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A violência política

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*Coronel Fernanda

Ser mulher na política é viver diariamente o desafio de ocupar um espaço que, por muito tempo, foi negado a nós. É estar em posição de liderança e, ao mesmo tempo, lidar com olhares desconfiados, julgamentos injustos e tentativas de descredibilizar o trabalho feito com seriedade. Mesmo assim, seguimos firmes, porque sabemos que nossa presença não é apenas um direito, mas uma necessidade para o fortalecimento da democracia e para o avanço de políticas públicas que cheguem de forma justa e concreta à população.

A violência política é um fenômeno silencioso e persistente, que vai muito além dos ataques públicos. Ela se revela nas palavras que diminuem, nas insinuações que buscam desqualificar, nas interrupções constantes, nas ameaças veladas e até na tentativa de excluir vozes femininas de debates e decisões. É a tentativa constante de reduzir nossa voz, de impor medo, de nos empurrar de volta para o silêncio. Essa violência é uma ferida que atinge não apenas quem sofre diretamente, mas todo o sistema democrático, porque enfraquece a representatividade e desestimula novas lideranças.

No Parlamento, nas câmaras municipais, nas assembleias e até nas redes sociais, é comum vermos o ataque direcionado não ao conteúdo das ideias, mas à imagem pessoal. Quando uma mulher fala com firmeza, dizem que é arrogante. Quando mostra convicção, dizem que é intransigente. Quando decide liderar, dizem que está “saindo do seu lugar”. O que se tenta, em última instância, é minar o direito de exercer o mandato com liberdade e independência, reduzindo o debate político à caricatura e à hostilidade.

Mas é justamente por isso que precisamos continuar. Precisamos transformar o medo em força, a crítica injusta em motivação e o ataque em oportunidade de mostrar coerência e propósito. A presença feminina na política não é um favor de ninguém, mas o resultado de muito trabalho, sacrifício e coragem. E cada passo dado por uma mulher nesse ambiente abre caminho para muitas outras.

O Brasil é um país de mulheres fortes, que conduzem famílias, empresas, escolas e comunidades inteiras. Não faz sentido que, na política, essas mesmas mulheres ainda precisem provar a cada dia que são capazes, competentes e preparadas. É hora de romper esse ciclo e de construir uma cultura política que respeite o mérito e a dedicação, independentemente de quem ocupa o cargo.

*Coronel Fernanda é deputada federal e Procuradora da Mulher na Câmara dos Deputados.

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PL e MDB na reta final: aliança pode ser decisiva para o rumo das eleições em Mato Grosso

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A campanha eleitoral em Mato Grosso entra em sua fase decisiva, e as alianças construídas nos últimos meses começam a mostrar seu verdadeiro peso. Entre os movimentos que chamam atenção está a aproximação entre PL e MDB uma composição que reúne forças políticas distintas, mas que pode representar uma estratégia importante para a disputa deste ano.

 

Na reta final, não há mais espaço para alianças apenas no papel. É o momento em que lideranças precisam transformar acordos políticos em presença nas ruas, votos e capacidade de convencimento do eleitor.

 

E é justamente nesse ponto que a união entre PL e MDB passa a ser observada com mais atenção.

 

O PL, com uma base eleitoral fortemente identificada com a direita e com o bolsonarismo, possui uma militância mobilizada e um eleitorado fiel. O MDB, por sua vez, carrega uma estrutura política tradicional, presença em municípios e lideranças com capacidade de diálogo com diferentes grupos.

A pergunta agora é se essas duas forças conseguirão trabalhar de forma coordenada até o dia da eleição.

 

Mais do que cargos, uma disputa por espaço

Na reta final, alianças deixam de ser apenas uma questão de composição partidária e passam a representar uma disputa direta por espaço político.

PL e MDB precisam mostrar ao eleitor que existe um projeto comum capaz de superar as diferenças internas e reunir votos suficientes para fortalecer seus candidatos.

O desafio está justamente em equilibrar interesses. O eleitor do PL espera uma postura alinhada aos valores da direita, enquanto o MDB possui uma história política mais ampla e uma composição interna diversificada.

Essa equação precisará ser administrada com habilidade.

 

O eleitor ainda pode mudar o jogo

Apesar das alianças e das estruturas partidárias, a decisão final continua nas mãos do eleitor.

Na reta final, muitos votos ainda podem migrar. Candidatos podem crescer, perder espaço e alterar o equilíbrio da disputa em poucos dias.

Por isso, a aproximação entre PL e MDB pode ser importante, mas precisará ser acompanhada de estratégia, presença política e capacidade de comunicação.

No fim das contas, **aliança não ganha eleição sozinha**. Ela cria condições para uma candidatura competitiva. O resultado depende da capacidade de transformar essa união em confiança e, principalmente, em voto.

 

Mato Grosso entra na fase decisiva

Com a campanha chegando ao momento mais importante, os próximos dias serão fundamentais para medir a força real dessa composição.

PL e MDB chegam à reta final diante de uma oportunidade, mas também de uma responsabilidade: provar que a união entre suas estruturas pode produzir resultado eleitoral.

O cenário está aberto, e cada movimento agora terá peso maior.

 

Na política, quando a eleição se aproxima, alianças deixam de ser promessa de futuro e passam a ser testadas no presente. E é justamente nas últimas semanas que Mato Grosso começará a mostrar quais forças realmente conseguiram transformar articulação política em votos.

 

Por Kelly Silva
Kelly Silva é Jornalista Política.

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