Polícia
Polícia Civil cumpre mandado de prisão de PM investigado de tentativa de homicídio em Cuiabá
Polícia
A Polícia Civil deu cumprimento a um mandado de prisão temporária, em desfavor de um policial militar, em razão de investigação de um homicídio tentado, praticado em 19 de dezembro de 2025, no bairro Duque de Caxias, em Cuiabá. A ordem judicial, expedida pela Vara Criminal de Cuiabá, foi executada pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na manhã deste sábado (27.12), na Capital.
Além da prisão, também foram determinadas pela Justiça, o cumprimento do mandado de busca e apreensão, bem como o afastamento do sigilo de dados contidos nos aparelhos celulares apreendidos do suspeito.
Conforme investigação desencadeada pela Polícia Civil, por meio da DHPP, o militar seria o autor dos disparos de arma de fogo que atingiram um homem, de 32 anos, após uma colisão de trânsito, ocorrida nas proximidades de um shopping, no bairro Goiabeiras, em Cuiabá.
Após o cumprimento do mandado, o investigado foi interrogado e entregue à Polícia Militar para proceder ao encaminhamento à audiência de custódia.
O crime
De acordo com a investigação, o militar teria se envolvido em uma colisão de trânsito com a vítima, que estaria na via pública, parada no sinal vermelho, quando tem a traseira de seu veículo atingida pelo veículo do policial.
Em seguida, já com o sinal aberto, a vítima para o carro logo à frente para ver o que teria acontecido, momento em que o investigado ultrapassa o veículo da vítima, dá ré e colide, propositalmente, na parte frontal do veículo da vítima e segue adiante.
Em razão disso, a vítima acompanha o veículo do policial por algumas ruas da região do bairro Goiabeiras, com intuito de checar o motivo da ação e, consequentemente, buscar reparação dos danos.
Em determinado momento, o policial para o carro, desce do veículo com arma em punho e realiza os disparos em direção ao automóvel da vítima, que é atingida na cabeça e na perna.
Após a ação, o investigado deixa o local e a vítima busca atendimento médico.
Crime relacionado
Conforme a investigação, o policial tentou ofuscar o crime, criando uma narrativa falsa de furto do próprio veículo. Tal fato teria tido a colaboração de sua esposa, de 40 anos.
A DHPP apurou que, no mesmo dia da tentativa de homicídio, houve a comunicação de furto do veículo do investigado, feita pela esposa do policial militar. Entretanto, no decorrer da investigação, foi evidenciado que se tratou de falsa comunicação de crime, com o intuito de tornar impune a autoria do homicídio tentado.
Diante desses fatos, também foi determinada pela Justiça a busca e apreensão, bem como a quebra do sigilo telefônico, em desfavor da esposa do policial.
A DHPP segue com a investigação para apurar o envolvimento de outros participantes da ação.
Processo criminal
Além do homicídio tentado qualificado, o policial militar deve responder por comunicação falsa de crime e processual.
Fonte: Policia Civil MT – MT
Polícia
Advogado divulga imagens e contesta tese de surto em assassinato de empresária
O advogado Rodrigo Pouso Miranda divulgou, neste domingo (6), trechos de gravações feitas na casa onde a empresária Gleici Keli Geraldo, de 42 anos, foi assassinada pelo marido, o engenheiro agrônomo Daniel Frasson. O crime ocorreu em 24 de junho de 2025, em Lucas do Rio Verde, a 330 quilômetros de Cuiabá.
Representante da família da vítima, Pouso afirma que as imagens enfraquecem a versão de que Daniel teria agido durante um surto. Segundo ele, as câmeras registraram discussões, ameaças e atitudes anteriores ao crime que indicariam que o ataque foi planejado.
“Quem viu as imagens já sabe. Não foi loucura. Foi plano. […] As câmeras registraram tudo. Não foi surto. Foi escolha”, escreveu o advogado no Instagram.
Gleici foi atacada enquanto dormia e atingida por 21 golpes de faca. A filha do casal, que tinha 7 anos na época, também foi esfaqueada oito vezes. A menina conseguiu sobreviver após receber atendimento médico.
De acordo com Pouso, os vídeos mostram conflitos entre o casal nos dias anteriores ao assassinato. As discussões envolveriam principalmente problemas financeiros, incluindo divergências relacionadas à compra de uma botina, uma antena Starlink e uma quantia de R$ 2,2 mil.
Em um dos trechos divulgados, Gleici aparece dizendo: “Dani, pelo amor de Deus”. Em outra gravação, ela afirma: “Já chega de trauma”.
O advogado também relata que, dois dias antes do crime, Daniel teria ameaçado matar a esposa e a filha. Uma irmã dele teria enviado uma mensagem para alertar Gleici e aconselhá-la a esconder as facas existentes na residência. Ainda conforme Pouso, o engenheiro descobriu o aviso e demonstrou irritação.
Uma consulta com um psiquiatra estava marcada para as 15h do dia do assassinato. Daniel teria concordado em participar do atendimento, mas, segundo o advogado, pegou uma faca por volta das 6h55, horas antes do horário agendado.
As gravações também teriam captado Daniel afirmando que havia “perdido um milhão”. Pouso sustenta que o acusado mantinha anotações sobre valores que atribuía como dívida à esposa e demonstrava insatisfação com o crescimento profissional dela, que se preparava para lançar uma marca.
Daniel permanece internado no Centro Psicossocial de Cuiabá. A defesa alega que ele não tinha consciência dos próprios atos quando atacou a família, conclusão inicialmente apontada em avaliação psiquiátrica.
O resultado do exame, porém, foi questionado pelo Ministério Público e pelos familiares de Gleici. A homologação do laudo foi anulada e uma nova análise foi feita por uma junta composta por três peritos. A Justiça ainda deverá decidir sobre a condição mental do acusado e como essa conclusão interferirá no andamento do processo.
Pouso afirmou ainda que parentes de Daniel conseguiram interditá-lo após o crime e que a internação já teria custado mais de R$ 200 mil aos cofres públicos. Posteriormente, o engenheiro teria solicitado, no processo de inventário, metade dos bens e dos valores provenientes de aluguéis deixados pela empresária.
A família de Gleici participa do processo como assistente de acusação.
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