Cultura
Sesc SP tem programação especial para celebrar a Copa de 2026
Cultura
Neste dia de abertura oficial da Copa do Mundo de 2026, também teve início a programação especial que o Sesc traz ao estado de São Paulo para celebrar o Mundial. São atividades gratuitas como vivências esportivas, debates e exposições, além de transmissões de partidas em mais de 40 unidades do Sesc de São Paulo até o dia 19 de julho. 

No Sesc Pompeia, na capital paulista, além das transmissões das partidas, o público também pode ver de perto uma exposição que reúne cerca de 300 itens relacionados à história do Mundial que pertencem a colecionadores, como o álbum de figurinhas da Copa de 1950 e um agasalho usado por Nilton Santos na Copa de 58.
Mario Augusto Silveira, assessor técnico da Gerência de Esportes do Sesc de São Paulo, comenta que o projeto é voltado para três grandes áreas: cultura, memória e arquibancada.
“Quando a gente fala de memória, de cultura esportiva, a gente tem muitos personagens importantes que passaram pelas copas, que precisam ter visibilidade também. Também fala de novos modos de construir públicos para assistir os jogos, cultura de arquibancada. A gente também fala de questões ligadas à diversidade e trabalha para que o esporte que a gente acredita chegue a mais pessoas; que a gente consiga contribuir para que nós tenhamos um esporte efetivamente democrático e acessível.”
Sandra Regina Monteiro pratica atividades físicas no Sesc e foi assistir ao jogo de abertura da Copa nesta quinta-feira (11). Ela fala o que espera da estreia do Brasil no campeonato.
“Vou assistir, já entrei no bolão. A esperança tem que ter, né? São 24 anos sem ganhar, tem que ganhar. Eu tô botando fé no Endrick.”
No próximo sábado (13), o Sesc Consolação traz um bate papo que destaca a força e o protagonismo das mulheres no futebol com a jogadora Cacau Fernandes e a jornalista Milly Lacombe.
Na mesma unidade, aos sábados, uma oficina ensina aos participantes como criar o próprio álbum artesanal de figurinhas. E tem ainda exibição de filmes sobre a história dos campeonatos e seus personagens, como o documentário Pelé: O Rei Desconhecido, e As Primeiras, sobre a primeira seleção brasileira feminina de futebol.
A programação completa do Sesc na Copa está disponível na internet.
* Com colaboração de Elaine Patrícia Cruz.
Cultura
“Traçando Veríssimo”: mostra revela o processo criativo do cronista
“A passa é a múmia da fruta”. Frases como essa, escritas à mão em cadernos de rascunho dão uma noção do processo criativo de uma das mentes mais geniais do humor brasileiro.

Criador de personagens como o analista de Bagé, Ed Mort e a família Brasil, Luis Fernando Veríssimo escreveu mais de 80 livros, entre eles, “Comédias da Vida Privada”, e publicou cartuns e charges em jornais. Por meio da palavra ou do desenho, a produção do autor gaúcho se destacava pela leveza de raciocínio e humor refinado.
Em celebração aos 90 anos, que Veríssimo completaria em 26 de setembro, uma mostra gratuita em cartaz no Centro Cultural Fiesp em São Paulo reúne mais de 300 itens pessoais do autor, como cadernos, charges e originais de livros. Isa Pessoa, curadora da exposição, comenta que a ideia é mostrar ao público como nasciam as ideias ao longo de 50 anos de carreira do autor.
“Você todo dia escrever. Você sentar e aí tem assim: ‘o otimista’. Aí tem: ‘tá chovendo’. Aí tem as várias situações que o otimista… sabe? A cada dia. É quase entrar na pré-criação. Nas várias camadas da pré-criação: aquele bilhetinho de hotel que ele começa a desenhar um boneco é um pré-pai da família Brasil, né?”
Entre os itens expostos estão fotografias de quando o autor mais introspectivo do país foi homenageado pela escola Imperatriz do Samba no carnaval de Porto Alegre e desfilou num carro alegórico. Tem ainda uma flâmula do Internacional, time sobre o qual o colorado convicto escreveu sua primeira crônica.
A montagem da exposição “Traçando Veríssimo” foi organizada a partir de frases ditas pelo próprio autor. As Cobras, personagens que dão palpite sobre tudo, ocupam um espaço central na mostra. Isa Pessoa conta o que Veríssimo dizia sobre essa dupla.
“Ele dizia ‘olha, as cobras nasceram da preguiça, né? Eu sou mal desenhista e [para] as cobras basta um pescoço e dois olhinhos e você faz as cobras, é muito fácil’. A própria maneira até como ele conta é engraçada, né? […] Esse humor, de dentro do território da classe média, eu acho que o alcance pop dele sempre teve esse ancorado nesse grande navio”.
Luis Fernando Veríssimo morreu em agosto do ano passado, aos 88 anos. Seu último desenho, feito em março de 2022, foi dado à esposa Lúcia, e pode ser visto na mostra.
Fotos de Luis Fernando na infância e com o pai, o escritor Erico Veríssimo, também fazem parte da exposição. Uma réplica da poltrona vermelha que existia na casa da família está no segmento dedicado ao jazz, junto dos discos da coleção do autor. Ele tocava saxofone e clarinete, e quis ser músico antes de se tornar escritor. O primeiro livro “O Popular, crônicas ou coisa parecida” foi publicado quando já tinha 37 anos. Ao longo da vida, Luis Fernando Veríssimo se consagrou como um grande cronista que capturou o mundano com sagacidade em frases como “a morte é uma sacanagem, sou totalmente contra”.
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