Cuiabá
Prefeitura de Cuiabá implanta atendimento Fast Track para agilizar serviços nas UPAs
Cuiabá
A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), inicia nesta segunda-feira (23) a implantação do atendimento Fast Track na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Leblon, na região Leste da capital. A iniciativa posiciona Cuiabá como uma das primeiras capitais brasileiras a adotar esse modelo na rede pública municipal, reforçando o compromisso com inovação, eficiência e qualidade na assistência à população.
O termo Fast Track, em inglês, significa “via rápida” ou “caminho rápido”. Na área da saúde, refere-se a um fluxo diferenciado criado para tornar o atendimento mais ágil, organizado e resolutivo, contribuindo para a melhoria do funcionamento das unidades de pronto atendimento.
Com esse modelo, o Fast Track foi criado para agilizar o atendimento de casos de menor gravidade, permitindo que situações mais simples sejam resolvidas com rapidez dentro da UPA, enquanto os atendimentos de urgência e emergência continuam sendo priorizados. A iniciativa também contribui para organizar o fluxo e reforçar o papel da Atenção Básica, orientando a população a buscar as Unidades Básicas de Saúde (UBS) sempre que possível.
Além disso, após o atendimento no Fast Track, o médico poderá emitir um documento com orientações clínicas, que deverá ser apresentado pelo paciente na sua Unidade de Saúde da Família (USF) de referência. A medida fortalece a continuidade do cuidado e garante o acompanhamento adequado na rede básica.
As Unidades de Saúde da Família (USF) continuam sendo a principal porta de entrada da população para atendimentos de rotina e demandas simples, como dores de cabeça, resfriados, acompanhamento de pressão arterial e diabetes, exames de rotina, vacinação, pré-natal, acompanhamento infantil, entre outros serviços essenciais. Quando essas demandas são bem acompanhadas na Atenção Básica, contribuem para a prevenção de complicações e reduzem a necessidade de atendimentos de urgência.
A secretária municipal de Saúde, Danielle Carmona, destaca que o projeto representa um avanço importante na organização da rede.
“Estamos trabalhando constantemente para tornar o atendimento mais eficiente, humanizado e resolutivo. O Fast Track organiza o fluxo nas UPAs, agiliza os atendimentos de menor gravidade e garante que os casos de urgência e emergência continuem sendo priorizados, além de fortalecer a importância das UBS e das USF na rede de atenção à saúde”, afirmou.
O atendimento segue um Procedimento Operacional Padrão (POP), que estabelece um fluxograma claro e seguro. O processo começa na recepção, com a abertura da ficha, seguida da classificação realizada pelo enfermeiro.
Após a avaliação, os pacientes elegíveis são encaminhados para a sala Fast Track, onde passam por atendimento médico. Caso não haja necessidade de exames ou observação, recebem medicação, orientações e alta no próprio setor.
Quando há necessidade de exames complementares ou medicação endovenosa, o paciente é direcionado para outros setores da unidade, seguindo o fluxo regular da UPA.
O objetivo é garantir mais agilidade, sem comprometer a segurança e a qualidade da assistência prestada.
Atuação integrada da equipe
O funcionamento da sala Fast Track envolve uma atuação integrada entre os profissionais de saúde:
– Enfermeiro: realiza o acolhimento, a classificação, o registro das informações e as orientações ao paciente;
– Médico: faz a avaliação clínica, define o tratamento, prescreve medicações, emite orientações para continuidade do cuidado e avalia a necessidade de exames;
– Técnico de enfermagem: administra medicamentos, acompanha o paciente e reforça as orientações de alta.
Todos os atendimentos são registrados no prontuário eletrônico, garantindo a continuidade do cuidado e a comunicação entre as equipes.
A sala Fast Track conta com consultório exclusivo, equipado com maca, mesa de atendimento, cadeiras, armário de medicações, poltrona e espaço para administração de medicamentos, proporcionando mais conforto e eficiência.
O secretário adjunto de Atenção Secundária, Odair Mendonsa, reforça que a iniciativa fortalece a rede municipal.
“Esse modelo permite otimizar o tempo, valorizar o trabalho das equipes e melhorar a experiência do usuário. É uma estratégia moderna, que traz resultados positivos tanto para os profissionais quanto para a população”, destacou.
Inicialmente, o atendimento Fast Track será implantado na UPA Leblon. A Secretaria Municipal de Saúde acompanhará os resultados e, conforme a avaliação, o modelo poderá ser ampliado para outras unidades da capital.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
Cuiabá
CPI da Saúde questiona ex-secretário sobre R$ 1,1 bilhão em indenizatórios
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) ouviu nesta quarta-feira (14), o ex-secretário de Estado de Saúde (SES), Gilberto Figueiredo, na condição de investigado, para esclarecer questões relacionadas aos contratos firmados pela pasta entre 2019 e 2025. Durante a oitiva, conduzida pelo presidente da comissão, deputado estadual Wilson Santos (PSD), foram feitas cerca de 70 perguntas. O depoente, que estava acompanhado de advogado, abriu mão do direito ao silêncio para apresentar a sua defesa.
Ao ser questionado sobre a participação nas contratações, nos reconhecimentos de dívidas e nos pagamentos realizados pela Secretaria de Estado de Saúde, Gilberto explicou que as decisões não dependiam exclusivamente de sua autorização e que os processos passavam por diferentes departamentos e recebiam pareceres e observações de integrantes das nove secretarias adjuntas da pasta e que o seu papel era tomar a decisão final sobre os processos previamente analisados.
