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Produtos de Mato Grosso lotam estande do Consórcio da Amazônia Legal na COP30

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Com raízes que perpassam gerações no cultivo de ervas medicinais advindo do bisavô curandeiro, perpassando pelo avô e pai, Jacira Corrêa Sarate é descente de escravos e até hoje mora na comunidade quilombola Mata Cavalo, em Nossa Senhora do Livramento. “Meu pai sempre disse que eu tinha uma missão: a cura. Quando é uma missão você não escapa, cedo ou tarde tem que cumpri-la”, avalia, quase que contando a própria história. Com a morte do pai, ela teve de vencer o desafio de manter os produtos de ervas voltados à cura. Reconhecida nacionalmente, com participação em feiras em São Paulo e outras regiões fora de Mato Grosso, Jacira é figura carimbada nas feiras promovidas pela Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), em parceria com a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), pelo Estado.


Como não poderia deixar de ser, os produtos dela, escolhidos minuciosamente, estão expostos na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), um dos principais eventos globais sobre o tema, que neste ano é realizado em Belém (PA). Jacira enviou licor de casca de Jatobá, cravinho do serrado, garrafada “Cura Tudo”, gin do Serrado, o comemorado Suplemento Natural à base de Batata Doce, Pomada Natural e a concorrida paçoca de pilão.

Ela está entre 15 produtores de pequena escala da agricultura familiar de Mato Grosso selecionados para enviar ao menos uma amostra da produção na COP 30, no estande do consórcio da Amazônia Legal, composto pelos nove Estados que integram o território amazônico. “É Mato Grosso representado na COP 30 pela agricultura familiar. São agricultores, como das comunidades tradicionais, quilombola, indígenas, que produzem o primeiro café indígena de Mato Grosso. Há produtos da floresta, como Castanha do Brasil, produtos do Cumbaru, do Pequi, do Jatobá. Também foi levado mel também, e é importante para a visibilidade na agricultura familiar. É um evento internacional que tem vários países, todo mundo está de olho na Amazônia e nosso Estado faz parte disso”, explica o técnico da Seaf/Empaer, Geraldo Donizete Lúcio.

O encontro reúne líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil para discutir ações de enfrentamento às mudanças climáticas.


Entre os selecionados, também está a Águas Claras Cachaçaria, do Sítio Santa Rita, em São José do Rio Claro, que enviou as cachaças “Amburana” e “Carvalho Europeu”, além dos licores de canela e café.
Da fazenda Nossa Senhora do Carme, em Poconé, a BioMendies Mel do Pantanal optou por enviar Mel, Extrato de Própolis e licores de canela e Café, produzidos na fazenda Nossa Senhora do Carmo, em Poconé. Situada em Cáceres, a Apiários Turbino aposta no mel e no mel do própolis para conquistar o público da COP30.


A Aldeia Massepô, da Terra Indígena Utimina, enviou o Café Indígena Robustas Amazônico Especial, Torra Média. Trata-se do primeiro café indígena de Mato Grosso. Indígenas da etnia Umutina, em Barra do Bugres, começaram a embalar para comercialização o café produzido com suporte do Governo de Mato Grosso. Eles estão investindo na cultura depois de receberem mudas, kits de irrigação e uma patrulha mecanizada do programa MT Produtivo Café, da Seaf.

Conforme o cacique Felisberto Copodonepá, a produção representa um avanço significativo para a agricultura familiar indígena. Trata-se da nova fonte de renda para a comunidade. “A gente recebeu mudas de café e três kits de irrigação. Recebemos 3,6 mil mudas de café e, no ano passado, também recebemos uma patrulha, que é um trator com grade”, destacou o cacique.

O Armazém do Serrado CoopAmsal, da Comunidade Agrícola das Palmeiras, em Santo Antônio do Leverger, priorizou os produtos Colorau, Cappuccino de Babaçu, Castanha de Baru, Açafrão da Terra, Gergelim e o Shake de Babaçu com Chocolate. “O shake de babaçu é resultado de um delicioso e nutritivo preparado feito de mesocarpo do coco do babaçu e do cacau 100%, O produto não contém glúten, nem açúcar, e é rico em fibras”, destaca a produtora Cristiana Almeida Rodrigues Canabrava.

