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Lições de uma mulher transformadora

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Há pessoas cuja vida se transforma em lição, mesmo diante das maiores dores. Dona Maria Benedita Martins de Oliveira foi uma dessas pessoas transformadoras.

Mãe, educadora e exemplo de força silenciosa, ela enfrentou ao longo da vida uma das provas mais duras que alguém pode suportar: a perda de três filhos. Dores que nenhum coração deveria carregar, mas que ela transformou em resiliência, fé e dignidade.

Mesmo marcada por perdas irreparáveis, Dona Maria Benedita nunca deixou que a dor definisse quem ela era. Seguiu firme, com coragem, formando valores, transmitindo princípios e deixando um legado humano que ultrapassa gerações. Sua trajetória é a prova de que a verdadeira força não está na ausência do sofrimento, mas na capacidade de seguir em frente sem perder a ternura, o amor e o compromisso com o bem.

A história de Dante de Oliveira, sua luta pela democracia e pelas Diretas Já, também carrega muito da formação, dos valores e da resistência herdados de sua mãe. Por trás de grandes homens, quase sempre existem mulheres gigantes — e Dona Maria Benedita foi uma delas.

Que sua memória siga viva como símbolo de amor incondicional, perseverança e dignidade diante das adversidades da vida. Meus sentimentos à família, aos amigos e a todos que tiveram o privilégio de conviver com essa mulher extraordinária.

Carlos Avallone é deputado estadual e líder do PSDB em Mato Grosso, partido que abrigou o ex-governador Dante de Oliveira e membros da família Oliveira

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8 de março exige mais que homenagem, exige políticas que salvem vidas

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por Max Russi
Vinte anos nos separam da aprovação da Lei Maria da Penha, marco histórico que transformou o ordenamento jurídico brasileiro e colocou o país como referência mundial no combate à violência doméstica. É motivo de orgulho legítimo. Mas seria irresponsável transformar esse aniversário em pura celebração, ignorando uma verdade brutal: o Brasil ainda mata quatro mulheres por dia em razão do feminicídio.

Este 8 de março chega carregado de contradição. Celebramos conquistas históricas, mas somos forçados a encarar o que ainda não foi conquistado: o direito mais básico de todos, o direito de estar viva. Honrar a data é, antes de tudo, agir.

Mato Grosso está no centro mais doloroso dessa estatística. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, nosso Estado lidera o ranking nacional na taxa proporcional de feminicídios — cerca de 2,5 mortes por 100 mil mulheres. Só no primeiro semestre de 2025, foram 27 casos registrados. Cada número é uma vida.

O caso da professora Luciene Naves Correia, 51 anos, assassinada pelo ex-marido em fevereiro no bairro Osmar Cabral, em Cuiabá, expõe com crueldade essa falha sistêmica. Suas filhas revelaram que ela havia acionado o botão do pânico pelo menos duas vezes antes de ser morta. O instrumento existia. O sinal foi dado. Infelizmente, não deu tempo.

O feminicídio é previsível. E o que é previsível pode — e deve — ser evitado. O diagnóstico de quem atua na linha de frente é preciso: cada órgão — Judiciário, Ministério Público, Polícia Civil, Polícia Militar, assistência social — age dentro de sua competência, mas sem integração real. É nessa lacuna entre as competências que a mulher morre.

Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, temos trabalhado para ampliar essa rede. Ao longo do meu mandato, oito propostas se tornaram lei, entre elas normas que obrigam estabelecimentos a adotarem protocolos de auxílio a mulheres em risco, responsabilizam financeiramente os agressores pelas despesas de saúde das vítimas e incorporaram a Campanha do Laço Branco ao ordenamento estadual. Tramita ainda projeto que reserva vagas de emprego para mulheres em vulnerabilidade em contratos do Estado. Mas leis sem execução são letra morta — por isso cobrei do Executivo informações sobre a aplicação de mais de 60 leis de proteção já aprovadas.

Vinte anos é tempo demais para continuar tratando feminicídio como tragédia individual. É tempo de exigir delegacias especializadas em todos os municípios, tornar o monitoramento eletrônico de agressores regra e financiar continuamente as casas-abrigo. Quando ela aperta o botão do pânico, não importa qual viatura chega primeiro. O que importa é que alguém chegue. Que ela sobreviva.

Quatro mulheres são assassinadas por dia no Brasil. Quatro. Todo dia. E Mato Grosso carrega o peso mais pesado dessa tragédia. Somos o Estado mais letal do país para as mulheres. Esse dado não pode ser lido como estatística fria — é um grito que exige resposta. Chega. Basta!

 

Max Russi, deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso

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