Cuiabá
Após herdar R$ 2,3 bilhões em dívidas, Prefeitura melhora indicadores fiscais
Cuiabá
A Prefeitura de Cuiabá apresentou nesta terça-feira (9), durante sessão na Câmara Municipal, um balanço das contas públicas de 2025, destacando a redução das dívidas herdadas pela atual gestão e a melhora dos principais indicadores fiscais do município. As informações foram detalhadas pelo secretário municipal de Economia, Marcelo Bussiki, e pelo contador-geral do Município, Éder Galiciani.
Os números apresentados na sessão já haviam sido detalhados pela equipe econômica durante audiência pública realizada no dia 1º de junho, na Câmara Municipal, quando a Prefeitura prestou contas dos resultados fiscais do segundo e do terceiro quadrimestres de 2025. Na ocasião, Bussiki e Galiciani demonstraram o cumprimento dos índices constitucionais de Saúde e Educação, a redução do endividamento e a melhora dos indicadores fiscais da capital.
Segundo Bussiki, a gestão encerrou 2025 com resultado orçamentário positivo, o melhor desempenho fiscal registrado pela Prefeitura de Cuiabá nos últimos dez anos. O secretário ressaltou, no entanto, que o valor não permaneceu em caixa devido à necessidade de pagamento de obrigações herdadas da administração anterior.
“Se a gestão Abilio Brunini não tivesse nenhuma dívida em Cuiabá, após a execução orçamentária, o recebimento das receitas e a realização das despesas, teria R$ 140 milhões em caixa”, afirmou o secretário.
Bussiki destacou ainda que a atual administração encontrou mais de R$ 2,3 bilhões em dívidas acumuladas e conseguiu reduzir significativamente o passivo ao longo do primeiro ano de governo. Ele também apontou uma mudança importante na relação entre receitas e despesas. Enquanto até 2024 as despesas cresciam acima da arrecadação, em 2025 a receita corrente avançou 12% e a despesa corrente 8%, permitindo a recuperação da capacidade financeira do município.
Durante a apresentação, o contador-geral do Município explicou que a reorganização financeira exigiu forte controle do fluxo de caixa. Segundo ele, os ajustes realizados pela equipe econômica foram fundamentais para manter o funcionamento da máquina pública e garantir o equilíbrio das contas.
“Houve um superávit financeiro de R$ 141 milhões em 2025. Também houve um crescimento da receita corrente superior ao da despesa corrente, gerando poupança corrente”, afirmou Galiciani.
Os dados apresentados mostram ainda que a insuficiência de caixa do município caiu de R$ 1,15 bilhão negativos para cerca de R$ 650 milhões negativos em apenas um ano. Já a dívida de curto prazo foi reduzida de R$ 1,249 bilhão para R$ 880 milhões, enquanto a dívida consolidada líquida registrou queda de R$ 596 milhões. O comprometimento da dívida em relação à receita corrente líquida também recuou de 62% para 41%, ampliando a capacidade do município para novos investimentos e operações de crédito.
Galiciani afirmou que os números demonstram uma mudança de trajetória nas finanças municipais. “Houve uma redução de aproximadamente R$ 370 milhões na dívida de curto prazo, de R$ 500 milhões no déficit de liquidez e de R$ 600 milhões na dívida consolidada líquida”, destacou.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
Cuiabá
Feminicídios e violência doméstica pautam discurso de alerta na Câmara de Cuiabá
Vereadora Katiuscia Manteli (Podemos) utilizou o Grande Expediente para cobrar medidas de prevenção à violência e alertar para o avanço dos casos de feminicídio em Mato Grosso
A dor de uma mãe que perdeu a filha de apenas 12 anos e a indignação diante de uma violência que insiste em fazer vítimas marcaram o pronunciamento da vereadora Katiuscia Manteli (Podemos) durante o Grande Expediente da sessão desta terça-feira (09), na Câmara Municipal de Cuiabá. Em uma fala carregada de emoção, a parlamentar transformou a tribuna em um espaço de reflexão e fez um apelo pela proteção das mulheres e meninas mato-grossenses.
Ao abordar o caso da menina Olga, morta em Várzea Grande em um crime investigado como feminicídio, Katiuscia lembrou que Mato Grosso continua figurando entre os estados com os maiores índices desse tipo de violência no país e questionou até quando as mulheres seguirão perdendo a vida simplesmente por serem mulheres.
“O nosso coração se parte quando vemos uma menina de 12 anos sendo morta pelo próprio pai. Até onde nós vamos morrer por sermos mulheres?”, declarou.
A vereadora destacou que a violência contra a mulher vai além dos casos que ganham repercussão e faz parte da realidade de milhares de famílias. Segundo ela, muitas vítimas permanecem em relacionamentos abusivos por medo, dependência emocional ou pela ausência de uma rede de apoio capaz de ajudá-las a romper o ciclo de violência.
“Vivemos em um mundo onde as mulheres têm medo. Elas têm medo de denunciar, têm medo de sair do relacionamento e de quebrar esse ciclo abusivo. Muitas vezes, a dependência não é financeira, é emocional”, afirmou.
Durante o discurso, Katiuscia também alertou para a necessidade de ampliar o debate sobre a prevenção da violência e promover mudanças profundas na sociedade. Para ela, apenas o endurecimento das leis não tem sido suficiente para frear o número de vítimas.
“Nós precisamos mudar a cultura deste país. Precisamos salvar as nossas mulheres, salvar as nossas meninas e salvar as nossas filhas”, disse.
A parlamentar manifestou solidariedade à mãe de Olga e afirmou que o caso evidencia uma realidade que exige atenção permanente do poder público e da sociedade. Para ela, o aumento dos casos de violência contra mulheres e meninas demonstra que o enfrentamento ao problema precisa ir além das medidas punitivas e alcançar ações de prevenção, acolhimento e conscientização.
Durante o pronunciamento, a vereadora também manifestou repúdio ao perdão judicial concedido à mãe do menino Henry Borel, caso citado por ela como exemplo da necessidade de discutir o papel da família na proteção das crianças e no combate à violência.
Ao encerrar sua fala, Katiuscia reforçou que o enfrentamento à violência contra mulheres e crianças depende do envolvimento de toda a sociedade, desde o fortalecimento das políticas públicas até a construção de uma cultura de respeito e proteção à vida. Segundo a vereadora, é necessário criar condições para que as vítimas se sintam seguras para denunciar e romper os ciclos de violência antes que novas tragédias aconteçam.
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