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Cuiabá avança na causa animal e políticas de adoção responsável

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A cena de famílias conhecendo cães em busca de um lar, registrada recentemente na Feira de Adoção promovida pela Diretoria de Bem-Estar Animal (BEA), no Parque Tia Nair, vai além de um evento pontual. Ela revela um debate mais amplo e urgente: a necessidade de transformar, de forma profunda e permanente, a maneira como a sociedade lida com os animais. Abandono, maus-tratos e adoções impulsivas seguem como desafios diários, mas iniciativas públicas e o trabalho técnico das equipes especializadas indicam que a mudança é possível, e começa pela informação e pela responsabilidade.

Abandono ainda é o maior desafio

Vinculada à Secretaria Municipal de Governo, a BEA atua na linha de frente do resgate, acolhimento, tratamento e encaminhamento de cães e gatos abandonados ou vítimas de violência em Cuiabá. Segundo a médica veterinária Ana Celmiro Santos Silva, assessora técnica da diretoria, o maior obstáculo ainda é a falta de consciência. Ela explica que o número de animais abandonados, incluindo filhotes e adultos, é elevado e, muitas vezes, consequência direta de adoções feitas sem preparo ou compromisso. “O abandono e os maus-tratos continuam sendo uma realidade dura. Por isso, o trabalho educativo é indispensável, principalmente para evitar que essas situações se repitam no futuro”, ressalta.

Educação para mudar comportamentos

Para a veterinária, a educação é a base de qualquer mudança estrutural. Programas como o EducaPet, que promove palestras e ações educativas em escolas e comunidades, cumprem papel estratégico ao alcançar crianças e adolescentes. A lógica é simples e eficaz: a informação adquirida cedo se espalha para dentro das famílias, ajudando a formar uma nova geração mais consciente e empática em relação aos animais. “As crianças são a esperança de uma transformação duradoura”, afirma.

Esse esforço educativo já começa a refletir no comportamento da população. De acordo com Ana Celmiro, hoje é possível perceber um interesse maior das pessoas em buscar informações antes de adotar. Questões como castração, vacinação, temperamento do animal e adequação ao espaço da casa ou do apartamento passaram a fazer parte das conversas. Há também uma busca mais frequente por animais que possam interagir com idosos ou auxiliar no bem-estar emocional das famílias, reforçando o entendimento do pet como parte integrante do lar, e não como um objeto descartável.

Quando o animal vira parte da família

Os benefícios dessa convivência são amplamente reconhecidos pela área técnica. A presença de um animal pode contribuir para a redução do estresse, auxiliar em quadros de depressão e fortalecer vínculos afetivos. Segundo a veterinária, há relatos de famílias que observam melhora significativa no estado emocional de pessoas em sofrimento psíquico após a adoção. “O animal oferece acolhimento, companhia e um carinho que, muitas vezes, se expressa apenas pelo olhar, mas que tem um impacto muito positivo”, explica.

Ainda assim, adotar exige responsabilidade. Cuidar de um animal não é difícil, desde que haja informação básica sobre saúde, alimentação, vermifugação, vacinação e castração. O procedimento, além de ajudar no controle populacional, contribui para um comportamento mais dócil e reduz fugas. Nesse processo, a BEA se coloca como parceira da população, oferecendo orientação por telefone, atendimento presencial e ações educativas em escolas, condomínios e instituições.

Se o trabalho educativo aponta sinais de avanço, a realidade operacional do resgate e do acolhimento impõe outros desafios. A médica veterinária Andressa Fernanda Ribeiro Maciel, técnica do Canil Municipal, destaca que a logística é um dos principais entraves. O resgate envolve animais arredios ou agressivos, locais de difícil acesso e a necessidade de garantir segurança tanto para as equipes quanto para os próprios animais. Por isso, o serviço segue protocolos rigorosos, exigindo informações detalhadas antes de cada atendimento.

O Canil Municipal funciona como a principal porta de entrada para esses animais. Aberto ao público de segunda a sexta-feira, em horário comercial, o espaço abriga cães resgatados que passam por triagem e atendimento veterinário até estarem aptos para adoção. Atualmente, a estrutura opera próxima do limite, com cerca de 110 animais acolhidos, número considerado alto para garantir conforto e bem-estar adequados.

A situação se agrava em períodos específicos do ano, como o fim do ano, quando há aumento expressivo de abandonos. Esse fenômeno está ligado, principalmente, ao nascimento de filhotes. Sem controle reprodutivo, muitas pessoas se desesperam diante das crias e abandonam não apenas os filhotes, mas também a mãe, tanto no caso de cães quanto de gatos. Nesses casos, o Bem-Estar Animal oferece suporte com castração, vacinação, insumos e atendimento clínico, mas enfrenta limitações físicas para acomodar todos os resgates necessários.

