Mato Grosso
Aumento em tarifa de quem tem energia solar gera reclamações, mas investimento segue vantajoso
Mato Grosso
O aumento recente nas contas de energia de consumidores que possuem sistemas de geração solar em Mato Grosso gerou reclamações e dúvidas, especialmente após faturas apresentarem valores muito acima do previsto pela legislação. O tema foi debatido nesta quarta-feira (14.01), durante entrevista do diretor de Geração Distribuída do Sindenergia MT, Edem James de Campos Oliveira, ao Jornal da Capital, da Rádio Capital FM, em Cuiabá.
Segundo ele, a cobrança adicional para quem possui energia solar já está prevista desde a Lei nº 14.300/2022, que instituiu a transição da chamada Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD Fio B). Em 2026, essa cobrança corresponde a 60% do valor do Fio B, o que representa, em média, cerca de 16% da energia injetada na rede, e não aumentos abruptos ou quadruplicados, como relatado por alguns consumidores.
Durante a entrevista, Edem James explicou que, até dezembro de 2025, o valor cobrado girava em torno de R$ 0,15 por kWh injetado e que, a partir de janeiro, passou para aproximadamente R$ 0,18 a R$ 0,20, conforme o cronograma legal. No entanto, ele alertou que algumas contas apresentaram cobranças próximas de R$ 0,55 por kWh, valor considerado incompatível com a legislação vigente.
“Esse tipo de cobrança está incorreta. Não existe, pela lei, nenhum salto desse tamanho. O consumidor precisa procurar a Energisa e pedir a revisão da fatura, porque o que foi relatado é um valor muito acima do que deveria ser aplicado”, afirmou.
De acordo com o diretor do Sindenergia, a tarifa incide apenas sobre a energia efetivamente injetada na rede e não sobre todo o consumo. Em média, cerca de 30% da energia gerada é consumida instantaneamente pelo próprio imóvel, reduzindo a quantidade sujeita à cobrança do Fio B.
Edem James reforçou que, mesmo com a elevação gradual da tarifa prevista em lei, a energia solar continua sendo um investimento altamente vantajoso. Ele destacou que sistemas residenciais seguem apresentando retorno financeiro entre dois e três anos, mesmo considerando a nova regra, e que a economia na conta de luz pode chegar a 70% ou até 80% ao longo da vida útil do sistema.
“O sistema solar não deixou de compensar. Pelo contrário. Ele continua sendo um dos melhores investimentos possíveis, com vida útil de até 30 anos. A economia começa quando o sistema entra em operação. Um consumidor que utiliza em média 1000 KWh, investe em torno de R$ 17 mil a R$ 20 mil em energia solar e pode optar por financiamentos com parcelas próximas ao que já paga de energia. Depois de quitado o financiamento, ele passará a ter uma boa economia”, afirmou.
Segundo Edem James, o uso de baterias tende a se tornar uma estratégia cada vez mais relevante, pois permite maior autoconsumo da energia gerada e menor injeção na rede, reduzindo a incidência da tarifa.
“O caminho é ampliar o armazenamento. Hoje, parte da energia gerada é desperdiçada por falta de baterias. Com incentivos e queda de preços, esse cenário deve mudar, tornando a energia solar ainda mais eficiente e estratégica”, concluiu.
O Sindenergia orienta que consumidores que identificarem cobranças fora do padrão legal procurem a concessionária para revisão imediata da fatura e reforça que a geração distribuída segue como uma alternativa econômica, sustentável e segura no médio e longo prazo.
Mato Grosso
Cidinho chama crítica de Wellington sobre estadualização de rodovia de “oportunismo”
O ex-suplente de senador e empresário Cidinho Santos afirmou que o senador Wellington Fagundes agiu com oportunismo ao criticar a estadualização da MT-170, rodovia que apresenta trechos deteriorados após obras recentes de pavimentação. A declaração foi dada após o parlamentar responsabilizar o Estado pelas condições da estrada.
Wellington havia declarado que a rodovia era de responsabilidade estadual quando ainda exercia mandato de deputado federal e destacou ter sido o autor do projeto que resultou na federalização da via. Posteriormente, durante a gestão do ex-governador Mauro Mendes, o Estado retomou a administração da rodovia.
“Achei a fala do senador Wellington de muito oportunismo. A gente tem que ter uma certa coerência. Essa rodovia estadual, o pessoal sofreu muitos e muitos anos lá”, disse Cidinho.
Segundo o empresário, os problemas registrados atualmente na MT-170 são pontuais e estão ligados ao intenso fluxo de caminhões na região, além do excesso de carga transportada acima do permitido. Ele afirmou ainda que as empresas responsáveis pela pavimentação possuem obrigação contratual de corrigir os defeitos identificados na pista.
“Temos um problema localizado agora, que é a questão de que as construtoras tiveram algum problema, muito tráfego pesado, muitos caminhões trafegando fora do peso. Mas é um problema local e a construtora tem que resolver. Ela tem cinco anos de prazo de garantia da obra”, afirmou. Cidinho também disse que a postura do senador provocou reação de Mauro Mendes. “Quando você age como oportunista, você corre o risco de levar uma resposta. O senador Wellington Fagundes levou uma resposta do ex-governador Mauro Mendes, que não ficou satisfeito”, concluiu.
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