A Delícias da Vó Rikka, de Várzea Grande, apostou na produção de peta caseira, bolacha caseira com suspiro, batata chips, gergelim, e shake de babaçu com chocolate. “As petas caseiras são produzidas artesanalmente, ainda em pequena escala, com polvilho doce de secagem ao sol, óleo de soja, sal e ovos de galinha. Há petas de tempero especial, como cebola, alho e salsa, queijo pimenta ou multigrãos (chia, linhaça, quinoa e gergelim)”, ressaltam os produtores Osmar Beckmann, Alvina Cristina Beckmann, Eder Beckmann e Alyssandra Aparecida de Souza Beckmann.

Já o Ateliê Muzzas Morenas, de Cuiabá, enviou para a COP30 bonecas de pano, comadre Nhára e Xó Dito e a Doces Campo Alegre Produtos, de Nossa Senhora do Livramento, aposta nas rapaduras de leite, de leite com coco de babaçu, além de doce de leite, doce cachorrada e manteiga de garrafa para conquistar o público. O Empório Serra Pantaneira, de Nossa Senhora do Livramento, enviou itens como cachaças artesanais, licores de frutas e banana chips.

De Alta Floresta, a Castanhaf Castanhas do Brasil comercializa no evento tâmara recheada com castanha do Brasil e cobertura de chocolate, castanha sabor alho, castanha picante, doce de banana e banana passou da Amazônia. A Hidromel Castilho Med, de Sinop, enviou à COP 30 hidromel silvestre e hidromel do Cipó Uva. A Bee Produts e Phyto Dom Querino, da Serra das Laranjeiras, em Cuiabá, mandou casca do Jatobá, farinha da casca do fruto do Jatobá, capuccino de Jacobá, semente (pérola) do Jatobá, melicor com especiarias, melicor com Jabotá e mel. A Rapadura Temporas, por sua vez, disponibiliza durante a COP rapaduras de cana, leite, coco de babaçu e rapadura de mamão. As iguarias são produzidas na chácara Engenho Doce, em Rosário Oeste.

Os produtos mato-grossenses foram transportados pela Casa Civil. A produtora de raízes Jacira Sarate já comemora encomendas de Salvador, do Rio de Janeiro, de São Paulo, Colíder e Terra Nova do Norte, entre outras regiões. “Já tenho meus clientes fixos, encaminho por Sedex”, conclui.

Fonte: Governo MT – MT

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Janete Riva negocia acordo e juíza suspende ação sobre desvio na AL

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A juíza Célia Regina Vidotti, da Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá, suspendeu por 30 dias a ação de improbidade administrativa contra a ex-secretária Janete Riva, pelo desvio de um cheque de R$ 12 mil usado para a compra de gado.

O pedido foi feito pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que solicitou a suspensão por 90 dias. O motivo alegado foi que as partes estavam conversando para tentar um Acordo de Não Persecução Civil (ANPC), uma espécie de “confissão” para resolver o caso sem uma sentença condenatória definitiva.

O próprio MP foi quem ajuizou a ação, acusando Janete Riva de ter participado de um esquema de desvio de dinheiro público da Assembleia Legislativa de Mato Grosso na década de 2000.

 

A suspeita é que o esquema pagava empresas “fantasmas” por serviços que nunca foram prestados, a fim de desviar o dinheiro público. No caso de Janete, foi apontado que um dos cheques, no valor de R$ 12 mil, emitido para uma dessas empresas, acabou sendo usado para pagar a compra de 200 cabeças de gado para ela.

O marido de Janete, o ex-deputado estadual José Riva, era réu nesse mesmo processo, mas o caso contra ele foi encerrado porque fez um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público, confessando sua participação nos desvios.

Janete já havia sido condenada a devolver R$ 6 mil em 1ª instância, porém, em fevereiro de 2026, o Tribunal de Justiça (TJMT) anulou essa condenação, inocentando-a por falta de provas.

“Assim, defiro parcialmente o pedido do requerente e suspendo o processo pelo prazo de trinta (30) dias, prazo este que se mostra proporcional, razoável e suficiente para a finalidade almejada, sem comprometer a duração razoável do processo”, decidiu a magistrada.

Se o acordo for fechado, o processo pode ser resolvido sem a necessidade de uma sentença condenatória definitiva. Caso não aconteça o acordo, o processo seguirá para a fase instrutória.

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