Adoção responsável como compromisso coletivo

Diante desse cenário, a adoção responsável ganha ainda mais relevância. Cada animal adotado representa não apenas uma vida transformada, mas também a liberação de uma vaga para um novo resgate. Andressa reforça que adotar é assumir um compromisso de longo prazo. “É uma vida que vai gerar custos, demanda atenção e cuidado constante. Não basta acolher quando está tudo bem; é preciso estar presente também quando o animal adoece”, afirma.

Apesar de reconhecer o empenho de protetores independentes e famílias comprometidas, a veterinária avalia que o abandono ainda ocorre com frequência preocupante. Para ela, a mudança cultural precisa avançar. “Existem pessoas que fazem o bem, mas ainda há muita irresponsabilidade. A causa animal exige mais empatia e compromisso coletivo”, observa.

No ponto em comum entre as diferentes visões técnicas está a certeza de que nenhum esforço isolado é suficiente. A transformação depende da união entre poder público, profissionais, protetores e sociedade. A mensagem final é clara e direta: animais precisam de lar, amor e atenção contínua. Ao assumir a guarda de um pet, a pessoa passa a ter uma responsabilidade ética com uma vida que oferece afeto incondicional. Estar ao lado do animal, em todas as fases, é o mínimo esperado em uma relação que deve ser baseada em respeito, cuidado e humanidade.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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Cuiabá

Congresso em Cuiabá aborda sexualidade, violência e segurança no ambiente digital

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A Prefeitura de Cuiabá, por meio das secretarias municipais de Educação e da Mulher, promoveu neste domingo (18) o Congresso BASES, voltado à proteção de crianças e adolescentes. O encontro foi realizado no hotel Fazenda Mato Grosso e reuniu pais, educadores, gestores escolares e profissionais de diferentes áreas para discutir a prevenção de violências e os cuidados necessários para garantir um desenvolvimento saudável e seguro durante a infância e a adolescência.

A diretora de Políticas Públicas da secretaria da mulher, Eduarda Butaca, explicou que o objetivo é preparar os profissionais que lidam diretamente com crianças e adolescentes para reconhecer situações de risco, abordar o assunto de maneira adequada e orientar sobre como buscar ajuda.

“É importante que esses gestores, professores e psicólogos, que estão na ponta lidando com essas crianças, saibam como trabalhar esse assunto. A ideia é que elas tenham entendimento de determinadas situações e saibam a quem pedir ajuda”, afirmou.

Entre os temas abordados esteve a prevenção ao abuso sexual infantil. A psicóloga e especialista em sexualidade Leiliane Rocha falou sobre como pais, educadores e integrantes da rede de proteção podem atuar na prevenção, identificação e acolhimento de vítimas.

“Cuidar das bases lá na infância é fundamental para que a criança tenha um desenvolvimento integral saudável e saiba se proteger”, destacou a palestrante.

A programação também tratou dos impactos da pornografia na adolescência e da importância da orientação sobre sexualidade, prevenção e proteção contra diferentes formas de violência.

Segurança no ambiente digital

Os riscos da internet e a influência da tecnologia nas relações familiares também estiveram entre os assuntos discutidos. A neuroeducadora parental Larissa Massis, especialista em dependências tecnológicas e saúde digital, destacou a importância de orientar crianças, adolescentes e pais sobre situações como bullying, cyberbullying e violência sexual on-line.

“O Congresso BASES nasceu de um movimento de proteção à infância e à adolescência e busca aproximar famílias, educadores e profissionais para fortalecer a atuação conjunta. A proposta é conectar pessoas para que a gente possa trabalhar, gerando uma grande rede de proteção no nosso estado”, explicou.

A professora Aparecida da Costa Silva, que trabalha com crianças autistas, também participou do congresso em busca de novos conhecimentos. Com 29 anos de experiência na educação, ela é geógrafa, historiadora, pedagoga e especialista em autismo, além de cursar mestrado na área educacional.

Para ela, participar de encontros como esse contribui para a atualização dos profissionais e para a melhoria do trabalho desenvolvido com os alunos.

“Tirei meu domingo para estar aqui porque realmente vale a pena. Toda informação referente à infância, adolescência, crianças e educação, eu estou sempre buscando. A educação é um processo em que a cada dia a gente aprende mais. Eu aprendo com meus alunos e estou aqui mais um dia para aprender”, afirmou.

A diretora de Ensino da Secretaria Municipal de Educação, Ivone Machado Ferreira, reforçou a importância de manter ações de conscientização sobre a prevenção ao abuso e a outras formas de violência contra crianças e adolescentes. Ela também defendeu a continuidade do congresso nos próximos anos.

“Essa conscientização é fundamental para que nossas crianças e adolescentes possam crescer protegidos e amparados”, destacou.

Atividades e sorteios

Além das palestras e atividades, os participantes acompanharam dois intervalos para coffee break, um no período da manhã e outro à tarde, além do intervalo para almoço.

O evento também contou com sorteios de uma mala de viagem, duas air fryers, seis kits de cama e 13 kits de brindes.

Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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