidade de atendimento, aproximar serviços, integrar etapas do cuidado e oferecer melhores condições para que médicos e equipes multiprofissionais exerçam seu trabalho.

A inauguração do Hospital Unimed Cuiabá, em maio de 2025, representa um marco nessa trajetória. Com pronto atendimento adulto e infantil, centro cirúrgico, internação, unidades de terapia intensiva, laboratório e diagnóstico por imagem, o hospital ampliou a capacidade assistencial da cooperativa e abriu novas possibilidades para o atendimento de diferentes níveis de complexidade.

Mas um hospital não se resume à sua estrutura física. Seu verdadeiro valor está na capacidade de acolher pacientes, apoiar o trabalho médico e oferecer assistência segura e resolutiva. É isso que buscamos consolidar diariamente, com equipes qualificadas, tecnologia, organização dos processos e atenção às necessidades de cada pessoa.

Esse movimento se soma aos investimentos em laboratórios próprios, centros de especialidades, clínicas multidisciplinares, fisioterapia e serviços voltados à prevenção e à promoção da saúde. A ampliação dessas estruturas permite diversificar os pontos de acesso e fortalecer o acompanhamento dos beneficiários, inclusive daqueles que precisam de cuidados contínuos.

Também avançamos com iniciativas que olham para além do tratamento da doença. Programas de medicina preventiva, atendimento multiprofissional e serviços digitais contribuem para ampliar o acesso e tornar a assistência mais próxima da rotina das pessoas. O desafio é fazer com que essas frentes funcionem de maneira cada vez mais integrada, porque saúde não se resume a consultas, exames ou internações. Ela envolve prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e acompanhamento.

Nenhum desses avanços, entretanto, acontece de forma isolada. Por trás de cada serviço estão médicos cooperados, colaboradores e profissionais que sustentam a operação e fazem o cuidado acontecer. Por isso, a expansão da rede precisa caminhar junto com a valorização do cooperado e com a melhoria contínua das condições de trabalho. O médico é a razão de existir da nossa cooperativa, e fortalecer essa relação é indispensável para o futuro da Unimed Cuiabá.

Também precisamos falar de sustentabilidade. Na saúde suplementar, crescer sem responsabilidade compromete o amanhã. É necessário administrar recursos com rigor, buscar eficiência, rever processos e tomar decisões que conciliem qualidade assistencial e equilíbrio econômico-financeiro. Esse trabalho nem sempre é visível para quem utiliza os serviços, mas é essencial para manter a estrutura funcionando, honrar compromissos e viabilizar novos investimentos.

Superar desafios faz parte da história da Unimed Cuiabá. O momento atual exige capacidade de gestão, diálogo, transparência e união em torno de objetivos comuns. Não basta preservar o que foi construído. Precisamos corrigir rumos quando necessário, aperfeiçoar o que já funciona e ter coragem para realizar as mudanças que o futuro exige.

É essa visão que deve orientar os próximos anos: uma cooperativa mais forte, sustentável, eficiente e preparada para responder às transformações da saúde. Uma instituição que invista em sua rede própria sem perder de vista a importância dos médicos cooperados, que incorpore tecnologia sem abrir mão da humanização e que cresça sem se afastar de sua essência cooperativista.

Ao completarmos 51 anos, agradeço a todos os médicos cooperados, colaboradores, parceiros e beneficiários que fazem parte dessa história. Cada um, à sua maneira, contribui para que a Unimed Cuiabá siga cumprindo sua missão.

A data é de celebração, mas também de compromisso. Temos um legado importante a preservar e muito trabalho pela frente. Nosso dever é transformar a experiência acumulada em capacidade de realização, os desafios em oportunidades de melhoria e os investimentos em benefícios concretos para quem confia em nosso trabalho.                                             Carlos Bouret, diretor-presidente da Unimed Cuiabá

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