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Mauro questiona timing da Operação Heritage e diz: “Podem investigar o quanto quiserem”

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O candidato ao Senado Mauro Mendes (União Brasil) classificou como política e eleitoral a Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (6), e negou ter cometido qualquer irregularidade relacionada ao acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi.

Em manifestação divulgada após a operação, o ex-governador afirmou que irá colaborar com as autoridades e questionou o momento escolhido para a deflagração, ocorrida a cerca de 60 dias das eleições.

Mauro também relatou que agentes da Polícia Federal estiveram em sua residência, na empresa da família e em outros endereços ligados a ele. Segundo o candidato, na casa dele a diligência teve como finalidade o recolhimento de seu passaporte.

Ao contestar as suspeitas, Mauro explicou que o acordo investigado foi firmado pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) para encerrar uma disputa tributária com a Oi que se arrastava desde 2009.

Segundo ele, o Estado havia bloqueado valores da empresa durante a disputa judicial, mas acabou derrotado posteriormente e teria que devolver o montante corrigido, que, conforme sua manifestação, chegaria a aproximadamente R$ 580 milhões.

A alternativa encontrada pela PGE, ainda segundo Mauro, foi celebrar um acordo para encerrar o litígio mediante o pagamento de R$ 308 milhões. O ex-governador sustentou que a negociação passou pela análise de procuradores, foi homologada pela Justiça e recebeu avaliações favoráveis do Tribunal de Contas do Estado (TCE), do Ministério Público de Contas e do Ministério Público Estadual.

Mauro também negou qualquer relação sua ou de familiares com os fundos de investimento que receberam os recursos decorrentes do acordo.

Críticas à investigação

O candidato questionou a origem da investigação e afirmou que adversários políticos teriam atuado para levar as denúncias às autoridades em Brasília. Ele citou os candidatos ao Senado Pedro Taques e Janaina Riva, além dos senadores Carlos Fávaro e Jayme Campos.

Na avaliação de Mauro, o relatório da Polícia Federal teria reproduzido argumentos apresentados anteriormente por Pedro Taques, que, segundo ele, já havia feito questionamentos sobre o acordo.

O ex-governador também colocou em dúvida a divulgação de informações sobre a operação antes que sua defesa tivesse acesso integral ao processo, que tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF).

Mauro afirmou ainda que o momento da operação precisa ser considerado diante do cenário político de Mato Grosso. Entre os acontecimentos citados por ele estão a definição de Jayme Campos de não disputar o Governo pelo União Brasil, a candidatura de Pedro Taques ao Senado por um grupo aliado ao PT e a decisão de não indicar Janaina Riva para a vaga de vice na chapa de Otaviano Pivetta.

Histórico

Durante a manifestação, Mauro também relembrou uma operação da Polícia Federal realizada em 2014, quando ainda era prefeito de Cuiabá. Segundo ele, a investigação provocou impactos pessoais e empresariais, como restrições de crédito, perda de contratos e a recuperação judicial de empresas da família.

O ex-governador afirmou que, três anos depois, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal concluíram pela inexistência de irregularidades, levando ao arquivamento do caso pela Justiça.

Ao comentar novamente a Operação Heritage, Mauro disse não temer o avanço das investigações e afirmou confiar no esclarecimento dos fatos.

“Podem investigar o quanto quiserem, porque eu não fiz nada de errado”, declarou.

O candidato reiterou que pretende colaborar com as autoridades e afirmou acreditar que a apuração atual terá desfecho semelhante ao caso de 2014, com o arquivamento da investigação.

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Trocado na véspera, Maluf rompe silêncio e diz que Wellington “descartou” compromisso firmado

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O empresário Marcelo Maluf (Novo) decidiu se manifestar nesta sexta-feira (7) após ser retirado da chapa encabeçada pelo senador Wellington Fagundes (PL) ao Governo de Mato Grosso. Em nota enviada à imprensa, ele criticou duramente a condução da mudança e afirmou que sua indicação para a vice havia sido formalizada após uma construção política que envolveu os partidos aliados.

Maluf afirmou que foi comunicado pelo próprio Wellington de que outro nome seria escolhido para a vaga. A decisão foi tomada na noite de quinta-feira (6), quando o PL definiu o médico Alencar Farina como novo candidato a vice-governador.

Para o empresário, a alteração não representa apenas uma mudança na composição eleitoral, mas uma quebra de compromisso.

“Não se trata apenas de uma mudança de candidatura. Trata-se da forma como a política é conduzida.”

