Mato Grosso

Delegada afirma que acusado de matar a própria irmã agiu por “desprezo ao feminino”

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Mato Grosso

“A motivação realmente é desprezo ao feminino. Foi um feminicídio clássico do termo mesmo.” A declaração é da delegada Jéssica Assis, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), ao comentar o assassinato da adolescente Estefany Pereira Soares, de 17 anos, morta pelo próprio irmão, Marcos Pereira Soares, em Cuiabá.

A jovem pode ter sido torturada e estuprada antes de morrer, segundo suspeita que ainda será confirmada por exames da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).

O corpo foi encontrado na noite de quarta-feira (11), no córrego Vassoura, no bairro Três Barras, na Capital. O suspeito já foi preso e autuado pelos crimes de sequestro, feminicídio e ocultação de cadáver.

De acordo com a delegada, a vítima foi localizada submersa, sem roupas e enrolada em um lençol, apresentando sinais de extrema violência. “Ela estava com os pés amarrados. Vamos aguardar a confirmação da perícia. As roupas que ela usava antes de ser encontrada também foram apreendidas para análise, para tentar identificar material genético do suspeito”, explicou.

A investigação preliminar também aponta indícios de tortura antes da morte. “Provavelmente também teve tortura. O corpo dela tinha alguns sinais de queimaduras e outras lesões”, afirmou a delegada.

Os exames periciais devem esclarecer a causa da morte da adolescente. Entre as hipóteses analisadas estão asfixia, afogamento ou morte provocada pelas queimaduras.

“Ainda vamos apurar se a causa da morte foi asfixia, afogamento ou pelas queimaduras”, disse Jéssica Assis, acrescentando que a vítima também foi encontrada com uma corda presa ao corpo e uma pedra amarrada.

Durante interrogatório, Marcos negou participação no crime. Segundo a delegada, ele afirmou que procurou a irmã apenas para conversar sobre uma situação envolvendo a mãe.

De acordo com a versão apresentada, os dois teriam saído de casa e caminhado até a esquina, onde conversaram rapidamente. Depois disso, ele disse que seguiu seu caminho e que não saberia dizer o que teria acontecido com a adolescente.

Apesar da narrativa, o suspeito não apresentou nenhum álibi. Estefany estava em casa com o companheiro quando foi chamada pelo irmão e, após sair com ele, não foi mais vista.

A jovem estava desaparecida desde terça-feira (10). Na quarta-feira (11), a mãe encontrou Marcos e o pressionou para saber onde estava a filha. Segundo a polícia, ele evitava responder às perguntas.

A mulher o levou até a casa da família e chamou outros parentes. Ao perceber a situação, o suspeito fugiu em direção a uma área de mata.

Familiares passaram a procurar pela adolescente na região. Por volta das 21h30, equipes da DHPP confirmaram que o corpo havia sido localizado dentro do córrego.

Marcos foi localizado e preso durante a madrugada desta quinta-feira (12), na região do CPA, em Cuiabá. Ele caminhava pela Avenida Brasil quando foi abordado por policiais militares.

O suspeito foi encaminhado à DHPP, onde permanece à disposição da Justiça, enquanto as investigações continuam.

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Cuiabá

Governador declara facções criminosas como organizações terroristas

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O governador Otaviano Pivetta enviou, nesta quinta-feira (22.10), projeto de lei à Assembleia Legislativa para declarar facções criminosas, que atuam em Mato Grosso, como organizações terroristas.

Conforme a proposta, as forças de segurança de Mato Grosso poderão estabelecer protocolos específicos para o combate às facções que atuam no Estado.

“Queremos que nossas forças de segurança tenham todos os mecanismos necessários para combater esses criminosos, que na verdade são terroristas. Em Mato Grosso, vamos combater duramente os crimes, com tolerância zero, e não vamos descansar enquanto nossos cidadãos de bem não estiverem seguros, porque nosso trabalho é para dar segurança à nossa população”, afirmou Pivetta.

Inicialmente, a proposta estabelece duas facções como terroristas, mas também estabelece que outras podem ser incluídas no contexto.

O documento reconhece que a atuação das facções não se limita ao território estadual e, por isso, reforça a necessidade de coordenação das forças de segurança em cooperação com agentes nacionais, internacionais e de outros Estados.

O projeto de lei passará por votação pelos deputados estaduais.

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