Em relação aos pagamentos indenizatórios que somaram R$ 1,1 bilhão ao longo de sete anos, com base no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) nº 01/2019, ele confirmou o montante e afirmou que, durante o período em que esteve à frente da SES, o orçamento da pasta ultrapassou R$ 31 bilhões. “Os pagamentos indenizatórios não nascem na sala de um secretário e, sim, por uma atividade que foi realizada, contratada ou adquirida e que depois o Estado está obrigado a pagá-la por questão de não ter risco de enriquecimento ilícito”, justificou.
Wilson Santos contestou a explicação e observou que a pandemia da Covid-19 foi uma situação excepcional, durante a qual houve flexibilização da legislação, mas que o pagamento por indenização parece ter se tornado uma prática mantida mesmo após o período emergencial. Ele acrescentou que houve um crescimento de quase 500% no número de pagamentos indenizatórios no período pós-pandemia.
Em resposta, Gilberto afirmou que não houve acomodação da gestão diante da situação e defendeu a existência de procedimentos para comprovar os serviços prestados. “Nós tomamos as decisões e reformulamos a estrutura da SES. Não acostumei. Vou querer aprofundar sobre essa situação (indenizatórios). Não existe pagamento que não esteja com um robusto processo de comprovação de serviços realizados”, declarou.
O ex-secretário também esclareceu que o TAC teria sido firmado inicialmente com duração de dois anos e afirmou que o instrumento permanecia vigente. O presidente da CPI, por sua vez, contrapôs a informação, alegando que o prazo havia se encerrado em 31 de agosto de 2026. Logo, Gilberto confirmou que a atual gestão da SES prorrogou o acordo por mais 60 dias. “Eu mesmo fui autor do comunicado ao Ministério Público Estadual que era o TAC nº 01/2019. O objetivo primeiro era não paralisar e não colapsar o serviço de saúde. No TAC existe o compromisso elaborado tanto na questão da gestão de pessoal como também na contratação de serviço”, explicou.
Diante das informações apresentadas, a CPI vai requisitar novos esclarecimentos sobre a tramitação do TAC para a Secretaria de Estado de Saúde. Outras indagações feitas ao ex-secretário foram referentes aos motivos pelos quais a pasta não teria atendido a alertas de órgãos de controle, como a Controladoria-Geral do Estado (CGE) e a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que identificaram irregularidades e recomendaram a suspensão ou a correção de determinados procedimentos.
Gilberto Figueiredo esclareceu que interromper a prestação de um serviço de saúde poderia colocar vidas em risco e que, diante dessas situações, cabia ao gestor avaliar os pareceres e tomar decisões. “O gestor, sim, ele é assessorado por parecer, mas ele está sentado no cargo para tomar a decisão. Eu nunca fui omisso, nunca abri mão de tomar uma decisão por causa de alerta para não deixar o paciente morrer. Eu tive o coração de correr os riscos. E estou sujeito a eles. Vou passar pelos escrutínios”, afirmou o investigado.
Outro ponto abordado durante a oitiva foi a contratação de empresas sem processo licitatório e a ocorrência de irregularidades envolvendo prestadoras de serviços. O depoente afirmou que é difícil para a administração pública acompanhar mudanças na composição societária, na razão social ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) das empresas.
“Tem empresas que têm mais de 100 sócios. Eu apurei e fui buscar. Como um gestor vai conseguir controlar isso? Tomei conhecimento, sim, fiz demanda junto da PGE de como poder evitar isso. Infelizmente, tem empresas que não cumprem contrato e no outro dia nasce com um outro nome ou outro CNPJ e o governo não tem como impedir”, declarou.
A CPI também questionou o ex-secretário sobre a pessoa mencionada em autos de processos investigatórios relacionados à Operação Espelho como a “Mulher da SES”, apontada no contexto das investigações sobre contratos e licitações. Gilberto contestou a referência e afirmou que não existia uma pessoa identificada dessa forma, mas um quadro de aproximadamente 6,5 mil servidores na Secretaria, dos quais 4.194 seriam mulheres. Diante da resposta, Wilson Santos informou que apresentará requerimento para convocar, na condição de testemunha, a atual secretária adjunta de Orçamento e Finanças da SES, Ivone Rosset. “Eu não vou ficar dando nomes às pessoas que estão legalmente investidas nos cargos publicados em Diário Oficial”, disse o ex-secretário.
Ao final da oitiva, Gilberto solicitou que um exemplar de seu livro “Sem tempo para respirar”, fosse incluído nos autos da CPI da Saúde. Segundo ele, a obra apresenta detalhes da atuação da SES durante a pandemia e das medidas adotadas para salvar vidas. “Não fico feliz com os óbitos que ocorreram, mas fico feliz, se muitos de nós estamos aqui hoje, é porque trabalhamos muito para que isso acontecesse. Criamos o maior centro de triagem de Covid-19 e atendemos milhares de pessoas”, declarou.
Também participaram da reunião o relator da CPI, deputado estadual Beto Dois a Um (União), e os membros Dilmar Dal Bosco (União) e Chico Guarnieri (PSDB).
Fonte: ALMT – MT
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