Segundo Maluf, sua participação na chapa não nasceu de uma negociação informal. Ele afirmou que aceitou o convite depois de uma decisão política que, inclusive, foi levada à convenção partidária.

“Foi uma escolha política apresentada, construída e formalizada dentro do processo partidário, inclusive com a realização da convenção.”

A partir da definição, afirmou o empresário, pessoas foram mobilizadas e uma estrutura de campanha começou a ser organizada.

“Fiz isso de boa-fé, acreditando na palavra empenhada e na seriedade de uma decisão tomada por quem pretende governar Mato Grosso.”

A manifestação ocorre apenas dois dias depois de Maluf confirmar publicamente sua indicação para a vice. Durante a convenção do Novo, na quarta-feira (5), ele chegou a descartar a possibilidade de uma nova mudança.

“Martelo batido, prego batido e ponta virada”, disse na ocasião.

Na mesma oportunidade, Maluf confirmou a aliança entre Novo, PL e MDB e afirmou que as siglas haviam chegado a um consenso para caminhar juntas nas eleições.

A escolha de Farina representa uma mudança de última hora na chapa de Wellington, depois de semanas de negociações envolvendo a vaga de vice. Antes de ser indicado, Maluf havia desistido de uma pré-candidatura própria ao Governo pelo Novo para contribuir com a composição liderada pelo senador.

Na nota desta sexta-feira, Maluf ampliou as críticas e afirmou que quem pretende comandar o Estado precisa demonstrar capacidade de cumprir compromissos políticos.

“Quem pretende governar um Estado precisa, antes de tudo, demonstrar que sua palavra tem valor. Precisa respeitar compromissos, aliados e pessoas que aceitaram caminhar ao seu lado.”

O empresário também afirmou que não pretende naturalizar o episódio como parte da disputa eleitoral.

“Não faço política dessa maneira e não aceitarei naturalizar esse tipo de comportamento.”

Ao concluir, Maluf disse que deixa a situação com a consciência tranquila e atribuiu a responsabilidade pela decisão aos responsáveis pela mudança.

“Saio deste episódio com a consciência tranquila. Cumpri rigorosamente aquilo que assumi. Outros terão de responder pelas escolhas que fizeram e pela maneira como decidiram fazê-las.”

Nota na íntegra:

Política se faz com responsabilidade, compromisso, seriedade e, sobretudo, palavra. Infelizmente, o senador Wellington Fagundes e o Partido Liberal de Mato Grosso demonstraram enorme dificuldade em compreender o significado desses princípios – o que só contribui para apodrecer a boa política.

Aceitei o convite para integrar, como candidato a vice-governador, a chapa liderada pelo senador Wellington Fagundes. A decisão não foi fruto de uma conversa informal ou de uma possibilidade lançada ao acaso. Foi uma escolha política apresentada, construída e formalizada dentro do processo partidário, inclusive com a realização da convenção.

A partir dessa decisão, compromissos foram assumidos, pessoas foram mobilizadas, estratégias foram definidas e todo um projeto de campanha começou a ser estruturado. Fiz isso de boa-fé, acreditando na palavra empenhada e na seriedade de uma decisão tomada por quem pretende governar Mato Grosso.

Hoje fui comunicado pelo senador Wellington Fagundes de que outro nome será indicado para ocupar a vaga de vice.

Não se trata apenas de uma mudança de candidatura. Trata-se da forma como a política é conduzida.

Quem pretende governar um Estado precisa, antes de tudo, demonstrar que sua palavra tem valor. Precisa respeitar compromissos, aliados e pessoas que aceitaram caminhar ao seu lado. Não é possível pedir confiança a mais de três milhões de mato-grossenses quando não se consegue honrar compromissos assumidos dentro da própria casa.

O que ocorreu comigo representa uma falta de respeito não apenas pessoal, mas política. Um projeto foi prejudicado, pessoas que acreditaram nele foram desconsideradas e compromissos formalmente construídos foram simplesmente descartados.

Não faço política dessa maneira e não aceitarei naturalizar esse tipo de comportamento.

Mato Grosso merece uma política feita com seriedade, previsibilidade e respeito. Quem muda compromissos conforme as conveniências do momento precisa explicar à sociedade por que sua palavra de hoje deverá merecer confiança amanhã.

Saio deste episódio com a consciência tranquila. Cumpri rigorosamente aquilo que assumi. Outros terão de responder pelas escolhas que fizeram e pela maneira como decidiram fazê-las.

Marcelo Maluf

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