Opinião

Julho Verde: diagnóstico precoce salva vidas no câncer de cabeça e pescoço

Publicado em

Opinião

Por Rogério Leite

Pouco conhecido pelo grande público, o câncer de cabeça e pescoço está entre os mais incidentes no Brasil, sobretudo entre os homens. Atinge regiões como boca, língua, garganta, laringe, faringe, seios da face, glândulas salivares e até a pele do rosto e do pescoço. O grande desafio está no diagnóstico precoce, já que, muitas vezes, os primeiros sinais são confundidos com problemas simples, como aftas ou dor de garganta.

O tabagismo continua sendo o principal fator de risco, especialmente quando combinado ao consumo excessivo de álcool — uma combinação que pode aumentar em até 20 vezes a probabilidade de desenvolver a doença. A infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), a má higiene bucal, a exposição solar sem proteção (sobretudo para o câncer de lábio) e o histórico familiar também merecem atenção.

Fique atento aos sinais. Os sintomas mais comuns incluem:

·         Feridas na boca que não cicatrizam

·         Rouquidão persistente

·         Dificuldade para engolir

·         Dor de garganta frequente

·         Caroços no pescoço

·         Sangramentos

·         Dor de ouvido

Se esses sinais persistirem por mais de 15 dias, é fundamental buscar avaliação médica. O diagnóstico é feito com base em exames clínicos e de imagem, além da biópsia da lesão suspeita.

Quando detectado precocemente, o câncer de cabeça e pescoço apresenta chances de cura superiores a 70%, com menor impacto na qualidade de vida do paciente. Em estágios mais avançados, o tratamento tende a ser mais agressivo e pode comprometer funções como fala, respiração e deglutição, além de deixar sequelas funcionais e estéticas.

A prevenção ainda é a principal aliada nessa luta. Abandonar o cigarro, moderar ou eliminar o consumo de álcool, manter boa higiene bucal, usar preservativo (inclusive nas relações orais), proteger-se do sol e fazer visitas regulares ao dentista e ao médico são atitudes simples, mas poderosas. Neste Julho Verde, a campanha reforça a importância da informação e do olhar atento aos sinais do corpo — porque quanto mais cedo se age, maiores são as chances de vencer a doença.

Falar sobre câncer ainda é um tabu para muitos, mas ignorar os sintomas pode custar caro. O diagnóstico precoce aumenta as chances de um tratamento eficaz e preserva a qualidade de vida. Prevenir, informar e agir são os primeiros passos para vencer essa luta. Compartilhe esta mensagem — ela pode salvar vidas.

*Dr. Rogério Leite é cirurgião oncológico, especialista em cirurgia de cabeça e pescoço, com foco em câncer de tireoide e tireoidite de Hashimoto. Com mais de 20 mil cirurgias realizadas, alia prática clínica, ciência e prevenção para promover saúde com excelência.

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Opinião

Para muitas mulheres, ter para onde ir é o começo da liberdade

Publicados

em

Por Scheila Pedroso

Quando falamos sobre violência contra a mulher, uma pergunta sempre me inquieta: quantas mulheres querem sair de uma situação de violência, mas simplesmente não têm para onde ir?

Ao longo da minha trajetória na gestão pública, aprendi que os problemas da vida real raramente chegam separados. A falta de moradia, a dependência financeira, a vulnerabilidade social e a violência muitas vezes fazem parte da mesma história.

Por isso, enfrentar a violência contra a mulher exige mais do que dizer a ela que denuncie. É preciso garantir que, depois da denúncia, exista uma rede capaz de acolher, proteger e, principalmente, criar condições para que ela possa reconstruir a própria vida.

Neste Agosto Lilás, essa reflexão precisa ir além das campanhas e chegar às políticas públicas.

Uma mulher precisa se sentir segura para pedir ajuda. Precisa saber onde procurar apoio. Precisa ter condições de trabalhar, sustentar seus filhos e recomeçar. E, muitas vezes, precisa de algo tão básico quanto um lugar seguro para chamar de casa.

Durante muitos anos trabalhando com políticas públicas, aprendi que cuidar das pessoas também significa compreender a realidade que existe por trás de cada problema. Não basta tratar a consequência sem olhar para aquilo que mantém uma mulher presa a uma situação de violência.

Combater a violência também é construir autonomia.

É garantir proteção, oportunidade, renda, moradia e dignidade para que nenhuma mulher precise escolher entre permanecer onde sente medo ou partir sem saber para onde ir.

Agosto é Lilás. Mas esse compromisso precisa existir o ano inteiro.

Scheila Pedroso
Arquiteta, gestora pública e pré-candidata a deputada estadual.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA