Sinop
Vigilância em Saúde de Sinop alerta para novo comportamento reprodutivo do mosquito da dengue
Sinop
O Departamento de Vigilância em Saúde da Prefeitura de Sinop, vinculado à Secretaria Municipal de Saúde, divulgou dados que apontam um novo comportamento reprodutivo do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, zika, chikungunya e febre amarela. A mudança permite que as fêmeas utilizem não apenas água limpa e parada, mas também ambientes com água contaminada — como óleo automotivo, barro e produtos químicos, a exemplo da soda cáustica — para a reprodução, algo que não era registrado anteriormente, especialmente em locais com resíduos oleosos e químicos.
De acordo com o diretor do Departamento de Vigilância em Saúde, Jorge Bevilaqua, o novo comportamento representa um importante sinal de alerta, sobretudo neste período de chuvas intensas, quando as condições para a proliferação do mosquito se tornam ainda mais favoráveis devido ao acúmulo de água.
“Antes, o mosquito se proliferava apenas em água limpa e parada. Hoje, não mais. Ele também se reproduz em água suja. Já encontramos focos em caixas utilizadas por funcionários de mecânicas para lavar as mãos com graxa e óleo. O óleo se acumula na superfície e, por baixo, os mosquitos conseguem se desenvolver. Isso mostra o nível de adaptação do Aedes. Também já identificamos focos em lavadores de veículos, em locais com produtos químicos pesados. São situações bastante preocupantes”, relatou.
Em razão dessa nova fase do mosquito, a Vigilância em Saúde tem intensificado as fiscalizações em estabelecimentos que mantêm locais com acúmulo de água para a execução de serviços, como mecânicas, oficinas e borracharias. A medida busca tornar o combate ao inseto mais eficaz, especialmente na área urbana, onde se concentram a maioria dos casos. Outro comportamento observado pelas equipes é a presença de larvas em locais com altura superior a 50 metros, situação pouco frequente em anos anteriores.
“Existe um mito de que o Aedes não alcança grandes alturas, mas isso não é verdade. Já encontramos focos em caixas d’água instaladas a mais de 50 metros de altura, no topo de prédios com 20 andares ou mais. Assim como nós subimos andar por andar, ele também avança gradualmente até chegar lá”, explicou Bevilaqua.
Ciclo de vida
O ciclo de vida do mosquito Aedes aegypti varia de 34 a 55 dias. O período larvário dura entre quatro e dez dias; o restante corresponde à fase adulta, quando ocorre a transmissão das doenças, caso o mosquito esteja contaminado.
“Na fase adulta, ele pode viver de 30 a 45 dias, podendo chegar a até dois meses. É um período longo e, nesse tempo, o potencial de transmissão é muito grande”, destacou o diretor.
Durante esse ciclo, uma única fêmea pode colocar até 450 ovos, que, ao eclodirem, dão origem a novos mosquitos. “É uma quantidade muito grande. Basta imaginar o quanto isso contribui para a rápida proliferação”, alertou.
Cuidados domésticos
O coordenador do Centro de Combate às Endemias, Alef Souza Costa, reforça que os cuidados domésticos para combater a proliferação do Aedes aegypti continuam sendo os mesmos e não sofreram alterações. A orientação é que a população mantenha a atenção semanal para evitar que qualquer recipiente com água se torne um criadouro. O mosquito necessita de volumes mínimos para depositar seus ovos — uma tampinha de garrafa PET, com cerca de 4 a 5 mililitros de água, já é suficiente.
“Não importa o material. Calhas, pratos de plantas, pneus, lonas, recipientes de água de animais domésticos — tudo pode virar criadouro. É fundamental observar o quintal, a residência, o comércio ou a indústria. Quem possui um imóvel precisa ter esse zelo. Terrenos baldios também devem ser mantidos limpos, sem mato, pois além de servirem como criadouro, podem se tornar abrigo para animais peçonhentos”, orientou.
Alef também destacou que a maior parte dos focos do mosquito está dentro das residências e que bairros com maior frequência de coleta de lixo lideram, paradoxalmente, os índices anuais.
“Cerca de 80% dos focos que encontramos estão em residências e estão relacionados ao lixo doméstico. O principal vilão hoje está dentro de casa e é algo fácil de resolver. A coleta de lixo ocorre semanalmente em todos os bairros, e em alguns, até três vezes por semana. Mesmo assim, bairros como Violetas e Jardim Primavera lideram os índices de focos. Isso demonstra a necessidade urgente de mudança de mentalidade da população”, enfatizou.
Estatística
Em 2025, Sinop registrou mais de 4 mil casos positivos das doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti, sendo 2.746 de chikungunya, 1.282 de dengue e nove de zika. No mesmo período, 13 pessoas morreram em decorrência de complicações, sendo 12 por chikungunya e uma por dengue.
Sinop
52 anos de história: Sinop celebra uma trajetória de coragem, planejamento e desenvolvimento
Quem olha hoje para as avenidas largas, os bairros em expansão, os prédios, o comércio, os serviços e a infraestrutura urbana de Sinop talvez tenha dificuldade para imaginar como era a cidade nos primeiros anos. Mas, para quem viveu aquele período, cada rua aberta e cada área ocupada carregam uma história de trabalho e perseverança.
É o caso de Joaquim Corrêa, morador que chegou a Sinop ainda jovem, aos 17 anos, e participou diretamente do processo de abertura de áreas que posteriormente dariam lugar a importantes regiões da cidade. Na década de 1970, quando a estrutura urbana ainda começava a tomar forma, ele e o cunhado trabalharam na derrubada da mata que hoje abriga o bairro Jardim das Violetas.
“Eu peguei Sinop nessa situação”, recorda Joaquim, ao relembrar o trabalho realizado na região onde hoje estão o Tiro de Guerra, a Avenida das Itaúbas e a Avenida das Palmeiras. O relato revela uma Sinop muito diferente da atual, mas também evidencia o esforço de uma geração que enfrentou as dificuldades dos primeiros anos para construir suas famílias e ajudar a abrir espaço para o crescimento do município.
Uma cidade construída por quem acreditou
A expansão de Sinop também contou com estratégias para atrair novos moradores e garantir condições mínimas para que eles pudessem permanecer na cidade. Joaquim lembra que, naquele período, a própria colonizadora incentivava a construção de moradias.
A iniciativa ajudava a enfrentar uma das principais dificuldades dos primeiros anos: oferecer moradia para quem chegava em busca de novas oportunidades.
“Com muito sofrimento, mas é glorioso hoje ver o crescimento de Sinop”, afirma Joaquim, que construiu sua vida no município. Foi em Sinop que se casou, criou a família e acompanhou, ao longo de décadas, as profundas mudanças pelas quais a cidade passou.
Entre essas transformações, ele destaca também a capacidade de adaptação da economia local. Quando a atividade madeireira começou a perder força, muitos chegaram a acreditar que Sinop não teria futuro. O município, entretanto, encontrou novos caminhos e avançou para a agropecuária e, posteriormente, para a agricultura, fortalecendo uma economia que continuaria impulsionando o desenvolvimento regional.
Para Joaquim, a história de Sinop é justamente a história de uma cidade que soube superar os períodos difíceis e seguir em frente. “Eu não tenho o que falar mal de Sinop, não. A gente só conta uma realidade do passado para uma glória do presente”, resume.
De uma cidade planejada a uma cidade que continua desenvolvendo
A Sinop que Joaquim ajudou a construir ganhou novas dimensões ao longo das décadas, mas preservou uma característica importante desde sua origem: o planejamento.
O secretário de Governo e Planejamento Estratégico, Klayton Gonçalves, explica que o crescimento atual é resultado de um processo contínuo de organização urbana, que precisa acompanhar a expansão do município e antecipar as necessidades das próximas gerações.
“Sinop nasceu planejada, mas foi a organização ao longo dos anos que consolidou esse desenvolvimento. O Plano Diretor estabelece diretrizes para o crescimento urbano, orientando novos loteamentos, a mobilidade e a expansão da cidade. Hoje temos avenidas largas, planejamento viário, novos semáforos, crescimento vertical e investimentos que preparam Sinop para as próximas décadas”, destacou.
Esse planejamento pode ser percebido na própria transformação da paisagem urbana. O traçado das avenidas, a expansão dos bairros, a implantação de novos equipamentos e as intervenções voltadas à mobilidade mostram uma cidade que cresce sem deixar de pensar em como esse crescimento impactará a vida da população.
Entre os projetos estruturantes está a duplicação da Avenida André Maggi e sua futura ligação com a BR-163. Para Klayton, a obra representa uma visão de longo prazo para a mobilidade e para a integração entre diferentes regiões do município. “A Avenida André Maggi passa a desempenhar um papel estratégico ao permitir uma conexão com a BR-163, formando um importante eixo de circulação. Além disso, novas ligações viárias aproximam bairros, reduzem distâncias e valorizam regiões inteiras da cidade. São intervenções pensadas para melhorar a vida das pessoas e preparar Sinop para continuar crescendo”, explicou.
Uma história que continua sendo escrita
Aos 52 anos, Sinop reúne diferentes gerações de moradores: aqueles que chegaram quando ainda era preciso abrir caminhos em meio à mata; os que vieram durante a consolidação da economia; e uma nova população que encontra hoje uma cidade estruturada, dinâmica e em constante transformação.
É essa conexão entre passado, presente e futuro que marca o aniversário do município. A história contada por Joaquim representa a memória de uma geração que enfrentou as dificuldades dos primeiros anos. O planejamento destacado por Klayton aponta para uma cidade que continua se preparando para os próximos capítulos.
Mais do que celebrar o que Sinop já alcançou, os 52 anos reforçam a força de uma cidade que nasceu com planejamento, cresceu com o trabalho de sua população e segue construindo seu futuro com novas oportunidades, infraestrutura e desenvolvimento.
Sinop celebra seus 52 anos olhando para trás com orgulho e para frente com confiança — reconhecendo quem ajudou a abrir os primeiros caminhos e mantendo o compromisso de continuar abrindo novos caminhos para as próximas gerações.
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